Feliz Natal , Papai

Susan Meier

Marry Christmas, Daddy.

Um Beb?! Quando o solteiro convicto Gabriel Cayne props que Kassandra O'Hara se passasse por sua noiva em uma festa de famlia, no sabia que ela era me solteira!
Agora seus parentes esto achando que ele  o pai, e querem for-lo a se casar com a pobrezinha no Natal! Repentinamente, Kassandra estava sendo cumprimentada
por seus "sogros" por t-los abenoado com 1 neto, e passou a escolher a porcelana para 1 casamento que no iria ser realizado... Tambm comeou a ouvir o alto e
forte Gabriel cantando canes de ninar para sua filha quando pensava que estava sozinho.Talvez um casamento no Natal no fosse to impossvel assim...

Sabrina Cegonha 33
Digitalizao: Erika Santana
Reviso: Bruna


CAPTULO I

Quando as portas do elevador se abriram, Gabriel Cayne Pensou que havia entrado em um comercial de roupas. Inclinado a sua frente, ves#tindo uma cala jeans pr-lavada
e com caimento per#feito, estava o mais perfeito corpo que j vira. A mulher tentava inutilmente recolher algumas latas de alimentos que elas rolassem pelo hall,
mas Gabe no prestava tanta ateno a seu dilema. Por um breve momento, lhe ocorreu nada a no ser aproveitar aquela viso, que viso! Todas as curvas certas, nos
lugares certos.
O encantamento durou mais alguns segundos, e ento, para seu desgosto, Gabe percebeu que a mulher abaixada no hall era sua vizinha conservadora, que morava no apar#tamento
do outro lado do corredor junto com duas amigas rabugentas. Ele quase suspirou com desnimo.
Gabe no evitaria brigar com ela em um dia qual#quer, mas naquela fria e chuvosa tarde de dezembro, principalmente depois de receber as notcias sobre a doena de
sua av; a nica coisa em que pensou foi em manter uma conversa civilizada.
 Boa noite  ele murmurou, tentando ser polido.
Tirando os cabelos loiros da frente do rosto, ela o encarou. Mesmo na penumbra do hall, Gabe pde ver que os olhos eram verdes. Ele jamais notara o de#talhe antes,
apesar de j t-la visto algumas vezes, quando ela fora reclamar que seu som estava muito alto, ou que seus amigos faziam muito barulho.
 Boa noite  ela respondeu, e ento abaixou-se novamente, apanhando um pote de maionese e levan#do-o at a frente da porta de seu apartamento, onde uma sacola de
supermercado estava jogada no cho completamente inutilizada pela chuva.
Olhando pelo corredor, Gabe observou que as com#pras de sua vizinha estavam espalhadas por toda a parte. Ainda que estivesse a apenas alguns centmetros de sua porta,
o cavalheiro que tinha dentro de si falou mais alto. Colocou sua maleta em frente  porta de seu apartamento, depositando sua capa de chuva sobre ela, e saiu pelo
corredor, falando:
 Eu vou ajud-la.
Mas Kassandra preferia que ele no fizesse aquilo.
Era melhor que no. No no dia que ela descobrira que uma das garotas com quem dividia o apartamento havia ido embora. No no dia em que seu carro havia quebrado.
E no uma semana antes que sua outra companheira de casa tambm a deixasse, partindo para Boston.
Ela no tinha a mnima vontade de que aquele play#boy e um metro e noventa de altura lhe ajudasse; no importava quo irresistvel ele parecia naquele impecvel
terno negro...
Bem, talvez justamente porque parecia to irresistvel. O terno, claramente uma roupa de grife, perso#nificava tudo que Kassandra no gostava naquele ho#mem. Ele
levava uma vida fcil, dirigia a companhia de sua famlia, e nunca precisara preocupar-se com dinheiro. Mais do que aquilo, sempre fazia tudo o que queria, inclusive
dar festas at altas horas da madru#gada em qualquer dia da semana. Cada vez que ele dava uma festa, Candy, a filhinha de Kassandra chorava por toda a noite.
E quando Candy no conseguia dormir, a mesma coisa acontecia com Kassandra... E ela perdia a hora na manh seguinte.
No era de se admirar que ela achasse difcil ser simptica com seu vizinho.
 Aqui est - ele anunciou, carregando uma pilha de latas de conservas junto a seu corpo, sem olhar para Kassandra. Quando ergueu a cabea e fez um movimento para
lhe entregar as latas, percebeu que ela tambm estava com as mos ocupadas, e ento ficou momentaneamente confuso.
Grande! Agora ela teria que deix-lo entrar em sua casa. Os dois suspiraram exasperados.
Kassandra virou-se e enfiou a chave na fechadura, abrindo a porta.
Chegando mais perto, Gabe percebeu que seus cabelos tinham a cor do trigo, e eram bonitos. Surpreendente#mente bonitos. E possuam um aroma delicioso, tambm.
Decidindo que aqueles pensamentos eram ridculos, Gabe abaixou-se novamente, para pegar mais uma lata que estava a seus ps. E seguiu Kassandra para dentro do apartamento,
atravessando a sala e dirigindo-se para a cozinha.
Todos os apartamentos naquele prdio eram funcionais e elegantes. Gabe decorara o seu com um, estilo moderno, mas Kassandra e suas amigas haviam optado por algo
mais suave. No apreciava tal estilo, por consider-lo muito feminino, mas tinha de admitir que gostaria de ver aquele jogo de mesa em mrmore ver#de-claro e cadeiras
com estampas florais em sua cozinha imaculadamente branca.
Percebeu surpreso que no sabia nada sobre sua vizinha, e que conversara com ela, apenas quando discutiram sobre o volume de seu aparelho de som. Por diversas vezes,
ela chegara a chamar a polcia. O que o deixava ainda mais irritado.
Ainda que seus parentes houvessem partido para a Gergia, continuavam recebendo relatrios detalhados sobre suas atividades na cidade, fornecidos diretamente pelo
superintendente da companhia da famlia, que tam#bm era a proprietria daquele prdio onde morava.
Obviamente, os relatrios no deixavam de mencio#nar as visitas de Gabe  delegacia de polcia. E cada uma daquelas visitas era seguida por um telefonema de seu
pai.
Era inacreditvel. Tinha trinta anos, era presidente de uma corporao multinacional, e ainda ouvia ser#mes de seu pai por escutar msicas em um volume muito alto.
No era de se admirar que ele achasse difcil ser simptico com sua vizinha.
 Vou apanhar o resto das coisas  Gabe avisou, virando-se em direo  porta. No pudera negar ajuda quela mulher, mas quanto antes sasse dali, melhor.
Pouco tempo depois, ele voltou com a sopa, os ve#getais congelados e um pacote de po.
 Onde coloco isso?
Kassandra esforou-se para sorrir.
 Pode deixar em cima da mesa. Eu guardo tudo.
 De forma nenhuma! Fao questo de ajudar  ele insistiu, tambm forando um sorriso.
Para Kassandra, era como se um lobo em pele de cordeiro se oferecesse para ajud-la, e ela no queria ajuda alguma.
Estava cansada, tinha muitos problemas para re#solver e precisava pensar. E Candy estava prestes a chegar. Kassandra jamais escondera a filha de oito meses de Gabe
Cayne, mas tampouco a apresentara a ele. Temia o que ele poderia fazer se soubesse da existncia de uma criana de colo justamente no apar#tamento daquela que mais
atrapalhava seu modo de vida. Como era o dono do prdio, talvez pudesse incluir uma clusula na conveno do condomnio proibindo inquilinos com filhos pequenos,
apenas para se livrar de Kassandra. Era melhor que ele continuasse no sabendo de nada.
 Acho que agora posso me arranjar sozinha  ela comentou, tentando no parecer rude.  Voc pode ir.
 Com muito prazer  Gabe ironizou, virando-se para sair dali. Mas, logo em seguida, ele voltou-se para encarar Kassandra mais uma vez.  Sabe, voc no tem feito
outra coisa a no ser me atormentar nos ltimos meses. Reclama se o som est alto, chama a polcia cada vez que eu dou uma festa. Eu no precisaria estar lhe ajudando
agora, ento o mnimo que voc poderia fazer era dizer "muito obrigada, gostei de sua ajuda".
 Muita obrigada, gostei de sua ajuda  Kassandra agradeceu sem disfarar o sarcasmo em sua voz, en#quanto continuava a guardar os mantimentos.
 Conversa  Gabe insistiu.  Voc no parece gostar de nada, nem de ningum. s vezes penso que voc deve ter sido uma garota mimada...
Kassandra no pde mais se controlar depois de ou#vir aquilo, e encarou-o fixamente, com os olhos faiscando de raiva.
 Cuidado com as palavras. Voc, menino nascido em bero de ouro, no tem direito algum de me chamar de garota mimada.
 Ento como voc explica o fato de simplesmente me mandado embora, como se eu fosse um cachorro?
 Estou cansada  ela respondeu honestamente. E mais do que isso, tenho muitos problemas, e pre#tendo decidir o que fazer. Estou prestes a ficar sem com#panheira
para dividir as despesas do apartamento. Jane foi embora ontem  noite, e Sandy embarca para fora na prxima semana. No sei onde vou conseguir o dinheiro para pagar
o aluguel nos prximos meses.
A1m disso, meu carro quebrou hoje de manh. A menos que eu ache um pote de ouro no fim do arco-ris, no vou conseguir terminar este semestre da faculdade.
Gabriel Cayne no soube o que dizer e quase j se arrependera de ter motivado aquela conversa quando Kassandra continuou:
 Mas  lgico que voc no entende do que estou falando, j que no sabe o que  ter problemas. Voc sempre teve tudo o que desejou!
  mesmo? - Gabe contra-atacou.  Voc no  a nica pessoa com problemas. Tenho de manter a companhia da minha famlia a salvo de diretores que s pensam no prprio
lucro, e j conquistei vrios inimigos nessa luta. Minha av est morrendo. Morrendo! A pessoa que mais amo no mundo tem um cncer ter#minal e provavelmente esse
ser o ltimo Natal em que terei sua companhia.
Ele interrompeu-se por um momento, dando um pas#so em direo a Kassandra.
 E, como se isso no bastasse  continuou, rubro de raiva , tenho de ir para a Gergia no Natal para explicar a minha av por que no tenho uma noiva.
Kassandra realmente achou a maior parte daquela histria muito triste, mas no pde evitar um comen#trio irnico diante do ltimo problema apresentado por Gabe.
 Que pena!
Gabe suspirou irritado.
  uma pena mesmo  declarou, enfiando as mos nos bolsos com nervosismo.  Inventei que estava noi#vo para que minha av se sentisse feliz nesses ltimos meses,
mas agora estou arrependido. Ela me telefonou nesta tarde e disse que seu ltimo desejo, antes de morrer,  conhecer minha noiva.
Se aquele caso no envolvesse uma pessoa muito amada que estava morrendo, provavelmente Kassandra mandaria Gabe se deitar na cama que ele prprio armara. Mas era
impossvel no sentir compaixo pelo dilema daquele homem.
        Ela pigarreou antes de falar.
 Sinto muito:  Depois de uma breve pausa, Insistiu:  Sinto muito, mesmo.
Gabe tambm sentia muito. No apenas pela dis#cusso que haviam tido, mas tambm porque falara demais. Ningum sabia sobre aquela histria da noiva de mentira, a.
no ser seus pais. E agora uma quase desconhecida, Kassandra, conhecia seu segredo.
 Tambm sinto muito  Gabe lamentou, massa#geando seu pescoo com uma das mos.  No queria chate-la com meus problemas, mas estava muito ner#voso.  Ele calou-se,
encarando-a em silncio por um longo momento.  Na verdade, acho que por isso que me descontrolei quando voc no aceitou minha ajuda. Me desculpe, por favor.
 Tudo bem  Kassandra murmurou.
Um silncio estranho, constrangedor, tomou conta do ambiente. Eles nunca haviam conversado civiliza#damente, e parecia que nenhum dos dois sabia muito bem o que
fazer ou dizer.
 Ser que posso fazer alguma coisa para ajud-lo?  Kassandra finalmente perguntou.
Gabe balanou a cabea.
 Nada a no ser que voc queira ir comigo at a Gergia, fingindo ser minha noiva durante as frias de Natal.
O absurdo da sugesto fez Kassandra rir. Aquela era a primeira vez que haviam conversado por mais de cinco minutos. Jamais conseguiriam passar trs se#manas juntos,
ainda mais fingindo estar apaixonados. Por isso riu novamente, meneando a cabea.
 No acho que no  uma boa idia.
 Tem razo  Gabe concordou. Tambm imaginando o absurdo daquela situao, ele sorriu. Na verdade, sorriu para Kassandra.
Ela gostou daquele sorriso. Ele no parecia to mau. Eles haviam feito alguns progressos.
Mais descontrado, Gabe voltou a massagear seu pescoo.
 Ento suas amigas esto indo embora, ? Kassandra confirmou com um leve aceno da cabea, recriminando-se por ter falado demais. Mas, logo em se#guida, disse a
si mesma que no tinha com que se preo#cupar. Ela no tinha uma fada madrinha, e no havia um pote de ouro no fim do arco-ris. Logo, dentro de pouco tempo no teria
mais como pagar aquele aluguel, e iria embora dali. Tudo se resolveria daquela maneira.
 Provavelmente terei de sair daqui, rompendo meu contrato de aluguel.
 Sinto muito  Gabe lamentou, e Kassandra per#cebeu que o comentrio era sincero.  Este prdio  muito seguro.
 Eu sei  ela concordou.   por isso que gosto de viver aqui. Para ser sincera, no queria sair e... Kassandra parou bruscamente, observando uma ex#presso curiosa
passar pelo rosto de Gabe.
Sem nenhum pudor, ele lanou a Kassandra um olhar minucioso, que percorreu seu corpo de alto a baixo. Em seguida, deu mais um de seus sorrisos irresistveis.
 ... Sabe, se pensarmos bem, talvez possamos nos ajudar.
Kassandra balanou a cabea, em um gesto negativo.  Acho que no. A no ser que voc me deixe viver aqui sem pagar at me formar na faculdade, no pode fazer nada
para me ajudar.
 Mas eu posso deix-la viver aqui at sua formatura.
Mais do que isso, posso ajud-la com suas despesas nesse perodo, desde que voc v para a Gergia comigo.
 No, muito obrigada  Kassandra recusou, ad#mirada por Gabe no perceber quo delirante era a proposta que lhe fazia.
 No d uma resposta to rpido  ele insistiu.
 Estou falando srio. Pago o aluguel e suas despesas.
Faa uma estimativa de quanto dinheiro vai precisar e me d o valor. No h problema. Eu realmente preciso de ajuda.
Kassandra ficou assustada com tamanha generosidade.   claro que precisa. Mas isso no importa, porque no posso aceitar sua oferta.
Em primeiro lugar, no podia pedir para seus pais cuidarem de Candy por tantos dias. Em segundo, no queria perder o primeiro Natal de sua filha. Em ter#ceiro, era
pouco provvel que Gabe Cayne gostasse que Kassandra fosse passar as frias de Natal com a famlia dele, levando um beb. Que ele nem sabia que existia, alis.
E, em quarto e ltimo lugar; aquela proposta era boa demais para ser verdade. Kassandra j vivera o bastante para saber que Gabe estava tramando algu#ma coisa. E
ela no queria fazer papel de tola.
 Voc tem de aceitar  Gabe observou.  No h outra sada.
  claro que h  Kassandra retrucou.  ...Terei de trancar minha matrcula e arrumar um emprego de perodo integral.
Fingindo casualidade, ela guardou algumas coisas na geladeira. Mas com o canto do olho pde ver que Gabe a encarava como se a considerasse louca.
 Sei que voc est pensando que estou com algum parafuso solto  ela falou, sem parar de guardar seus mantimentos.  Mas tambm acho que voc est louco para me
fazer uma proposta dessas.
         Por qu?
 Porque pessoas como eu, sem dinheiro, suspeitam muito de ofertas desse tipo.  Kassandra sorriu, en#carando Gabe.  Voc est tramando algo.
  O que posso fazer para voc acreditar que no  truque algum?  ele perguntou.
 Sempre h algum truque.
 No desta vez  ele assegurou com calma.
O rosto de Kassandra assumiu uma expresso sria.  Voc est brincando? Vai me deixar viver aqui por um ano e meio e ainda me dar, dinheiro para mi#nhas despesas?
 Eu tenho dinheiro. Voc precisa dele. A nica coisa que tem de fazer  passar o Natal comigo. Sero vinte dias em dezembro e mais alguns em janeiro. Isso  o suficiente
para mim.
Agastada, ela balanou sua cabea novamente.  Vocs, pessoas ricas, vivem em outro mundo.
 Por qu?  Gabe perguntou.  Estou lhe fazendo uma grande oferta, mas voc  muito... muito...
 Estpida?  Kassandra sugeriu, erguendo as so#brancelhas com uma expresso inquiridora.
 Teimosa  ele corrigiu.  Por que no quer aceitar minha proposta?
 Por vrios motivos. E o primeiro deles  que no conheo voc.
 Ah, no! Todo mundo nessa cidade me conhece, ou pelo menos conhece minha reputao. Minha boa reputao, quero dizer. Excetuando-se o fato de con#siderar minhas
festas muito barulhentas, voc conhece minha integridade. Logo, isso no  desculpa.
Aquilo era verdade. Ela conhecia a reputao de Gabe. Mais do que aquilo, todos na cidade conheciam a famlia Cayne, eles eram pilares da comunidade local. At poucos
anos antes, quando haviam decidido se mu#dar para a Gergia, eles eram a comunidade. Os mais generosos, os mais benevolentes da cidade...
Tudo aquilo fazia sua proposta parecer tentadora.
Muito tentadora. Aluguel e despesas garantidos por dezoito meses. Ela at poderia deixar de trabalhar como garonete. Apenas estudar. At a formatura.
Com um gesto decidido, Gabe comeou a caminhar em direo  porta.
 Vou lhe dar algum tempo para pensar. Embar#carei no avio particular de minha famlia na sexta-#feira s duas da tarde, no Aeroporto Municipal. Se voc no estiver
l, eu vou entender.  Ele fez uma pausa e encarou-a fixamente:  Mas se voc quiser me acompanhar, leve bagagem para trs semanas.
Kassandra ficou observando enquanto a porta se fechava, e ento desabou na cadeira mais prxima.
Era muito difcil recusar uma oferta to incrivel#mente generosa, e Gabe sabia daquilo.
Mas era mais do que bvio que ele no sabia nada sobre Candy.

CAPTULO II

Na sexta-feira, vinte minutos depois das duas horas da tarde, o avio de Gabe estava pronto para decolar. Gabe permanecia parado no meio da pista, enfrentando o
frio vento de dezembro, enquanto olhava fixamente para o estacionamento do aeroporto municipal. Concluiu que j esperara tempo suficiente para convencer-se de que
Kassandra real#mente no aceitara sua oferta.
Aquilo era inacreditvel. Uma oferta to lucrativa, to generosa, no havia sido boa o suficiente para Kassandra.
Desistindo de tentar entender o que fizera de errado, comeou a virar-se para embarcar no avio, quando viu Kassandra descendo de um carro que acabara de parar no
estacionamento. Gabe soltou um suspiro de alvio e, em seguida, recriminou-se por no haver oferecido a ela uma carona at o aeroporto.
Mas Gabe no iria fraquejar. A viagem iria correr como ele planejara, porque, afinal de contas, era para sua famlia que fazia aquilo. No poderia deixar que Kassandra
ditasse as regras, ou tentasse ser mais es#perta que ele.
No na frente de sua famlia.
De uma maneira ou de outra, ele teria de controlar aquela situao, o que no seria uma tarefa fcil. Kas#sandra era esperta o suficiente para saber que Gabe estava
em suas mos por causa da mentira que in#ventara. Mas ela no parecia entender que tambm precisava fazer sua parte, ou no lucraria nada com aquela farsa. Faz-lo
esperar por vinte minutos real#mente no fora um bom comeo.
Gabe decidiu que a melhor coisa a fazer era fingir que no estava preocupado com o atraso dela, e ento comeou a subir a escada do avio. No sem antes dar uma
ltima olhada para o estacionamento, para ter certeza de que a mulher que chegara era realmente Kassandra.
O avio de Gabe era pequeno, mas confortvel; com poucas poltronas e uma pequena mesa de trabalho. Sen#tando-se, ele rapidamente abriu sua maleta e espalhou uma
srie de papis pela mesa e na poltrona ao lado da sua, para reforar a impresso de que no estava esperando Kassandra.
Mas, vinte minutos depois, ele continuava esperan#do. Furioso, arremessou um dos papis que lia para o lado e comeava a levantar-se para pedir ao piloto que partissem,
quando viu o homem vir em sua direo com uma expresso preocupada no rosto.
 Sr. Cayne, temos um problema no terminal, e precisamos de sua ajuda.
Gabe encarou Arthur Oxford.
 Minha ajuda?  perguntou, confuso.
 H uma mulher dizendo que o senhor a espera ...
 Mas voc sabe que estou esperando uma mulher, Arthur!  Gabe exclamou exasperado, caminhando para fora do avio.  Voc poderia ter dito isso a eles.
 Mas essa mulher tem ...  Arthur comeou, mas ele no ficou para ouvir o resto da frase. Ele no podia esperar mais. Decidiu que era mais fcil resolver a ao
pessoalmente.
Caminhou at o terminal de embarque, inconforma#do com a incompetncia daquelas pessoas. Depois de passar pelas portas de vidro, ele atravessou rapida#mente o terminal,
dirigindo-se para a administrao do aeroporto.
Kassandra estava usando um casaco de l preto e um chapu. Definitivamente, no era o tipo de mulher com quem Gabe normalmente saa. No era muito alta nem magrrima.
E nem um pouco sofisticada. Mas era uma gracinha. Sexy na medida certa. S que estava carregando um beb. Uma garotinha vestida com um macaco cor-de-rosa. Ela estava
com um mordedor de plstico na boca e, no momento, em que Gabe entrou no escritrio atirou a pea em sua direo. O mordedor bateu em seu peito, e ento caiu no
cho.
 O que  isso?  Gabe indagou, dando um passo para trs. E ento olhou para Kassandra, que parecia mortificada com a situao.
A garotinha soltou uma risada, e ento jogou-se para a frente, tentando livrar-se do colo de Kassandra en#quanto murmurava:
 D-d.
Meio irritado, meio confuso, Gabe encarou Kassandra. .Ela abaixou-se para pegar o mordedor e ento vi#rou-se para o gerente do aeroporto.
 Sr. Byron, o senhor poderia nos dar licena um minuto, por favor?
 Claro  Charlie Byron concordou, erguendo-se de sua cadeira.  Quer que eu leve Candy comigo?
Kassandra fez um gesto negativo com a cabea, e, em seguida, observou enquanto Charlie saa da sala, fechando a porta atrs de si.
 Esse  o motivo de eu reclamar tanto do barulho que voc faz  ela revelou enquanto colocava o mordedor sujo dentro de uma bolsa.  Eu tenho uma filha.
Em seguida fez uma pausa, esperando pela resposta dele, mas Gabe estava to pasmo que no sabia o que dizer. No s por sentir-se culpado por incomodar um beb,
como tambm pelo fato de Kassandra, aparen#temente, pretender levar sua filha para a Gergia. Para encontrar com a famlia dele.
 Esse  o primeiro Natal dela, e no quero perd-lo.
Alm disso, no conseguiria encontrar algum que aceitasse tomar conta de um beb por trs semanas nesta poca do ano. - Kassandra soltou um suspiro antes de continuar.
 Ento resolvi traz-la  acrescentou com cautela.
 Estou vendo  Gabe comentou enquanto sentava numa cadeira, cobrindo seu rosto com as mos.
Ele no sabia o que dizer ou fazer. Levar aquela mulher com um beb para a Gergia no iria funcionar. Sua tentativa desesperada de no ser tachado como um mentiroso
por sua famlia havia falhado.
 Olha, no  to ruim quanto voc pensa  Kassandra disse, comeando a ficar irritada com ele.  Candy  um beb, no um bicho. Eu no tive escolha. Ou perdia essa
oportunidade ou trazia Candy. Agora voc deve decidir entre levar ns duas para a Gergia ou nos deixar aqui. Mas gostaria de lembr-lo de uma coisa...  Ela interrompeu-se
at que Gabe levantasse a cabea para encar-la.  Voc no colocou nenhuma condio quando me fez a oferta. S pediu para que o encontrasse no aeroporto.
 Voc  ele enfatizou a palavra, levantando-se e comeando a andar de um lado para outro na sala.  Pedi para voc me encontrar no aeroporto. Preciso de uma mulher,
no de duas.
O beb comeou a gritar alegremente, batendo suas mozinhas e olhando para Gabe como se ele fosse o Prncipe de Gales. Mas Kassandra o encarava como o considerasse
louco.
 Eu no quero deix-la. Trs semanas  muito tempo, e esse  seu primeiro Natal.  uma data es#pecial. No quero perd-la.
 Acredito que no  Gabe murmurou.
Nunca tivera muito contato com bebs, e aquela garotinha o deixava nervoso. Bem, ela era muito bonitinha, mas o olhava de um jeito especial, como se o conhecesse.
Ele tentou manter-se longe do olhar de Candy, mas o beb entendeu aquilo como uma espcie de brincadeira, ento comeou a virar-se no colo da me para procur-lo.
E quando o encontrou soltou uma gargalhada, revelando dois dentes recm-nascidos em sua gengiva.
 Compreendo tudo isso, mas no posso levar vo#cs duas para encontrar com minha famlia  Gabe argumentou.
 Tudo bem, voc fez sua escolha  Kassandra concordou, sorrindo com desnimo.  Mas no pode dizer que eu no lhe dei uma opo.
Se sua voz no houvesse soado to desapontada, Gabe saberia que tudo aquilo no passara de um esquema para engan-lo. Mas justamente por causa da#quele desapontamento,
ele sabia que Kassandra estava sendo sincera. E ento encarou-a em silncio por um longo momento.
 E que opo...
 Tudo depende de seu ponto de vista. Se voc precisa tanto de uma noiva, Gabe, levar-nos  melhor do que nada.
Ele estreitou os olhos, mas sabia que Kassandra es#tava certa. Levar uma mulher com um beb para visitar seus pais era muito melhor do que no levar nenhuma.
Se chegasse desacompanhado, teria que continuar mentindo. Poderia dizer que havia rompido com sua noiva. O que com certeza deixaria sua av decepcio#nada. E ele
no queria que ela ficasse triste no Natal. Queria faz-la feliz.
 Tudo bem, voc venceu. Vamos.
Kassandra sorriu, o que provocou um estranho tre#mor em Gabe. Ela era mesmo atraente. No era seu tipo, ele fez questo de lembrar a si mesmo, mas era muito atraente.
Interrompendo seus pensamentos, Kassandra apon#tou para o lado da mesa de Charlie Byron.
 O carrmho de Candy, as fraldas descartveis o cercado, o balano, o cadeiro, e todas as outras coisas  enumerou, enquanto observava a boca de  Gabe contrair-se
com espanto.
         Tudo isso para uma criana?         .
 Deixei a maior parte das coisas em casa  Kassandra revelou com casualidade, considerando para si mesma que um beb de oito meses no era realmente a melhor companhia
para uma viagem.
Mas no daria chance para Gabe desistir. Principal#mente porque ele no parecia ter se dado conta do maior problemaa que representava levar Candy naquela viagem.
 Voc pode me ajudar com essas coisas? Vou pedir para o sr. Byron pegar minha mala no carro de minha amiga. Encontro com voc no avio em dez minutos.  S tenho
dez minutos para carregar tudo isso?  ele reclamou, olhando para a parafernlia amontoada no cho, mas Kassandra j estava a meio caminho da porta.
 Espere um minuto  Gabe a chamou.  Como vamos explicar a existncia de Candy para meus parentes?

CAPTULO III

Kassandra no respondeu  pergunta de repente porque tinha certeza de que ele no gostaria da resposta. No at se acostumar quela si#tuao. Mas ele no voltou
a tocar no assunto, princi#palmente porque Candy comeou a chorar no exato ins#tante em que eles entraram no avio. Gabe apanhou alguns papis em sua maleta, e ficou
lendo durante todo o tempo em que Kassandra tentava fazer Candy dormir.
Estranhamente, Gabe continuou lendo mesmo de#pois de Candy dormir, no se interrompendo nem quando desceram do avio e entraram na limusine que os levaria  casa
de sua famlia. Candy dormia. Gabe lia. E assim caminhavam as coisas, muito melhor do que Kassandra poderia esperar.
Mas, quando entraram na grande estrada que con#duzia  propriedade da famlia de Gabe, Kassandra finalmente despertou para a realidade. Estavam mdo para aquele encontro
sem estratgia al~ma, nada que a ajudasse a cumprir seu papel de noiva.
 Acho que est na hora de voc dizer algo sobre voc e sua famlia  ela sugeriu, indicando com um gesto de cabea a grande e luxuosa manso que aparecia ao longe,
no final da estrada.
Gabe ergueu o olhar do documento que examinava.
Provavelmente fora direto do trabalho para o aeroporto, pois trajava um terno preto clssico, com caimento perfeito. Vestido daquela forma aparentava ser com#petente,
inteligente e forte. Definitivamente poderoso. Olhando para ele, ningum diria que costumava dar festas interminveis e barulhentas, ou sair com mu#lheres de aparncia
extremamente duvidosa...
 A conversa pode acordar o beb?  ele perguntou.
 Bem, pode  Kassandra concordou com relutncia  Mas mesmo que ela acorde, precisamos combi#nar como devo agir e o que devo dizer quando for apresentada para...
 No momento, acho mais conveniente deixar o beb dormir  Gabe interrompeu, voltando a olhar para os papis.
Sentindo-se desprezada, Kassandra encolheu-se no canto do carro em que estava sentada. Arrepios de medo percorriam sua espinha, mas ela esforou-se para espant-los.
Era a famlia dele. Se Gabe no se importava, ela no podia fazer nada.
Quando chegaram em frente  propriedade e a limusine parou, Gabe desceu do carro e abriu a porta da casa sem comentrio algum. Kassandra entrou com Candy adormecida
em seus braos. Precisou de alguns minutos para ajustar sua viso  tnue iluminao do local.
Ainda que externamente a manso parecesse bri#lhante, imponente, seu interior era tristonho e frio. Tapearias escuras cobriam todas as paredes do hall, podiam ser
vistas tambm na escadaria que conduzia ao andar superior da casa.
Um grande lustre de cristal pendia do teto bem no centro do ambiente, mas no estava aceso. A nica iluminao do local vinha de arandelas. Mas mesmo a aparncia
triste no ocultava todo o luxo reinante na casa.
 Vou lhe mostrar seu quarto  Gabe sussurrou, conduzindo Kassandra para o andar superior.  Ento poder colocar Candy na cama.
Kassandra suspirou aliviada, pois a casa parecia estar vazia. Imaginou que Gabe adiara a conversa justamente por saber daquilo, e que, finalmente, combinariam al#guma
coisa assim que Candy ficasse melhor acomodada.
Mas Gabe permaneceu em silncio mesmo depois de Candy estar colocada confortavelmente no meio da cama do quarto de Kassandra.
 Sua famlia tem uma grande casa  ela comen#tou, esperando que ele finalmente dissesse algo.
  mesmo. Obrigado  Gabe respondeu com frieza. Ele usava o mesmo tom de voz com que sempre a cumprimentava quando se encontravam no prdio em que moravam.
Kassandra suspirou exasperada.
 Oua bem, Gabe  comeou, quase sem pacincia.
 Voc no pode me tratar assim nas prximas trs semanas. Estou aqui para fazer sua famlia acreditar que voc est noivo e feliz. Esse plano no vai funcionar
se voc continuar me tratando como se eu tivesse al#guma doena contagiosa.
 No a estou tratando como se voc tivesse alguma doena  ele negou.
 Bem, talvez uma espcie rara de gripe, ento#.  Kassandra brincou, esperando descontra-lo um pouco.
 Muito engraado  Gabe observou, ainda que no estivesse sequer sorrindo.  Para voc, isso tudo no passa de uma grande brincadeira, mas  um as#sunto srio para
mim. Estou assim porque no sei ab#solutamente nada sobre crianas, e supostamente es#tou me encontrando com voc tempo o suficiente para estar acostumado com sua
filha.  Com um gesto nervoso, ele passou  mo pelos curtos cabelos negros. #No sei por que trouxe voc aqui. Quando vi o beb percebi que isso no daria certo.
Dizendo aquilo, ele virou-se em direo  porta.  Vou pegar as coisas de Candy  avisou, saindo.
Kassandra sentou-se na cama, desanimada. Ele es#tava certo. Aquilo no ia funcionar, e a culpa era sua. Gabe tinha todo o direito do mundo de estar com raiva.
 Que est acontecendo com o sr. Cayne? Kassandra ergueu a cabea e viu uma senhora com os cabelos grisalhos parada  porta. Usava um vestido simples azul-marinho,
sapatos de salto bai#xo, levava nas mos um jogo de lenis limpos.
 Eu perguntei o que est acontecendo com o sr. Cayne  repetiu.
Por alguns segundos, Kassandra permaneceu bo#quiaberta, olhando para a mulher sem saber o que responder. Podia no ser de uma famlia rica mas sabia que jamais deveria
discutir problemas pessoais com os empregados.
 Obrigada pela roupa de cama  agradeceu esperando livrar-se da pergunta.
A mulher caminhou at a cama, depositando sobre ela os lenis. Ao fazer aquilo, Candy, ainda dormindo, rolou pela cama e enfiou o rosto no edredom.
         O que temos aqui?
  minha filha, Candy.  Kassandra respondeu.
 Deixe-me adivinhar  a velha senhora pediu.
 Por isso que Gabriel Cayne saiu daqui de forma intempestiva agora h pouco.  Inclinando-se um pouco para enxergar Candy melhor, ela acrescentou:  Ele no gosta
de complicaes em sua vida. Tudo deve ser sempre perfeito.  Apontou em seguida para as toalhas que estavam sobre o jogo de cama que trouxera.  Querida, poderia
colocar essas toalhas no banheiro para mim, por favor?
 Claro  Kassandra respondeu, levantando-se da cama enquanto a senhora sentava-se. A caminho do banheiro, concluiu que precisava dizer algo para que a empregada
no tirasse qualquer concluso a respeito do que vira.
 O Sr. Cayne.no esperava que eu trouxesse Candy  explicou, quando voltou ao quarto.  Mas, no ltimo momento, resolvi traz-la, pois queria compartilhar com ela
seu primeiro Natal. Mas no estava verdadei#ramente com raiva, apenas um pouco nervoso com a viagem, pois a bagagem de Candy ocupa mais espao do que seis adultos
e ela ainda chorou durante quase todo o tempo. Acho que minha filha no  a melhor companhia para uma viagem...
 Bobagem, ela  perfeita. D s uma olhada  a senhora comentou, passando com leveza os longos dedos sobre os cabelos de Candy.  Que garotinha adorvel!
 Bem, eu tambm acho  Kassandra concordou, admirando as bochechas rosadas e a pele delicada da filha. Com a iluminao suave do quarto, ela parecia ainda mais
linda.   dificil acreditar que o sr. Cayne no a ache to adorvel assim.
A empregada olhou inquisidoramente para Kassandra.  Voc sempre o chama de sr. Cayne?
 No  Kassandra respondeu, lembrando-se de todas as formas pouco amveis com que chamara Gabe no passado, principalmente quando ele acordara Can#dy com uma de
suas festas.  S estava tentando manter o respeito.
 Bem, esquea-o  A senhora declarou, fazendo um gesto de menosprezo com a mo.  Voc pode ser honesta comigo.
Concluindo que aquela no era uma idia muito boa, Kassandra olhou de relance para os lenis.
 A senhora veio arrumar a cama?
 Sim, mas agora temos um pacote sobre ela  a empregada brincou, indicando Candy com a cabea.  Ento uma de ns vai ter de segur-la enquanto a outra trabalha.
 Est bem  Kassandra concordou, feliz por no ter de falar sobre Gabriel Cayne por algum tempo.  A senhora segura Candy  decidiu, ajudando a mulher a se levantar
e levando-a para uma poltrona junto  janela.  Eu arrumo a cama.
 Gostei da sugesto  a mulher comentou com os olhos brilhando quando recebeu Candy em seu colo.
Assim posso recordar meus bons tempos. Kassandra estava tentada a perguntar  pobre mu#1her havia quanto tempo trabalhava para os Cayne, quanto tempo ainda faltava
para se aposentar, mas achou melhor evitar aquelas particularidades.
 Por que no me diz de onde voc  enquanto Gabe no traz suas malas?
Kassandra definitivamente preferia evitar qualquer conversa com os empregados, mas era melhor falar de si do que sobre seu relacionamento com Gabe.
 Pensilvnia.
 Voc trabalha com Gabe?
 No. Vivo em seu prdio de apartamentos.
 Entendo  a mulher comentou, pensativa.
Kassandra balanou a cabea.
No, acho que a senhora no entendeu. No saa com ele porque sua empresa  a dona do prdio em que moro. Comeamos a sair porque ele insistiu muito. E aqui estamos
 explicou, decidindo que uma histria simples era a melhor sada para aquela situao.
 Para lhe dizer a verdade, estou surpresa que aquele danado tenha trazido voc  a velha senhora falou  Ele nunca trouxe nenhuma de suas namoradas at aqui e,
pelo que ouvi, o motivo era que tinha vergonha delas. Realmente, estou impressionada por estar noivo de uma mulher com crebro, e que alm disso  capaz de dar um
descanso para uma senhora idosa, fazendo a prpria cama.
Quase engasgando, Kassandra encarou a mulher.
 A senhora no pode falar assim dele.
A mulher revirou os olhos e sorriu.
 Acredito que a verdade deve ser dita e Gabe  um machista  sentenciou, acrescentando em seguida.  At voc concordaria comigo se visse uma ou duas de suas antigas
namoradas.
Sem querer continuar com aquela conversa, Kassandra franziu as sobrancelhas.
A senhora encarou-a com astcia.
 Voc conheceu alguma das antigas namoradas de Gabe?
Kassandra acenou positivamente com a cabea.
 Terrveis, no eram?
 Eu no diria terrveis  Kassandra comeou, tentando encontrar algo positivo para dizer das namoradas de Gabe, mas interrompeu-se quando um pensamento passou por
sua cabea.
A mulher dissera que Gabe nunca levara namorada alguma para a Gergia, e que Kassandra era a primeira que visitava aquela casa. Logo, uma empregada jamais poderia
conhecer as namoradas dele.
Ao mesmo tempo em que pensou naquilo, Kassandra chegou  concluso de que a av de Gabe poderia conhecer alguma de suas namoradas, em funo de suas visitas a Pensilvnia.
Desorientada, ela sentou-se na cama.
Antes que Kassandra dissesse algo, a porta do quarto se abriu.
 Pelo amor de Deus!  Gabe suspirou, empurrando o cercado com as pernas enquanto carregava vrias malas com as mos.  Estou surpreso de voce no ter trazido tambm
o tapete de seu quarto.
Ele olhou para Kassandra e, em seguida, seguiu o olhar dela para encontrar sua av sentada na poltrona prxima  janela, carregando em seus braos Candy, ainda adormecida.
 Vov!
 No me venha com bajulaes  a mulher censurou-o fazendo um sinal para que Kassandra entregasse o beb e erguendo-se.  Voc vai ter de me explicar que histria
 essa de ficar bravo com sua namorada s porque ela no quer perder o primeiro Natal de sua filha.
Surpreso, Gabe olhou para Kassandra. Ela estava com os olhos muito abertos, e seu rosto estava branco como cera. Estava claro que cara em uma das arma#dilhas de
sua av. Gabe sorriu.
 No fiquei bravo por ela no querer perder o primeiro Natal de Candy  ele explicou.  E sim porque no queria atrapalhar seu feriado, trazendo aqui uma criana
quando a senhora j no est mais acostumada com isso.
 No tente me enganar. Mesmo que eu no soubesse de nada, perceberia o que voc est fazendo com Kassandra assim que visse a forma como trouxe a bagagem de Candy.
A velha senhora deu um longo suspiro, o que fez lembrar-se do motivo daquela viagem. Seu objetivo era passar algum tempo com sua av antes que ela morresse. Seria
um tempo feliz, tranqilo...
 Pea desculpas  a mulher ordenou simplesmente.
Sem hesitar, Gabe virou-se para Kassandra.
 Sinto muito  ele disse com sinceridade, admitindo para si mesmo que a criana que dormia nos braos de Kassandra no era to ruim. Um pouco ba#rulhenta, talvez,
mas no ruim.  Fui injusto com ela  acrescentou, avanando na direo de Kassan#dra, se inclinando sobre ela, roando levemente seus lbios nos dela. Seu movimento
foi to inesperado que Kassandra no se moveu, e Gabe notou com surpresa um arrepio percorrer todo seu corpo.
Dizendo a si mesmo que fazia aquilo por sua av, pegou Candy dos braos da me e colocou-a gentilmente na cama. Em seguida, segurou nos braos de Kassandra e fez
com que ela se levantasse, enlaando-a pela cintura. Seus lbios encobriram os dela, no de uma maneira rpida e impensada, mas demoradamente e com um propsito
bem determinado.
Gabe gostava de imaginar que havia uma explicao para tudo, e uma vez que ele encontrasse aquela ex#plicao nada poderia afet-lo.
Mas mesmo que houvesse comeado a beijar Kas#sandra com a firme determinao de provar a si mesmo que aquele arrepio involuntrio no significava nada, ele comeou
a sentir-se confuso.
Havia algo naquele beijo, um gosto ao mesmo tempo suave e picante, que fez com que esquecesse sua de#terminao. Se sua av no houvesse pigarreado de forma estratgica,
trazendo-o de volta  realidade, Gabe no sabia como poderia terminar aquilo.
Tentando agir naturalmente, ele afastou-se um pou#co vendo nos olhos de Kassandra a mesma confuso que sentira. Tambm pde perceber um brilho de de#sejo naquele
olhar, e concluiu que aquele brilho talvez fosse um reflexo de seus prprios olhos.
 Bem, gostei de ver que um machista como voc finalmente encontrou uma mulher de verdade  a av de Gabe comentou, encarando Kassandra em se#guida.  Eu sou Emmalee,
mas voc pode me chamar de Emma, se preferir.
 Obrigada  Kassandra respondeu polidamente, tentando no aparentar que seu corao estava to  disparado que poderia sair pela boca.
Kassandra no tivera muitos namorados, mas possua experincia o suficiente para saber que um beijo como aquele que Gabe lhe dera no podia ser classificado como
simples. Era como pular de um avio, uma mistura de excitao e contentamento, seguida por minutos de com#pleto prazer. Felizmente, ela era sbia o suficiente para
saber que no deveria entregar-se quelas sensaes, pois corria o risco de espatifar-se no cho.
Emmalee comeou a caminhar em direo  porta, mas parou no meio do quarto e dirigiu um olhar decidido para seu neto.
 Gabe, mais uma coisa. Espero que voc no pretenda dormir no mesmo quarto que o beb.
Ele sorriu.
 Sempre tomamos muito cuidado com os sentimentos de Candy, e tambm me preocupo com os seus. Conheo suas regras e esta casa  sua, por isso no se preocupe. Ns
respeitaremos sua vontade.
 Bom menino  elogiou, saindo em seguida do quarto. Ele caminhou at a porta, fechando-a com a chave virando-se para encarar Kassandra.
Bem, pelo menos com uma coisa no teremos de se preocupar  ele comemorou.  Graas a Deus ningum vai nos perguntar por que no dormimos juntos.
Kassandra desviou seu olhar, abaixando a cabea, embaraada.
 Graas a Deus.
 No que voc devesse se preocupar por dormir no mesmo quarto que eu. Voc pode confiar em mim.  ele continuou falando, como quisesse convenc-la de que era confivel.
Kassandra sorriu feliz por no ter que se preocupar com aquele problema.
 Eu sei que posso confiar em voc, Gabe.
Ele tambm sorriu. Um sorriso espontneo, lindo. Em seguida, virou-se e colocou a mo na maaneta, abrindo a porta. Certamente estava feliz por haver convencido
Kassandra de que era confivel. Assim, s precisava convencer a si mesmo.
Estava aliviado por no ter de passar vrias horas no mesmo quarto que Kassandra, enquanto ela usava uma simples camisola. Saber que ela estaria ali a poucos passos
e lembrar-se do que sentira naquele momento sem poder toc-la seria uma verdadeira tortura. Com aqueles pensamentos na cabea, Gabe dirigiu-se para seu quarto, para
tomar uma ducha gelada.
        Bem gelada.

CAPTULO IV

Kassandra ainda no estava vestida quando Gabe bateu na porta de seu quarto na hora do jantar. Ela atendeu a porta, equi#librando-se sobre o sapato direito e colocando
os brincos simultaneamente.
 Voc est atrasada  ele comentou, observando que ela ainda vestia um robe de banho.
 Desculpe-me, mas Candy dormiu at agora h pouco, e toda me sabe que no deve se vestir antes de arrumar seu beb.
Sentada dentro do cercado, Candy riu para Gabe.
Mesmo que no tivesse a mnima idia do porqu uma me nunca devia vestir-se antes de arrumar seu filho, ele concordou.
 Acho que voc est certa.
Aturdido, ele ficou parado no meio do quarto, sem saber que fazer. No poderia ficar esperando no corredor en#quanto ela se vestisse, sob o risco de serem desmascarados.
Mas tambm no se sentia bem por estar ali.
Kassandra resolveu a situao, pegando seu vestido e indo para o banheiro para terminar de se arrumar.
 Sabe Gabe, estive pensando que quanto mais sim#ples for a nossa histria, mais fcil ser mant-la ela comentou.  S precisamos combinar alguns detalhes bsicos.
Por exemplo, quando comeamos a nos encon#trar, quando ficamos noivos, como voc conheceu Candy.
 Tudo bem  ele concordou, sentando-se na cama enquanto observava a bela garotinha de olhos castanhos. Candy estava com um vestidinho de listras vermelhas e brancas,
e, em sua cabea, Kassandra colocara uma tiara decorada com o mesmo padro do vestido.
 J disse a sua av que moramos no mesmo prdio  Kassandra informou.
Gabe sorriu.
 Ela a acusou de estar comigo apenas por causa do meu dinheiro?
Colocando a cabea para fora do banheiro, Kassan#dra encarou Gabe.
 Quase. S que fui mais rpida.
 Boa garota  Gabe elogiou ainda sorrindo, e encarando-o. Kassandra voltou a entrar no banheiro. Gabe olhou pura Candy novamente. Falando palavras incompreen#sveis
para si mesma, a menininha se divertia, brincando com alguns bonecos de plstico.  Kassandra tinha razo. Seria mais fcil manter toda aquela farsa se no complicassem
demais a histria.
Apoiando o rosto nas mos, Gabe fechou os olhos enquanto massageava as tmporas. No gostava de mentir para seus parentes, mas no tivera escolha. Precisava continuar
enredado nas prprias mentiras, pelo menos por mais algum tempo, para no causar maior sofrimento para sua famlia.
Ele abriu os olhos e encontrou Candy encarando-o de maneira inquisidora. Quando a menina percebeu que ele abrira os olhos, soltou uma gostosa e conta#dante risada,
revelando os dentinhos.
 Acho que podemos falar para sua av que Candy nasceu de um outro relacionamento que tive, antes de conhec-lo  Kassandra sugeriu, interrompendo os pensamentos
de Gabe.
 Meus pais podem aceitar essa histria, mas no sei se minha av ir aceit-la  Gabe observou com honestidade.
 Voc est sugerindo que devemos dizer que Candy  sua filha?  Kassandra perguntou com incredulidade, colocando a cabea novamente para fora do banheiro.
Gabe balanou a cabea, como se quisesse afastar tal pensamento.
 No, no precisamos ir to longe. Supostamente, estamos nos encontrando h cerca de quatro meses.
 Ento a minha histria est perfeita, e bastante simples  Kassandra decidiu, voltando para o banhei#ro.  Se sua av perguntar sobre o pai de Candy, posso dizer
a verdade para ela.
Gabe olhou novamente para o cercado, e Candy levantou os braos para ele, sorrindo.
Levantando-se, ele inclinou-se sobre o cercado.
 Venha, vou segurar voc um pouco para me acos#tumar com isso  Gabe avisou, tirando-a do cercado.
Mas Candy j parecia acostumada. Sem desviar os olhos de Gabe, ela pousou as mozinhas sobre seus braos musculosos, perfeitamente acomodada.
 Algum j lhe disse que voc  muito amigvel?  Gabe perguntou sem desviar o olhar daquela simptica garotinha.
 Ela ainda no sente medo de nada  Kassandra informou, do banheiro.  Espere um ou dois meses. Pelo que li, logo Candy vai passar por uma fase de timidez, e pode
ser que no fique  vontade nem com meus pais.
Ainda olhando para Gabe, Candy levou uma das mos  boca, e passou a sug-la. Ele no tinha certeza se a menina estava confortvel, por isso resolveu in#clin-la
um pouco, deixando-a quase deitada. Candy no pareceu importar-se com a posio, pois daquela forma podia estudar as feies de Gabe atentamente.
 Seus pais costumam ajud-la com o beb?  ele perguntou, sem conseguir conter a curiosidade.
 Sempre. No sei o que faria sem eles  Kassan#dra respondeu, ainda do banheiro.
 Estou muito surpreso  Gabe revelou, pensando em seguida que podia ser mal-interpretado.  Estou surpreso no bom sentido, no me entenda mal. Meu Deus, Kassandra!
Casais normais j tm problemas para criar seus filhos hoje em dia, imagine uma mulher sozinha. Deve ser muito complicado.
 Voc no conhece nem metade da histria  ela revelou, saindo do banheiro.
Usava um vestido de corte reto e discreto na cor vermelha, que combinava perfeitamente com a roupa de Candy. Seus espessos cabelos loiros estavam soltos formando
uma onda sobre os ombros. Alm disso, usava uma maquiagem suave, apenas o suficiente para ressaltar seus traos delicados.
Gabe pensou em elogi-la, dizer que estava bonita e conteve. Principalmente porque ela no era seu tipo de mulher. Costumava sair apenas com mulheres dispostas a
aceitar seu jeito de ser.
E Kassandra no era assim. Possuia uma estranha combinao de sofisticao, inteligncia e decoro. Se real#mente estivesem noivos, ela faria questo de uma relao
de companhemsmo e cumplicidade. Mas aquele noivado no era real. Ambos tinham personalidade forte, e quando voltassem para a Pensilvnia era muito provvel que comeassem
a se enfrentar novamente. Engolindo o elogio, sorriu para a intrigante mulher a sua frente.
 Quer pega-la?  ele perguntou em tom de splica.
Estendendo desajeitadamente Candy na direo de Kassandra.
Kassandra sorriu.
 Voc precisa aprender a fazer isso  instruiu levantando Candy com suavidade, fazendo com que ela ficasse mais confortvel nos braos de Gabe.
 Agora est melhor?
 Com certeza  Gabe concordou.
Podia sentir o perfume de Kassandra, o que fez com que se lembrasse do beijo daquela tarde. Tinha espe#rana de hav-lo apagado da mente, mas bastou aquele aroma
suave para que tudo voltasse, com ainda mais intensidade.
Sentiu novamente o impulso esquisito e inesperado, a mesma sensao que acreditava ser exclusiva da ju#ventude. Era algo muito profundo e forte para se sentir por
uma mulher que conhecera h poucos dias. Alis, nem poderia dizer que a conhecia realmente, pois nun#ca haviam tido uma conversa que no acabasse em discusso.
 Acho que  melhor voc descer as escadas segu#rando Candy  Kassandra sugeriu, caminhando para a porta.  Quando chegarmos l embaixo, voc a en#trega para mim.
Dessa forma, todos vo acreditar que est perfeitamente acostumado  menina, e s a en#tregou a mim porque j a carregara o suficiente.
 Parece lgico  Gabe concordou.
Kassandra falava e tentava ocultar quanto a apa#rncia de Gabe a surpreendera. Ele estava lindssimo. Usava um terno com caimento perfeito, que o deixava incrivelmente
sexy.
Enquanto o admirava lembrou-se da forma como o beijara naquela tarde, e ento percebeu que estava ruborizada. Ruborizada! Uma mulher com uma filha e que ainda ficava
ruborizada com um simples beijo. No com o beijo, mas sim com a lembrana dele. Estava perdendo o juzo.
Para que Gabe no pudesse ver sua face, ela desceu as escadas primeiro. Quando chegaram  sala de jan#tar, fizeram exatamente o que haviam planejado, e Kassandra
apanhou Candy com naturalidade. Mas nem precisavam ter se preocupado tanto. Assim que entraram no aposento, os parentes de Gabe se ofereceram de maneira efusiva
para segurar a criana, an#tes mesmo de serem apresentados formalmente.
Gabe apresentou-os rapidamente, j prximos da mesa. Seus pais eram Sam e Loretta, os dois com apro#ximadamente cinqenta anos, mas extremamente sau#dveis. Sua
av, Emmalee, era uma senhora mida e elegante, principalmente quando no queria parecer uma empregada,  claro.
Todos no lugar pareciam estar to felizes com a pre#sena de Candy que nem se preocupavam em conhecer a origem.
 Emma nos contou que voc tinha um beb  Loretta comentou, encantada.  Ela no  linda, Sam?
Candy soltou uma risada marota, o que fez Kassan#dra morder levemente o lbio para conter o mais genuno sorriso de orgulho materno.
 Vocs vo mim-la  avisou, rindo.
 Avs foram feitos para mimar bebs  Sam argumentou, avanando um passo e tirando Candy dos braos de Kassandra.
 Coloque-a no cadeiro, Sam  Loretta instruiu, entretanto tudo o que ele fez foi sorrir e balanar a cabea.
 Bebs no comem salada, ento vou segur-la enquanto vocs comem.
 Tudo bem, mas depois eu vou dar de comer para ela  Loretta avisou.
 Voc cuida das ervilhas e de toda a comida # Emma decidiu.  E ento eu dou o sorvete para Candy, assim ela vai gostar mais de mim.
 Tenho certeza de que ela vai gostar de todos  Gabe interferiu, puxando uma cadeira para Kassandra, sentando-se a seu lado.  Se ela gostou de mim, vai gostar
de qualquer um.
  meio chocante v-lo com um beb, Gabe  Loretta revelou com honestidade.  Um choque agra#dvel, mas mesmo assim um choque.
 No  s isso  Emma falou.  Kassandra tam#bm no  nem um pouco parecida com as outras mu#lheres com quem Gabe costumava sair. No  vulgar, nem arrogante,
e sabe se vestir. Acho que nossas preces foram atendidas, Loretta.
Lorett olhou rapidamente para Kassandra; piscan#do em seguida.
 Sabe Emma, acho que voc est certa.
 Eu agradeceria se vocs no falassem de mim como se eu no estivesse aqui  Gabe murmurou.
 Fazemos isso desde que voc era do tamanho de Candy, Gabe. Acho que  tarde para mudarmos Emma observou, divertida.  Passe-me um pozinho.
 Estamos dizendo a verdade  a velha senhor continuou, enquanto repartia o po e passava mantei#ga.  Kassandra  a mulher que sempre esperamos encontrar quando
fazamos aquelas visitas-surpresa  Pensilvnia. Na verdade, estou muito feliz.
Quando se preparava para a viagem, Gabe j ima#ginara que teria de passar por aquele tormento. Mas estava disposto a fazer o que fosse preciso nas trs semanas seguintes
para manter aquela farsa. Tudo. Absolutamente tudo.
  por isso que acho que vocs tm de se casar enquanto ainda estiverem aqui  Emma opinou.
Se Gabe estivesse bebendo algo naquele momento, pro#vavelmente engasgaria de forma dramtica. Kassandra, por sua vez, reagiu com naturalidade  sugesto.
 No podemos, Emma  disse gentilmente, segu#rando na mo de Gabe.
Agradecido, ele enroscou seus dedos nos dela, pressionando-os com suavidade.  Ain#da tenho mais dezoito meses de escola.
 Dezoito meses de escola?  Sam perguntou en#quanto dava a volta por trs da cadeira de Emma, ainda segurando Candy em seus braos.
 Sim  Kassandra confirmou.  Estou estudando para ser professora.
 Professora...  Gabe comentou, incrdulo, logo porcebendo o erro que cometera. Mas no pde se con#sertar. Da forma como ela o enfrentava, sempre recitando leis
e regulamentos, poderia jurar que ela estudava pura se tornar uma advogada.   uma escolha ma#ravilhosa, j que Kassandra adora crianas  ele ter#minou, rezando
para que ningum houvesse percebido sua falha.
 Isso ns j percebemos  Emma concordou, le#vantando-se de sua cadeira.
Sem pedir permisso ou dizer qualquer palavra, ela tomou Candy dos braos de Sam.
 Basta ver como sua garotinha  feliz e bem-cuidada,  Como se houvesse entendido o que ouvira, Candy ergueu a cabea, fitando Emma com ateno e olhando de maneira
encantadora.  Que amor! Ela  to doce...  a anci interrompeu-se abruptamente. Olhou detidamente para Candy, virando-se para olhar com ateno para Gabe em seguida,
e finalmente voltando a examinar Candy.
Todos na sala de jantar ficaram em silncio, enquanto Gabe sentia que chegara o momento que mais temera desde que chegara: como explicar a existncia de Candy para
sua av? Pelo olhar de Emma, sabia que ela estava imaginando que a menina era sua filha. Kassandra j lhe fornecera uma resposta para utilizar nesse caso. Era s
dizer que Candy era filha de um antigo namorado da me. Mas Gabe duvidava de que a av acreditasse naquela explicao, por mais que fosse verdadeira.
 Sabe Gabe, Candy  muito parecida com voc  Emma observou, sorrindo.
Ele suspirou profundamente.
 Ela no  minha filha, vov. Candy  fruto de um antigo relacionamento de Kassandra.
 Oh, no importa!  Emma desdenhou.  O que estou dizendo  que Candy parece tanto com voc que pode perfeitamente fazer parte de sua famlia, quando tiver uma,
 claro  ela acrescentou matreramente.
         Voc pretende adot-la?
 Sim  Gabe confirmou, olhando rapidamente para Kassandra para ver como ela reagia. Logo percebeu que ela no iria contradiz-lo, mas tampouco ajud-lo. Teria de
enfrentar a situao sozinho.
 Muito bem. Uma criana precisa de segurana  Emma declarou.  Mas  claro que no preciso explicar-lhe isto, querida  acrescentou, sorrindo para Kassandra.
Sabiamente, ela limitou-se a retribuir o sorriso, fazendo um gesto de concordncia com a cabea. No contradizer as opinies de Emmalee era a melhor, for#ma de conquist-la,
e Kassandra estava no caminho certo. Agia muito diferente de qualquer uma das antigas namoradas de Gabe.
 Tambm acho essencial que todos tenham o mesmo sobrenome em nossa famlia. Ento, quando voc adot-la, Candy receber seu sobrenome.
Apesar de achar aquela idia totalmente ultrapas#sada, Gabe conteve um suspiro de exasperao. Kassandra, por sua vez, sorriu mais uma vez.
 Oh, meu Deus! Talvez precisemos pensar melhor. Se ela ficar com seu nome, ser Candy Cayne  Emma comentou, rindo folgadamente.
 No  lindo?  Loretta brincou, Sam Gabe e Kassandra estremeceram.
 Parece um nome de striper  Sam murmurou, balanando a cabea.
Kassandra contemporizou.
 Temos de lembrar do que ela pode passar na escola, sofrendo com as brincadeiras dos colegas. # Ela virou-se e sorriu para Gabe.  Precisamos pensar melhor nisso.
 Tambm acho melhor  Sam concordou, ao mes#mo tempo em que a empregada entrava na sala para comear a servir o jantar.
Emma entregou Candy para Loretta, que a colocou em seu cadeiro.
 Quero saber mais sobre seus estudos, Kassandra.
Voc estuda em perodo integral?
 Meio-perodo. No tenho dinheiro para estudar em perodo integral.
Sentando-se novamente, Emma sorriu com astcia.  Um motivo a mais para vocs se casarem o quanto antes. Assim voc poder se dedicar melhor aos estu#dos, pois Gabe
poder pag-los para voc.
Inesperadamente, Kassandra riu.
 Parece ilgico? Estou estudando para conseguir minha independncia financeira, e a senhora sugere que eu me case para consegui-l...
 S estou dizendo o que me parece certo  Emma argumentou com alguma afetao.  No meu tempo...
Do cadeiro, Candy gritou com animao, fazendo Lo#retta, Sam e Emma olharem para ela imediatamente.
 Ela s est meio ansiosa  Kassandra esclareceu indicando com a cabea o prato de comida que estava na mo de Loretta.  Quer que voc a sirva mais rapidamente,
pois deve estar com fome.
 E eu aqui, conversando  Loretta recriminou-se.
 Ento, vamos comer, queridinha.
Gabe ficou observando aquela cena, admirado com a alegria de sua me enquanto alimentava e brincava com Candy ao mesmo tempo. H muito tempo no a via to feliz.
 D a ela um pouco de ervilhas  Sam instruiu.
Chamando a ateno de Gabe. Tambm nunca vira seu pai agir daquela forma. Nem sabia que ele gostava de crianas...
 No se preocupe, querida, voc no vai esperar quando eu lhe der a sobremesa  Emma avisou a garotinha, que deu um gritinho de felicidade por ser o centro das
atenes.
Gabe estava transtornado. Com um simples grito, aquela criana fizera sua av esquecer a conversa sobre casamento. Havia feito aquilo de forma rpida e perfeita.
To perfeita que Emma estava com a ateno totalmente voltada para Candy.
Gabe relaxou. Tudo daria certo. Ele sabia que tudo daria certo. Tudo o que tinha de fazer era ficar algum tempo sozinho com Kassandra naquela noite, para que pudessem
combinar mais alguns detalhes de sua histria.
E ele sabia exatamente o que fazer para ficar sozinho com Kassandra.

CAPTULO V

Quando Gabe anunciou que iria ao cinema com Kassandra, seus pais se ofereceram prontamente para tomar conta de Candy. Mas o que mais o surpreendeu foi o fato de
sua av tambm colocar-se  disposio para cuidar da menina. Candy realmente conquistara toda sua famlia.
 Vivi com minha av durante vinte e dois anos. Acho que sou um dos poucos que conhecem todas suas manias.
Mesmo na penumbra do carro, Gabe pde ver que Kassandra sorria.
 Ela  realmente muito astuta.
 Fingir que  uma criada  uma velha estratgia dela. Acho que sempre veste aquele vestido azul-marinho quando quer aplicar esse truque. Se eu houvesse me lembrado,
poderia ter lhe avisado que ela costuma fazer isso.  Gabe suspirou profundamente.  Infelizmente, toda a agitao de nossa viagem me deixou em estado ele choque,
ento no consegui raciocinar direito. Mas agora estou bem, e podemos planejar melhor o que fazer.
 No acredito no que estou ouvindo!  Kassandra exclamou, sorrindo com incredulidade.
 Como assim?
 Estou tentando lhe dizer a mesma coisa desde que descemos do avio, mas voc no me deu ateno. Isso s prova que voc no ouviu nada do que eu disse.
Gabe ergueu as sobrancelhas, surpreso. Era a ltima coisa que esperava que Kassandra dissesse. Mas como explicar que no prestara ateno em nada do que ela dissera,
porque estava preocupado demais, tentando esquecer as emoes contraditrias que sentia? Como explicar que tudo ficara ainda pior depois do beijo daquela tarde?
Aquele era o problema. Na verdade, um grande problema.
O que o deixava preocupado no era o encontro com a famlia, mas sim a atrao irresistvel que sentia por aquela mulher. Eles tinham personalidades total#mente
diferentes. Eram apenas dois vizinhos belige#rantes. Mesmo que aquela estranha qumica estivesse deixando-o louco, teria de se controlar.
 Tudo bem, desculpe-me  ele pediu. Desculpar-se era melhor do que admitir que estava totalmente dis#trado por causa dela.  O fato  que temos toda a noite para
ns. Voc pode me contar a histria de sua vida, e eu lhe conto a minha. Assim, vamos convencer meus pais e minha av de que estamos realmente noivos.
 Parece bom para mim.
 Ento estamos combinados.
Um estranho silncio abateu-se sobre o carro, at que Gabe finalmente falou.  Voc comea.
Kassandra negou com um gesto de cabea.  No, voc comea.
 Est bem  ele concordou.  Cresci com meus pais e meus avs. Logo, podemos dizer que fui um pouco mimado.
Parando um momento para pensar no que diria em seguida, Gabe olhou para Kassandra e viu que ela estava com um soniso de quem pensa que sabe de tudo.
 No fui mimado no mau sentido, apenas bem cuidado  ele acrescentou.
 Voc foi mimado, Gabe, admita. No  crime al#gum. Ser mimado  at uma sorte.
 Bem, posso at ter sido mimado, mas tudo isso acabou no momento em que minha famlia mudou-se para a Gergia. Dez minutos depois que eles foram embora, os diretores
de minha empresa resolveram que era hora de me derrubar.  Ele interrompeu-se e deu uma risada de desdm.  Logo descobri que eles s eram gentis comigo por causa
de minha famlia.
Gabe parou o carro no estacionamento de um pequeno restaurante.
 Podemos conversar ali  ele sugeriu, apontando para o local.
 Em seguida, desceu do carro. Kassandra decidiu que no deveria esperar que ele abrisse a porta para ela. Afinal, no eram noivos, apenas cmplices. No podia se
acostumar  gentileza dele, a seu carro bonito, ou  vida luxuosa que estava experimentando, pois aquele sonho tmha data para acabar, trs de janeiro.
Gabe a esperara na frente do carro, e ento os dois caminharam juntos at o restaurante. Sentaram-se em um lugar nos fundos do salo, em uma rea reservada e bastante
silenciosa, e depois de pedirem dois cafs voltaram a conversar.
 O que pode ter acontecido de to ruim depois que voc assumiu a empresa de sua famlia?  Kas#sandra perguntou.
 Sei por que voc est to ctica  Gabe admitiu rindo.  Nem eu mesmo poderia imaginar que teria tantos problemas. Quero dizer, eu conhecia a maioria daquelas
pessoas havia muitos anos. Muitos deles ha#viam trabalhado comigo durante os seis anos em que eu estava me preparando. No pude acreditar quando percebi que no
podia solicitar nem uma caneta sem ser questionado.
 O que aconteceu?
 Passei os primeiros seis meses tentando fazer tudo o que queriam que eu fizesse, querendo deixar todo mundo feliz, e tentando me convencer de que eles ainda gostavam
de mim. At que um dia minha av chegou para uma de suas visitas-surpresa, e um dos executivos-jnior da empresa fez questo de me hu#milhar na frente dela. No dia
seguinte, Emma voltou para a Gergia sem dizer uma palavra, e eu fui trabalhar louco de raiva.
Kassandra no conseguiu conter uma risada.
  difcil de imaginar essa situao.
Gabe sorriu com amargura ao lembrar-se do episdio.  Pode acreditar. O mais engraado  que eu estava trabalhando para agradar pessoas que, teoricamente, deveriam
estar me agradando; e isso comeou a prejudicar a empresa. No que estivssemos perdendo di#nheiro seria necessria uma catstrofe mundial para que o Grupo Cayne
fosse atingido. Mas tambm no estvamos crescendo.
Aquelas lembranas ainda o entristeciam.
 Eu tinha planos que no conseguiria implementar se no retomasse o controle, e foi o que fiz. Em duas horas demiti trs chefes de departamento e promovi alguns
assistentes administrativos. E desde que fiz isso no tive mais problemas.
Kassandra estudou o rosto de Gabe em silncio.
Depois de alguns segundos, ela balanou a cabea, inconformada.
 Tudo bem, eu desisto. Por que voc promoveu assistentes administrativos para cargos de confiana?
Gabe sorriu. Era um sorriso incrivelmente sexy.  S para agitar um pouco as coisas.
Kassandra sentiu sua pulsao acelerar-se, em uma reao imediata quele sorriso. Sentiu o calor tomar conta de seu corpo, e comeou a rezar para que seu rosto no
ficasse ruborizado.
Uma coisa era certa: quando Gabe Cayne dizia que queria agitar um pouco as coisas, sabia exatamente o que fazer. Como um homem podia afet-la tanto com um simples
sorriso? Ela precisava se controlar.
 J lhe contei minha histria, agora  sua vez #ele pediu, com um tom amistoso.
Kassandra sorriu timidamente.
 Bem, nunca fiz nada to bombstico como demitir todo o primeiro escalo de uma corporao gigante. Mi#nha histria  bastante comum. Sou a caula de cinco irmos.
No ingressei na faculdade logo aps o trmino do colgio porque no sabiam muito bem o que fazer, e meu pai no tinha condies de pagar meus estudos enquanto eu
ainda no sabia minha real vocao.
Gabe deu um sorriso compreensivo.  Faz sentido.
 Comecei a trabalhar como garonete em um restaurante, e um dia meu chefe comentou que eu tinha muito jeito com as crianas que atendia. Analisando melhor o assunto,
conclu que ele estava certo, e decidi que queria ser professora. O resto da histria  muito previsvel.
Gabe permaneceu calado por um momento, olhando para sua xcara de caf. Ento ergueu a cabea, e en#carou Kassandra fixamente.
 Presumo que Candy no se inclui na parte pre#visvel da histria  ele observou com cuidado.
 Claro que no. Candy  a coisa mais importante de minha vida. Ela  at mais importante do que minha carreira.
 Ainda bem  Gabe comentou, sem desviar de Kassandra seu olhar perscrutador.
Ela percebeu que a resposta no o satisfizera.  Voc no acredita em mim?
 No  nada disso. Acredito em voc.
 Ento o que h de errado?
 Ser que vou ter de explicar?
Kassandra abaixou seu olhar at sua xcara de caf.
 No.
Sabia sobre o que ele estava falando, mas sentia-se incrivelmente desconfortvel. No porque achasse que fizera algo errado, mas porque o fato mais notvel de sua
vida fora a deciso de ser me solteira.
 Se voc acha embaraoso falar sobre isso, podemos deixar esse assunto para depois...
 No  embaraoso.  a minha vida. Minha vida pequena e tediosa.
Durante trinta segundos, Gabe encarou Kassandra em silncio. Estudava seu rosto, seus cabelos e seus olhos. At que finalmente voltou a falar.
 Depende de como voc examina a situao. Voc est fazendo o que quer fazer?
Aps considerar a questo por um momento, ela as#sentiu com um gesto de cabea.
 Sim.
 Assumindo todas suas responsabilidades?
Ela assentiu novamente.  Sim.
 Cumprindo as metas que se props a cumprir?
Kassandra sorriu timidamente.  Sim.
 Ento sua vida no  tediosa,  muito importante.  Gabe concluiu, tomando um gole de seu caf. 
Fale-me sobre Candy  pediu.
Finalmente mais descontrada, Kassandra pde fa#lar com franqueza.
 Comecei a sair com o pai de Candy quando ainda estava no colgio.
 Vocs ficaram juntos por oito anos?  ele per#guntou, incrdulo.
Ela sorriu.
 Na verdade foram seis. E esse foi o motivo porque no me casei com Jeff. Se voc namora com uma pessoa por seis anos e em momento algum pensa em se casar com ela,
nem mesmo um beb pode mudar sua opinio.
Gabe ponderou a questo por um momento, e ento sorriu.
 Voc est certa. Nunca havia pensado dessa forma. Enquanto ele falava, Kassandra comeou a sentir-se estranha. Ali estava ela, conversando civilizadamente com
Gabe Cayne. O mesmo homem que quisera esga#nar muitas vezes nos ltimos meses. E ele estava con#cordando com ela.
Os dois terminaram seus cafs conversando anima#damente sobre todos os detalhes que consideravam dig#nos de nota em suas vidas, e finalmente deixaram o restaurante.
A noite estava quente, e o cu, sem nu#vens, coberto de estrelas.
 Como estar o tempo na Pensilvnia?  Kas#sandra perguntou, rindo.
 Quem se importa?  Gabe devolveu a pergunta, colocando casualmente sua mo sobre o ombro dela.
Kassandra estremeceu de imediato.
 Voc tem que se acostumar com isso, Kassie.  Em vez de deix-la livre, ele puxou-a para mas perto de si.
 No h ningum aqui, por isso acho que no precisamos representar.
 Isso a incomoda muito?
No. Na verdade, no incomodava nem um pouco.
Parecia perfeitamente natural. Estranha e maravilho#samente certo.
Ela ficou intrigada. Na semana anterior estava com vontade de esganar Gabe Cayne, e naquela noite cons#iderava sua companhia agradvel, contara-lhe at segredos
que jamais revelara a algum. E agora cami#nhava abraada com ele.
 Vou abrir a porta para voc  ele avisou quando chegaram perto do carro.  Nenhum ator chega  Broadway sem alguns ensaios, ento vamos encarar tudo isso como
um grande ensaio.
Aceitando seu argumento lgico, Kassandra no s deixou que Gabe abrisse a porta do carro, como no protestou quando, j em casa, ele fez questo de acom#panh-la
at seu quarto.
 Qual  seu quarto?  Kassandra perguntou com suavidade quando pararam em frente a sua porta. Vire  esquerda no final do corredor, v at o fim do prximo e meu
quarto fica  direita.
 Essa casa parece um labirinto.
Ele sorriu.
  um labirinto.
Como a noite j terminara, Gabe no sabia muito bem como se despedir. Aquilo no era um encontro. Os dois no eram sequer amigos. Atualmente, no eram nada. Um beijo
estava fora de cogitao. Um aperto de mo parecia absurdo. Mas tambm no acha#va certo simplesmente virar-se e ir embora.
Infelizmente, Emmalee sabia exatamente como aquela noite deveria terminar. Ela abriu a porta do quarto de Kassandra e saiu para o corredor, fechando a porta atrs
de si.
 Beije-a logo  Emma ordenou, passando entre os dois.  E no ouse entrar neste quarto. Lembrem-se de que estou alerta. No fiquei a noite inteira embalando aquela
garotinha para que vocs a acordem agora.
 Candy teve problemas para dormir?  Kassandra perguntou, alarmada.
 No, querida. Fiz isso porque gosto de embal-la.
Voc vai ver como ela vai sair mimada desta casa #Emma avisou, rindo ao mesmo tempo em que tinha um pequeno acesso de tosse. Mas quando parou de tossir, ela encarou
Gabe com exasperao.
 Vamos, beije-a. Assim ns podemos ir para a cama dormir.

CAPTULO VI

Gabe no hesitou por mais do que trs segundos, mas lhe pareceu uma eternidade.
Olhou para os lbios rosados de Kassandra enquanto ela passava levemente a lngua sobre eles. Ento seus olhares se encontraram, e uma torrente de sensaes tomou
conta de Gabe. Perdido naqueles belos olhos verdes, ele sentiu a excitao do beijo anterior voltando com toda sua fora.
Gabe concluiu que beij-la novamente seria como atirar uma bola para algum que estava se afogando. E tambm lembrou-se de que se no a beijasse logo e com paixo,
sua av iria desconfiar de algo.
Ele colocou as mos sobre os ombros de Kassandra, mas logo lembrou-se de que um casal de namorados tinham maior intimidade, ento deixou suas mos escorregarem pelas
costas dela, passando por sua cintura e finalmente parando na suave curva de seus quadris Os olhos de Kassandra arregalaram-se um pouco mas ela manteve a compostura,
e deu um passo na direo de Gabe, colocando as mos em seus ombros
Com os rostos muito prximos, os dois se observaram por um momento, com uma estranha combinao de curiosidade e expectativa. Instintivamente Gabe percebeu que Kassandra
esperava pela mesma coisa que ele. Queria saber se a excitao daquele primeiro beijo fora motivada pelo ato inesperado ou se realmente exis#tia alguma qumica entre
ambos.
Os lbios dos dois se tocaram de forma hesitante, mas fagulhas de eletricidade pareceram sair de seus corpos quando aquilo aconteceu. Puxando-a pela cintura, Gabe
fez com que Kassandra se aproximasse mais, e pressio#nou fortemente seus lbios contra os dela. Com um pe#queno gemido, os dois fecharam os olhos.
Por um longo momento, Gabe sentiu-se entorpecido, deixando que uma sensao de euforia tomasse conta de seu corpo. Esqueceu-se completamente da razo en#quanto deixava
suas mos passearem pelas costas de Kassandra, passando dos quadris a cintura, subindo um pouco e voltando a descer. Por um lado, fazia aquilo porque sua av estava
observando, mas tambm por#que estava gostando, e muito, daquele beijo, e sabia que poderia interromp-lo a qualquer momento.
Lentamente, ele se afastou um pouco, no sem antes acariciar as costas de Kassandra mais uma vez, e mais uma vez sentir o, gosto de sua boca, de seus, lbios suaves
e carnudos. Ento Gabe deu um passo para trs, suspirando profundamente.
"Bem, est confirmado", ele pensou. O que existia entre os dois era a mais pura qumica.
 Boa noite  ele disse, com uma voz profunda e sensual.
 Boa noite  Kassandra sussurrou em resposta.
 E boa noite para vocs dois  Emmalee despe#diu-se exasperada.  Vamos logo, Gabriel Alan. Depois desse beijo voc vai precisar de um banho frio, e tam#bm precisar
de uma boa noite de sono, porque ama#nh vai s compras com trs mulheres e um beb.
Gabe parou abruptamente, assustado.  Eu no vou fazer compras com vocs.
 Claro que vai, querido  Emma confirmou calmamente.  Afinal de contas, algum tem de empur#rar o carrinho do beb.
Depois de visitar trs Papais Nois de lojas de de#partamento, Gabe estava impaciente. No s porque Kassandra parecia gostar daquilo, mas tambm por#que, aparentemente,
o beijo da noite anterior no sig#nificara nada para ela.
"No que tenha significado algo para mim", fez ques#tao de lembrar a si mesmo rapidamente, enquanto ob#servava Emma e Loretta fazendo papel de tolas s para provocar
risadas em Candy. Em meio a essa con#fuso, Kassandra parecia to calma, tranqila.
Na noite anterior Gabe sentira coisas que no sentia desde que era um adolescente, e ainda assim Kassandra no aparentava estar nem um pouco abalada. Na verdade,
ela parecia at mais bonita.
No que estivesse achando Kassandra atraente. No estava. Ele tinha as coisas sob controle. No a achava atraente porque no gostava dela.  No que no gostara,
nos ltmos meses, aquela mulher havia transformado sua vida em um inferno. At a semana anterior, ela era a ltima pessoa no mundo com quem Gabe gos#taria de conversar.
Era impensvel, para ele, manter a amizade e muito menos deixar que aquela estranha rea#o qumica o dominasse, atrapalhando sua vida.
Kassandra era sua arquiinimiga. Chamara a polcia muitas vezes s para prejudic-lo e ainda no conseguia deixar de admirar sua calma, docilidade e absoluto autocontrole.
Frustrado, Gabe afastou-se, empurrando o carrinho na esperana de livrar-se daquela sensao e, que a esquecesse de uma vez.
Era preciso esperar mais duas semanas e seis dias e ento eles poderiam voltar a se odiar normalmente.
 Sabe, Gabe, estou preocupada...  Loretta comeou a dizer, enquanto saa da loja, carregando Can#dy no colo.
 Sua preocupao  saber onde vai colocar todas essas fotos de Candy no colo do Papai Noel?  ele indagou, sorrindo.
Sua me balanou a cabea, em um gesto que re#velava sua contrariedade.
 No. Tenho vrios lugares para deixar essas fotos at o Natal, e depois do Ano Novo darei uma para voc, uma para Kassandra, e uma para... Ai, meu Deus! Kas#sandra,
querida...  Loretta virou-se, chamando Kassan#dra, que naquele momento ajudava Emma a descer uma pequena escada para sair da loja.  Serque sua me gostaria de
ter uma foto de Candy com o Papai Noel?
 Nossa!  Kassandra exclamou, com ar culpado.  Quase me esqueci de minha me.
Loretta virou-se para Gabe, batendo levemente em seu brao.
 Vamos encontrar outro Papai Noel  instruiu, j procurando mais uma loja.
 Ah, no, me!  Gabe recusou-se energicamen#te.  No vou procurar outro Papai Noel. Definiti#vamente no.
 Tudo bem, no se preocupe. Eu e sua av vamos procurar sozinhas.
Esperto demais para cair naquela chantagem emo#cional, Gabe permaneceu firme.
 Podemos nos encontrar aqui em meia hora #sua me sugeriu, sorrindo.  Isso lhe dar tempo mais do que suficiente para procurar Arnold.
 Arnold?
 Seu amigo, Arnold Feinburg. O joalheiro, lembra-se? Gabe ficou encarando sua me por alguns segundos, sem entender.
 Pensei que fosse o papai que sempre lhe dava jias de presente no Natal.
 Ele d  Loretta confirmou calmamente, com aquele olhar que sempre usava quando queria que Gabe captasse o que estava dizendo nas entrelinhas.
Mas Gabe no estava com pacincia para aquele tipo de jogo, e suspirou, exasperado.
 Ento por que eu tenho de visitar Arnold?
 Porque ns ainda no vimos um anel de diamante no dedo de Kassandra, seu tolo  Emma respondeu, levantando a mo direita de Kassandra na altura do rosto de Gabe.
Gabe quis gritar de desespero, mas ele fez isso ape#nas em pensamento, enquanto mantinha um sorriso amarelo em seus lbios.
 Ser que no passou pela cabea de ningum que h uma boa razo para eu ainda no ter dado um unel para Kassandra?
 Na verdade, at pensei nisso  Emma confirmou. E se voc vai dar o anel para ela como presente de Natal, acho que nem precisa se preocupar com outros presentes.
 Vov, a senhora sabe mesmo acabar com qualquer surpresa  Gabe criticou, fingindo estar indignado.  Ento voc admite que vai dar o anel para ela no Natal?
 Eu no admito nada.
 Meu Deus!  Emma exasperou-se, virando-se para ajudar Loretta a colocar Candy no carrinho.  Quem ser que esse menino puxou para ser assim, Loretta? Certamente
no foi nem a mim nem ao Clyde. O pai dele tambm no  assim, e voc gasta dinheiro com mais rapidez do que as aes da companhia sobem na bolsa. Por que ser que
ele  assim?
Gabe ficou parado, escutando o dilogo at que as duas se afastaram empurrando o carrinho, e ento virou-se para Kassandra.
 Desculpe-me  Gabe pediu, notando que mais uma vez estava sendo gentil com ela.
 Eu  que devo me desculpar  Kassandra corrigiu parada ao lado dele, observando as duas senhoras se afastarem com o beb.  Deveria ter pensado no de#talhe do
anel. No sei porque no me lembrei.
 Bem, vamos  Gabe pediu, segurando com gen#tileza no cotovelo de Kassandra e indicando para ela a direo da loja de Arnold.  Vamos comprar o anel.
 Mas...
 Eu insinuei para minha av que iria lhe dar um anel no Natal; ento preciso compr-lo para no pa#recer um idiota. E tambm vou lhe comprar alguns outros presentes,
para que ela no me chame de ava#rento de novo. Mas ter de me ajudar a escolher o que voc gosta.
Kassandra virou-se para encar-lo.
 Mas eu no quero ficar com os presentes!
 Acho que no ficaria bem eu sair por a usando blusas e perfumes femininos.
 Voc no tem alguma conhecida para quem possa d-los?  Kassandra perguntou, parecendo horroriza#da com a idia de ter de aceitar presentes to caros e pessoais.
Aquela reao fez Gabe perder sua compostura.
 Na verdade, tenho  ele respondeu, tentando se controlar.
No conseguia entender aquilo. Por que ficara com tanta raiva por ela no querer ficar com seus presentes?
Kassandra ainda mostrava-se relutante em ajudar naquela escolha.
 Ento vamos. Ajude-me a escolher bons perfumes franceses, um par de brincos de diamante e... deixe-me ver... alguma roupa transparente, vermelha, e bem provocante.
Algo que se parea mais com o tipo de mulher que eu gosto.
Gabe observou satisfeito o rosto de Kassandra ficar completamente corado.
 No vou abrir um pacote com uma roupa vulgar na frente de sua famlia  ela avisou.
Ele sorriu.
 Voc no vai precisar. Esse presente eu vou deixar guardado na minha mala.

CAPTULO VII

Enquanto Kassandra vestia-se para o caf da manh da tera-feira, ainda lem#brava-se com raiva da camisola vulgar que Gabe com#prara. Imaginou como seriam as mulheres
com as quais ele saa e que eram capazes de usar algo to ridculo. J haviam se passado alguns dias, e ela ainda no conseguira esquecer o episdio da loja.

O que a deixara com raiva era o fato de ter sido usada por ele. Ambos sabiam que a maioria das mu#lheres com quem ele saa eram mais altas do que Kas#sandra, mas
mesmo assim Gabe colocara a longa e transparente camisola vermelha na frente dela, como se quisesse ver como ela ficaria.
Kassandra ficou to embaraada que saiu da loja apressada, e passou algum tempo andando sozinha.
Kassandra acariciou o rosto de Candy. Olhando para o sorriso encantador da filha, recriminou-se por no estar lhe dando ateno suficiente nos ltimos dias, enquanto
preocupava-se com as atitudes de Gabe. Mas, enfim, os pais e a av dele estavam paparicando tanto a menina que ela j estava se tornando mimada.
Igualzinha a Gabe...
Kassandra balanou a cabea, afastando a idia da cabea. No iria pensar nele novamente. J ocupara mui#to de seu tempo pensando nele e na camisola vermelha.
Recriminou-se com firmeza. Nunca se sentira assim por algum, e o fato de Gabe t-la feito sentir-se tola na loja no justificava tanta preocupao. Talvez ti#vesse
de considerar sentimentos como atrao, inte#resse e talvez at cime envolvendo os dois.
Mas aquelas coisas no existiam. No podiam exis#tir. No s porque aquela farsa terminaria no exato instante em que entrassem no avio de Gabe rumo  Pensilvnia,
mas tambm pelo fato de que os dois eram completamente opostos. Duas pessoas que no podiam sequer viver no mesmo prdio sem brigar. Definitiva#mente, aqueles sentimentos
no podiam existir!
 Esto prontas para o caf?  Emma perguntou depois de abrir a porta do quarto e entrar sem a menor cerimnia.
 Tentamos fazer o melhor.
 Oh, Candy est linda hoje!
Kassandra deu uma risada.  Voc diz isso todos os dias.
 Bem, mas ela est.
 Emma, Candy s est usando um suter de l e uma simples cala jeans.
 No deixe que o fabricante desse jeans oua o que voc diz  Emma avisou, levantando Candy da cama.  Alm disso, se considerarmos o preo desta cala, veremos
que ela no  simples como aparenta.
Kassandra mordeu levemente seu lbio inferior.  Na verdade, Emma, eu gostaria de falar com voc sobre isso.
 Sobre o qu?  a anci perguntou inocentemente.
 Sobre o dinheiro que voc e Loretta esto gastando com Candy  Kassandra respondeu com cui#dado.  Veja bem, eu sei que  divertido enfeitar um beb. Existem roupas
maravilhosas para eles, e cada vez que voc entra em uma loja fica tentada a comprar tudo o que v. Mesmo assim, acho que vocs j com#praram coisas demais.
 V se acostumando  Emma avisou casualmente.
 Voc no espera que eu ou Loretta nos cansemos disso. Essa garotinha agora faz parte de nossa vida, mas tudo passa to depressa que s vezes parece que o tempo
no foi suficiente.  Segurando Candy no colo, ela sorriu para Kassandra.  Alm disso, qual  a graa de ter uma criana se no podemos mim-la?
Kassandra estava prestes a fazer outra tentativa, quando lembrou-se de que s ficaria naquela casa por mais duas semanas e dois dias. Obrigar Emma a parar de dar
presentes para Candy poderia levantar suspeitas.
Pensando nisso, ela limitou-se a sorrir.  Voc no pode dizer que no tentei.
 Querida, posso dizer tudo o que quiser  Emma observou, dando uma risada e virando-se em direo  porta.  Tenho quase oitenta anos e estou muito doente. No
tenho mais nada a perder.  J no cor#redor, a senhora voltou-se para olhar novamente para Kassandra.  Seja esperta, e lembre-se sempre disso  acrescentou, virando-se
novamente e caminhando em direo  escada.
Confusa com o que acabara de ouvir, Kassandra no a seguiu imediatamente. Sua intuio lhe dizia que Emma estava querendo lhe dar um aviso. Lembran#do-se de toda
a conversa, ela concluiu que a av de Gabe desconfiava de algo.
Kassandra suspirou. Ser que ela descobrira que o noivado era falso?
Saindo para o corredor, viu que Loretta se aproxi#mava de Emma, tirando Candy de seus braos para que anci pudesse se apoiar no corrimo para descer as escadas.
Aliviada por ver que sua presena no era necessria, Kassandra virou-se para o outro lado e caminhou rapidamente para o quarto de Gabe. Precisava falar com ele
quanto antes.
Achou o quarto com facilidade e bateu duas vezes na porta. Mas, temendo que algum pudesse passar por ali, vendo-a esperar do lado de fora, Kassandra abriu a porta
e entrou cuidadosamente.
 Gabe?  ela chamou hesitante, olhando ao redor.
 Gabe  repetiu, caminhando para o centro do quarto. Ele no respondeu, mas Kassandra distraiu-se por um momento, encantada pela decorao do ambiente.
A cama era imensa, com quatro colunas e uma colcha com um estampado discreto, em cores escuras. As cor#tinas da janela combinavam com o padro da colcha, e todo
o quarto exalava uma atmosfera clssica e, ao mesmo tempo, aconchegante. Kassandra examinou tudo e interessou-se por um armrio com porta de vi#dro, onde estavam
guardados alguns trofus.
Ela olhou novamente ao redor, para certificar-se de que Gabe no estava realmente l, e ento caminhou at o armrio, abrindo suas portas. Vrios trofus eram das
ligas infantis, mas muitas medalhas e trofus atestavam que ele continuara jogando futebol at a faculdade.
 Eu estava prestes a fazer um teste para me pro#fissionalizar, mas meu av morreu no meu ltimo ano de faculdade, e tive de tomar meu lugar nos negcios da famlia.
Kassandra colocou a mo sobre o peito e encarou-o assustada.
 Pelo amor de Deus, Gabe, voc quer que eu tenha um ataque do corao?
 Imagihei que voc estivesse curiosa para conhecer meu quarto, ento resolvi deixar voc entrar e dar uma olhada.
 Eu no estou curiosa. Quero dizer eu no estava curiosa  Kassandra admitiu, pois ela certamente es#tava muito curiosa naquele momento. No somente por perceber
que toda aquela proteo que Gabe re#cebera de sua famlia era uma faca de dois gumes, como por descobrir que ele era to dedicado a sua fa#mlia que havia deixado
de lado um sonho de juventude s para assumir suas responsabilidades.
 No foi por isso que vim at aqui  ela recomeou.  Vim para v-lo.
Gabe sorriu, e seus olhos castanhos brilharam estranhamente.
 Que interessante...
  mesmo, terrivelmente interessante  ela con#firmou, fingindo no perceber aquele olhar.  Acho que Emma est desconfiando de algo.
 No; no est, porque seno ela no tena com#prado aquele jeans caro para Candy.
 Mas foi justamente quando conversvamos so#bre os presentes caros que percebi que ela suspeita de algo.
Gabe franziu as sobrancelhas.  O que ela disse?
No foi o que ela disse, mas a forma como tentou me fazer cair em contradio.
 Faz sentido, pois esse  o modo como Emma costuma agir.
 O que voc acha que devemos fazer?
Ele pensou por um momento, ento sorriu com ar matreiro.
 J sei como vamos peg-la. Vou falar com meus pais, e pedir para anunciar oficialmente nosso noivado durante sua festa anual de Natal.
 Eles fazem uma festa anual de Natal?
 Apenas duzentos convidados, s os amigos mais chegados.
 Me parece bastante ntima  ela comentou, chocada.
  mesmo  Gabe confirmou com simplicidade, virando-se para o armrio e pegando um trofu para examin-lo melhor.  Vou dizer que aquela discusso de outro dia
sobre o anel de noivado acabou com minha surpresa. Ento tive que lhe contar que planejava en#tregar-lhe o anel na festa de Natal, e agora decidimos fazer um anncio
oficial...
 Ns no compramos o anel naquele dia  ela o lembrou.
 No fizemos isso porque voc saiu correndo da loja quando lhe mostrei aquela camisola, e depois no consegui encontr-la. Mas no importa. Vamos esco#lher um diamante
imenso, e Emma no ter mais por que duvidar de nosso noivado.
Kassandra arregalou os olhos. Os dois sabiam que precisavam de um anel de noivado. Mas Kassandra no pensara no custa daquilo at que Gabe dissesse a palavra imenso.
 Gabe, talvez seja melhor escolhermos um dia#mante belo e discreto, no imenso.
 Prefiro imenso. Minha av tambm. Um anel bem vistoso vai content-la.
  o que voc vai fazer com esse diamante imenso quando voltarmos para a Pensilvnia?
Ele sorriu.
 Acalme-se  tranqilizou-a. Depois de olhar mais um momento para o trofu que tinha nas mos, guardou-o no armrio, fechando a porta em seguida. Segurando Kas#sandra
pelos ombros, encaminhou-a para a porta de sada .  Pegaremos o anel na loja de Arnold Feinburg, e eu o devolverei para ele quando, sairmos da cidade. Afinal de
contas, amigos servem para essas coisas.
No desejando prolongar aquele contato fisico por mais tempo que o necessrio, Kassandra afastou-se de Gabe assim que chegaram no corredor, andando a sua frente
para no terem de conversar. Ainda assim, ela o esperou quando chegou no ltimo degrau da escada, para no levantar suspeita alguma.
 Muito bem  ele comentou; como se fosse  di#retor de um filme.  Sorria. Vamos fingir que estamos gostando muito disso.
Kassandra meneou a cabea diante de tanto cinismo, mas, quando entraram na sala de jantar, ela sorria candidamente.
 Candy j comeu sua papinha  Loretta informou.
Olhando para o babador lambuzado, Kassandra sorriu.  Percebi.
 Onde estavam vocs dois?  Emma perguntou com um olhar desconfiado.
Gabe respondeu "me vestindo" no mesmo instante em que Kassandra disse "conversando", o que fez com que ela corasse, furiosa. Por sorte, ficar embaraados por causa
daquele tipo de mentira s fazia com que os dois aparentassem estar querendo ficar um pouco a ss, o que era muito natural para um casal de noivos.
 No importa  Loretta desconversou, voltando seu olhar para Kassandra.  Emma, Sam e eu vamos decorar a rvore hoje, e gostaramos muito que Candy nos ajudasse.
 Eu tambm adoraria ajud-los!  Kassandra re#velou, percebendo que aquele era o primeiro Natal em muitos ans que ela estava totalmente livre, sem ter de se preocupar
com trabalho.
 Voc no pode, querida  Gabe lembrou-a, co#locando a mo sobre seu ombro com naturalidade. Mais uma vez, Kassandra sentiu-se muito confortvel na#quela situao.
 Voc no se lembra de nosso com#promisso para hoje de manh?
 Que compromisso?  Emma perguntou, indig#nada.  O que pode ser mais importante do que de#corar a rvore com sua famlia?
 Vamos escolher o anel de noivado de Kassan#dra hoje.
Loretta engasgou, embora seu olhar brilhante indi        casse que estava satisfeita. Ela limitou-se a balanar a cabea com a notcia, mas Emma disse:
 J no era sem tempo
 Mame!  Sam repreende-a.  Voc est sendo um pouco intrometida.
 No acha que ningum pode se considerar comprometido sem um anel de noivado.
 Tambm pensamos assim  disse Gabe pu        xando Kassandra para mais perto de si.
Com o aroma dele, ela ficou desorientada por um momento. De forma que ficou abraada a Gabe no somente por estar, mas por estar gostando do aroma de sua colnia.
 Temos que ir escolher... E gostaria de pedir sua permisso porque gostaramos de na festa de Natal, no sbado, anunciar nosso noivado.
 Sbado?  Kassandra disse para Gabe.  Voc no...  repetiu olhando fixamente  disse no sbado? Voc havia me dito que a festa ...
Mas ningum ouviu, pois apesar do protesto Sam e Loretta j se aproximavam do casal para cumprimentar pelo noivado.
 Isso  maravilhoso!  Sam apertando a mo de Gabe com entusiasmo, comentou.
 Perfeito!  Loretta emendou com os olhos cheios de lgrimas, abraando os dois.  Tenho que tomar milhares de providncias.
 Por que?  Gabe perguntou  S vamos anunciar nosso noivado. No queremos dar nenhum trabalho. No pensei que isso fosse lhe dar trabalho extra, me.
 Mas  claro que d  Loretta comentou sorrindo.  Em primeiro lugar  uma festa... segundo o anncio do noivado de meu nico filho. Preciso convidar pelo menos
mais umas cinqenta pessoas que preciso convidar para essa ocasio. Alm disso, eu e seu pai temos de lhes comprar alguns presentes de noivado...
 No precisa se preocupar, me  Gabe comeou, mas foi interrompido por Kassandra que observando o olhar suspeito de Emma, resolveu salvar a situao.
 Gabe, no atrapalhe a felicidade de sua me  #ela repreendeu-o, virando-se para beij-lo no rosto.
 Adoraria acompanh-la quando for comprar seu ves#tido Loretta  acrescentou com felicidade.  Para lhe dizer a verdade, tambm quero comprar algo novo para mim.
 Ento est combinado!  Loretta , exclamou, esfuziante.  Vocs vo comprar o anel hoje, e amanh iremos at as boas lojas da cidade para escolher nossos vestidos.
 Tambm quero um vestido novo  Emma comentou, levantando-se da cadeira.  Pretendo usar um de seda vermelha, e com um decote bem grande nas costas.
 Acho que a senhora deixaria os vizinhos escandalizados se usasse algo assim, mame  Sam observou, fazendo com que ela se sentasse, novamente.
 Mas ningum vai sair daqui enquanto no tomar o caf da manh, por isso sugiro que vocs voltem para seus lugares.  disse Emma ocultando sua felicidade.

CAPTULO VIII

Gabe retirou do mostrurio um anel de diamantes mais chamativo que bonito.
Kassandra colocou-o em seu dedo, surpreendeu-se com o peso e o brilho da jia, que deveria ter pelo menos quatro quilates, e fez uma careta para Arnold Fein#burg,
tirando-a rapidamente.
 Eu jamais usaria uma jia dessas.
 Mas esse  exatamente o tipo de anel que eu daria para uma mulher por quem estivesse apaixonado.
  por isso que voc vive se metendo em encrenca  Kassandra acusou-o, fazendo um gesto para Arnold trazer outro mostrurio, de anis com diamantes bonitos e discretos.
 Voc tem um gosto bastante duvidoso, Gabe, mas sua av jamais acreditaria que eu seria capaz de escolher um anel desses  argumentou, indicando  monstruosidade
que Gabe escolhera.  Mas sua av com certeza adoraria qualquer um desses aqui .
 Ela est certa, Gabe  Arnold observou, sorrindo para o amigo.  E sua av  a mulher que voc quer agradar, no se esquea disso;
 Tudo bem  Gabe concordou com m vontade.
 Qual desses voc escolheria?
 Esse aqui  Kassandra respondeu sem hesitar, retirando um anel com um diamante menor, com um desenho delicado e de extremo bom gosto.
 Excelente escolha  Arnold elogiou.  E ele vai ficar muito bonito em sua mo.
Gabe pegou o anel para examin-lo mais atentamente.  Nada mal  ele admitiu com relutncia.  No  pequeno o suficiente para minha av me condenar pela economia,
e  discreto sem deixar de ser luxuoso.   lindo  Kassandra corrigiu-o  Emma vai ador-lo.
 Voc tem certeza?  Gabe perguntou, ainda no totalmente convencido.
 Coloque-o no dedo de Kassandra, Gabe  Arnold instruiu.  Voc vai ver como temos razo.
Gabe fez o que Arnold sugeriu. Pegou a mo de Kassandra delicadamente, colocando o anel no dedo anular. Quando terminou, levantou a cabea e viu que Kassandra estava
olhando para ele. Ela o estudava, como se quisesse compreend-lo melhor.
Era um olhar profundo e perigoso, como se ela o estivesse vendo pela primeira vez... e no a pessoa que ele fingia ser, ou que todos esperavam que fosse. Provavelmente
ela agia assim porque ele mudara de opinio rapidamente em relao ao anel, e aquilo era uma coisa que nunca fizera.         .
Ele abaixou a cabea, olhando novamente para a mo de Kassandra. O anel parecia ter sido feito para aqueles dedos longos e finos.         .
  maravilhoso  ele admitiu com um murmrio, percebendo pela primeira vez que a mo de Kassandra era suave e morna.
Combinado com o olhar que ela lhe dirigia, tudo aquilo fez Gabe sentir-se subitamente nervoso. Ansio#so. Precisava sair logo dali.
 Vamos levar esse anel, Arnold  declarou deci#dido, soltando a mo de Kassandra e levantando-se.  Voc pode embrulh-lo para mim?
 Claro.
 Obrigado. Devolveremos o anel no dia trs de Janeiro. Quando estivermos a caminho do aeroporto, passaremos por aqui.
 Como voc quiser, Gabe, no estou preocupado  Arnold tranqilizou-o, tambm se levantando.
Quando os dois sairam da joalheria, Gabe olhou para o relgio, ainda pensativo. Passavam quinze minutos das dez horas. Ele suspirou.
 Temos algum tempo ainda  comentou, impaciente. A ltima pessoa com quem gostaria de estar naquele momento era Kassandra. E no porque no gostasse dela, mas exatamente
porque gostava dela, ou pelo menos estava comeando a gostar.
Com ar indiferente, Kassandra olhou em volta.
 Voc j comprou os presentes para seus pais e sua av?
Ele balanou a cabea, em um gesto negativo.  No. Normalmente espero at o ltimo dia.
 Bem, neste ano podemos mudar um pouco as coisas  Kassandra anunciou, pegando no brao de Gabe.  Vamos comprar os presentes hoje. Eu ajudo voc.
Subitamente Gabe sentiu a ansiedade e o nervosismo voltarem. Sabia que no queria fazer aquilo. At gostava de ser ajudado quando fazia compras, mas era esquisito
ser ajudado por ela. Principalmente porque escolher presentes era uma coisa muito ntima, pes#soal. Percebera aquilo no dia em que haviam comprado os falsos presentes
de Natal. Mesmo sem querer, os dois estavam comeando a se conhecer melhor. E aquilo no era bom. Definitivamente, no.         .
Mas no havia o que fazer. Eles ainda tinham mais trs horas livres. Por outro lado, Gabe no poda es#quecer que fora ele o responsvel pelo mal-estar do outro
dia, qundo colocara na frente de Kassandra a camisola sexy. Fizera aquilo para lembr-la de que os dois viviam em mundos diferentes.
Ele poderia fazer algo parecido novamente, se comeasse a se sentir ameaado. Na verdade, deveria entender que Kassandra estava apenas lhe oferecendo uma ajuda.
Assim, no haveria perigo.
Duas horas depois, carregando vrias sacolas, Gabe entrou em um restaurante ao lado de sua falsa noiva. Haviam passado uma manh muito agradvel juntos, escolhendo
presentes, brincando, e ele sabia que havia perdido o controle da situao. Principalmente porque sentia um estranho arrepio em sua espinha cada vez que Kassandra
chegava muito perto...
Estavam indo longe demais!
Eles precisavam aparentar intimidade apenas na frente de seus parentes. Gabe no queria complicaes e envolver-se com uma mulher como Kassandra, certamente seria
complicado.
Ela era to diferente das mulheres que conhecia...
Muito prtica e dinmica. Uma mulher que no hesi#tara com a possibilidade de ser me solteira, mesmo diante de todos os problemas que teria de enfrentar. E que
certamente jamais se envolveria com um homem como ele. Um homem mimado e superprotegido, como ela gostava de dizer.
Quando os dois voltassem para a Pensilvnia, cada um seguiria sua vida normalmente, separadamente, como se aquele feriado no houvesse acontecido em suas vidas.
E a melhor forma de garantir que aquilo aconte#ceria era tentar reviver aquela antiga animosidade.
Um garom aproximou-se, anotou os pedidos e logo partiu. Kassandra sorriu amistosamente. para Gabe.
 Ento voc rejeitou ofertas para jogar futebol profissionalmente?
Convencido de que era melhor para ambos restabelecer a distncia em seu relacionamento, ele encarou-a com frieza.
 Desculpe-me, Kassandra, mas isso no  de sua conta.
Ela encarou-o desorientada.
 Oh! Eu no queria ser intrometida, desculpe-me...
 Mas voc  naturalmente intrometida Voc no tinha nada que bisbilhotar em meu quarto hoje de manh.
 Eu no estava bisbilhotando, eu ...
 Voc estava mexendo em minhas coisas, at abriu a porta de meu armrio de trofus. Isso para mim  bisbilhotar.
 Desculpe-me  Kassandra pediu mais uma vez com sinceridde, mas com um brilho de frieza no olhar como se estivesse arrependida por haver tentado ser simptica.
 Normalmente no fao coisas desse tipo. Mas posso dizer que ainda estou preocupada, porque preciso de umas informaes sobre voc. Sua av  mui#to esperta, e
se algum tem de cometer um erro, no quero que esse algum seja eu.
 Bem, vamos esclarecer as coisas  Gabe conside#rou, com um acento sarcstico na voz.  Mesmo que alguma coisa d errado por aqui, no importa por culpa de quem,
mesmo assim voc ir receber seu dinheiro.
Mordendo o lbio, Kassandra inspirou profunda#mente, tentando manter a calma. J haviam experi#mentado muitas sensaes juntos, na Gergia, mas seu relacionamento
voltara  estaca zero. E assim deveria ficar para maior segurana dos dois.
Gabe e Kassandra entraram no hall da casa e logo viram Sam e Loretta na sala de estar, decorando ani#madamente a rvore de Natal sob a superviso de Emma, que segurava
Candy no colo.
 Parece que vocs tiveram um dia produtivo  Loretta observou enquanto retirava uma guirlanda prateada de uma caixa e a entregava para Sam.
 Se tivemos!  Gabe confirmou animadamente.  Kassandra me ajudou a escolher os presentes. Acho que esse vai ser o primeiro Natal que vocs no vo trocar o que
vo ganhar.
 Ns nunca trcamos seus presentes, Gabe.  #Emma revelou, caminhando at a mesa e pegando um biscoito para entreg-lo para Candy.  Mesmo porque seria dificil
convencer os lojistas a aceitarem aquelas coisas de volta.
 Muito engraada  Gabe resmungou afetuosamente.
 Eu sei que sou  Emma concordou, e ento vi#rou-se para Kassandra, sorrindo.  Espero que voc no tenha se cansado demais hoje, querida, pois amanh temos de
ir comprar nossos vestidos.
Kassandra encarou-a por um momento, desorientada.
Alm de haver se esquecido do compromisso, tambm estranhava que Emma estivesse lhe tratando como se no desconfiasse de nada. Lembrando-se de que Gabe lhe avisara
que o anncio do noivado iria acabar com todas as dvidas de sua av, ela sorriu, aliviada.
 Nunca me canso de fazer compras.
 Assim  que se fala, garota  Loretta elogiou, dando um passo para trs para admirar melhor seu trabalho.  Acho que est bonito.
 Razovel  Emma resmungou. Kassandra riu diante daquela tpica cena familiar.  Bom, vou subir e colocar Candy para dormir, se ningum se incomodar.
 Ela est terminando de comer o biscoito, querida.  Emma argumentou.  Por que voc no sobe e vai guardando suas compras, e eu a levo em seguida?
 Tudo bem  Kassandra concordou, virando-se para, subir a escada.
Logo percebeu que Gabe a seguia, mas no se in#comodou, julgando que ele se dirigia para seu quarto. Mas quando Kassandra parou na frente de sua porta, Gabe tambm
parou, encarando-a.
 O que voc quer, Gabe?
 Quero falar com voc. A dentro  ele respondeu indicando o quarto com um leve aceno da cabea.
Ela suspirou.   importante?
 Muito.
Com uma expresso amuada, ela abriu a porta e entrou no quarto. Gabe a seguiu, colocando as sacolas sobre a cama e retirando seu casaco.
 Quanto voc acha que vai gastar com o vestido?  ele perguntou, enquanto fechava a porta.
 No tenho idia.
 Faa uma estimativa para eu poder lhe dar o dinheiro.
Kassandra empertigou-se e encarou Gabe com um olhar que poderia congelar at um esquim.  No quero seu dinheiro.
 Vamos l, aceite o dinheiro.
 J disse que no quero.
Gabe encarou-a com um brilho de sinceridade no olhar.  Escute, eu sei que voc no iria comprar um ves#tido de festa se no estivesse aqui, logo essa despesa tambm
 de minha responsabilidade.
 No se preocupe, pois pretendo comprar algo que possa usar no prximo Natal  Kassandra retrucou des#viando o olhar, pois sentiu que estava prestes a ser sim#ptica
com ele novamente, e seria louca se agisse assim.
Ele suspirou. Ela continuou a ignor-lo, tirando seu casaco eos sapatos.
 Kassie, as lojas que minha me freqenta so muito caras.
 Ento ela ter de ir a outras lojas comigo.
 Mesmo em outras lojas os vestidos podem ser bem caros.
 No se eu pedir um desconto.
 Voc no vai pechinchar na frente de minha me e de minha av!  Gabe explodiu, com raiva.
 Para usar uma frase sua, sr. Cayne, isso no  de sua conta.
  claro que  de minha conta  ele gritou, retirando um mao de notas de seu bolso e colocando-o sobre a penteadeira.  Use isso aqui!
Kassandra encarou-o furiosa.
 Se voc no tirar esse dinheiro de minha pen#teadeira agora, eu saio daqui ... e, quando digo que saio, quero dizer que volto para a Pensilvnia.
Gabe ficou imvel, olhando para Kassandra, que em#pinou o nariz e encarou -o com firmeza.
Por um longo momento, nenhum dos dois disse nada.
Ento, com um suspiro, Gabe pegou o dinheiro nova#mente, guardando-o no bolso. Quase simultaneamente, algum bateu na porta do quarto.
 Pode entrar  Kassandra falou sem pensar.
Emma abriu a porta hesitante, carregando Candy nos braos.
 Espero no ter interrompido nada  declarou, mas pelo tom de sua voz deixava bem claro que sabia que interrompera algo.
 No, no interrompeu nada  Kassandra tran#qilizou-a, completamente recuperada.  Gabe e eu estvamos tendo uma discusso sobre dinheiro. Ele quer pagar pelo
meu vestido de festa e eu quero man#ter minha independncia.
 Isso eu sei  Emma declarou calmamente, en#trando no quarto.  Pelo amor de Deus, pude ouvir vocs discutindo desde a escada.
Gabe e Kassandra se encararam em silncio. A mes#ma pergunta passava pela mente de ambos: qual parte da discusso Emma escutara?
Com um sorriso culpado, Gabe virou-se para Kassandra.
 Desculpe-me  pediu.
Ainda que Kassandra soubesse que Gabe estava apenas atuando para convencer sua av, desejou que ele es#tivesse realmente pedindo desculpas. No por causa do dinheiro
do vestido, mas pela forma fria como a tratara no restaurante. Justamente quando comeava a se con#vencer de que ele no era to mau quanto havia pensado, Gabe se
transformara no mesmo idiota de antes.
Percebeu que ele se aproximava para beij-la, e no havia o que fazer. Quando seus lbios se encontraram, toda sua lgica desapareceu. Gabe podia no estar apaixonado
por ela, mas Kassandra sabia que estava se apaixonando por ele. De forma ridiculamente sim#ples e rpida. Era por isso que havia se magoado tanto com o comentrio
frio dele. Mas a mgoa no diminua a sensao maravilhosa de estar sendo beijada por aquele homem.
  bem melhor assim, no?  Emma interrom#peu-os, para alvio de Kassandra.
Quando os dois se afastaram, Gabe a encarava fi#xamente, como se estivesse hipnotizado. Kassandra forou-se a se lembrar de que ele no gostava dela. Quando muito,
podia sentir alguma atrao, nada mais do que aquilo. Mas ele atuava muito bem na tentativa de convencer sua av.
  melhor voc lavar o rosto de Candy antes de coloc-la para dormir, pois ela est lambuzada, querida  Emma sugeriu, colocando a menina sobre a cama e dirigindo-se
para a porta.   bom ser independente, mas se eu fosse voc aceitaria o dinheiro.
Sem dizer mais nada, ela saiu, fechando a porta atrs de si.
 Est vendo? At minha av acha que voc deveria aceitar meu dinheiro  Gabe declarou com sincerida#de, sem desviar o olhar.
Por alguns segundos, Kassandra ficou hipnotizada por aquele olhar, mas ento as palavras que ele dissera no restaurante voltaram com toda a fora a sua mente.
 No, muito obrigada.
Ele abaixou a cabea e suspirou, vencido.
 Est bem  concordou, virando-se para a porta. Ela o chamou.
 Voc no precisa se preocupar, Gabe. Eu posso pechinchar, mas tenho bom gosto. No vou embaraa-lo.
Aparentemente, aquelas palavras conseguiram irrit-lo de novo, e Gabe saiu sem olhar para trs, batendo a porta do quarto atrs de si.

CAPTULO IX

Sentadas nas confortveis poltronas da sala de espera de uma sofisticada buti#que de Atlanta, Emma e Kassandra aguardavam en#quanto Loretta tentava escolher um vestido.
Inesperadamente, Emma virou-se para Kassandra.  No pude deixar de notar como voc e Gabe es#tavam furiosos ontem, durante a briga.
Iniersa em seus pensamentos, Kassandra a princpio no entendeu o que a av de Gabe falara, limitando-se a encar-la.
 Desculpe-me, mas o que disse?
 Disse que no pude deixar de notar como voc e Gabe estavam com raiva durante a briga de ontem.
Tentando minimizar a importncia na discusso, Kassandra sorriu.
  apenas qumica, Emma.
Emma encarou-a boquiaberta.  Qumica?
 Claro. Eu e Gabe somos muito diferentes, ainda que sintamos atrao um pelo outro  Kassandra ex#plicou casualmente.   por isso que brigamos tanto. So coisas
comuns em uma vida a dois... E foi assim que nos conhecemos.
Emma franziu as sobrancelhas.
 Vocs se conheceram durante uma briga?
 Candy acordou durante a noite com o barulho de uma das festas de Gabe  Kassandra contou, admirada com o fato de a verdade encaixar-se to perfeitamente naquela
histria.  Ento fui at o apartamento dele, para pedir que diminusse o volume do som.
 E ele viu como voc era maravilhosa e a con#vidou para participar da festa  Emma especulou com curiosidade.
 No exatamente.
Naquele momento, Loretta saiu do provador vestin#do um chamativo vestido rosa-choque, e desfilou na frente das duas.
 Esse modelo faz voc parecer gorda, querida.
#O comentrio de Emma, fez com que Loretta corresse novamente em direo ao provador.  Tente aquele vestido perolado  sugeriu.
Assim que Loretta desapareceu, Emma virou-se para Kassandra.
 Ento o que aconteceu, exatamente?  perguntou com uma expresso sria no rosto.
 Um dia minha sacola de compras rasgou bem na frente de Gabe, no corredor do prdio, e ele me ajudou a recolher as coisas. Foi quando prestamos ateno um no outro
pela primeira vez. Logo Gabe me convidou para sair, eu aceitei, e agora estamos aqui  Kassan#dra contou, convencida de que aquela histria, pelo menos em sua verso
reduzida, era bem romntica.  Hoje o que sentimos um pelo outro  verdadeiro e profundo, Emma. E mesmo que discutamos por moti#vos idiotas, como dinheiro, concordamos
em todas as coisas mais importantes.
 Como o qu?
Kassandra olhou fixamente para Emma.
 Voc quer dizer, em quais coisas concordamos? Emma confirmou.
 Sim, em quais coisas vocs concordam?
 Bem...  Kassandra comeou, inspirando pro#fundamente em seguida. Estivera to preocupada em escolher as partes que poderiam ser contadas de sua histria que nem
percebera o rumo ao qual Emma dirigira a conversa. Era melhor retornar a um assunto genrico.  Voc sabe. As coisas mais importantes.
 Como se voc deve terminar ou no seus estudos?   Emma perguntou.
 Sim. Gabe concorda comigo, e acha que devo me formar.  Kassandra respondeu, aliviada com a ajuda.   claro que se vocs concordam no que  mais importante, como
voc diz, isso significa que Gabe aprova a maneira como voc est criando Candy.
Kassandra sorriu.
  verdade. Concordamos tambm sobre isso.
 Isso  maravilhoso, querida  Emma elogiou com um tom evasivo, enquanto dirigia sua ateno nova#mente para o provador.  Gabe nos deixou preocupa#dos quando chegou
trazendo voc e Candy. Primeiro, porque voc  muito diferente das outras mulheres com quem ele saa. Depois, porque Gabe nunca se in#teressou por crianas. Tanto
eu como Loretta ficanos espantadas quando ele se ofereceu para cuidar do beb hoje, mas ficamos felizes.
Emma fez uma pausa, como se quisesse ter certeza de que Kassandra prestava ateno.
  possvel dizer muita coisa sobre uma relao quando voc v um homem cuidando de um beb que no  seu.  Com casualidade; Emma sorriu para Loretta, que saa
do provador.  Est lindo! Voc no acha, Kassandra?
Kassandra parecia perfeitamente controlada quando examinou o elegante vestido que Loretta usava, e con#cordou com a opinio de Emma, fazendo um leve aceno de cabea.
Mas, no ntimo, ela sentia suas emoes revirando-se em um turbilho.
Se Gabe no estivesse se dando bem com Candy, aquela farsa iria ser desmascarada com toda a certeza.
Gabe olhava fixamente para o retngulo de plstico e algodo como se quisesse desvend-lo. Virou-o em diversas posies, tentando decidir qual era a certa. No podia
pedir ajuda para Honey, a empregada. No depois de hav-la chamado por duas vezes sem a menor necessidade. Pensando bem, ela nem viria se fosse cha#mada. E agora
l estava ele, precisando trocar a fralda de Candy e sem saber como faz-lo.
Mas no seria vencido. Aquilo no podia ser to dificl1.
Bastava usar a lgica. E ele provaria que era capaz.
 No sou, Candy?  ele perguntou, recebendo uma risadinha encantadora como resposta.
Depois de virar a fralda mais algumas vezes, final#mente decidiu-se. Colocou-a por baixo do beb, pas#sando um dos lados para cima, e ento retirou a pro#teo das
fitas adesivas, prendendo-as com firmeza. Logo depois ergueu Candy no ar, para ver o resultado de seu trabalho. O lado de plstico estava para dentro, protegendo
as roupas da garota de qua1quer acidente. O algodo ficara para fora, macio e limpo.
 Est vendo? Eu no sou to idiota assim  ele comentou, triunfante, deitando Candy novamente so#bre a cama e terminando de vesti-la.
J na sala de estar, Gabe sentou-se no confortvel sof com motivos florais, e colocou Candy a seu lado. Em se#guida, retirou alguns papis de sua maleta e comeou
a analis-los. Mas, no exato instante em que se concentrava na leitura, Candy ergueu sua mo e puxou o papel.
 Oh, no, Candy  Gabe reclamou, levando o documento para longe do alcance da menina.  Voce no pode estragar esse papel, ele  muito importante   explicou racionalmente.
Candy balanou a cabea, e ento deu uma risada. Logo em seguida apoiou-se no brao de Gabe para se erguer, e esticou a mozinha em direo ao papel.
Gabe levantou ainda mais o brao.
 Isso no vai funcionar. Tenho de passar o contrato por fax para a companhia hoje  tarde, mas no vou conseguir se voc no me ajudar.  Ele olhou ao redor em
busca de inspirao.  Mas preciso ter certeza de que voc no vai se meter em encrenca alguma.
Candy sorriu e bateu palmas, feliz. Talvez ele pudesse...
Ao voltar das compras junto com as outras mulheres, Kassandra estava tensa. Sabia que, se houvesse acon#tecido algum desastre em sua ausncia, Emma perce#beria que
Gabe no tinha o menor jeito com crianas, descobrindo que aquele noivado era uma farsa.
Reconhecendo que a situao no era das melhores, Kassandra queria encontrar Gabe convenc-lo de que era melhor contar toda a verdade, antes que fossem descobertos.
Mas seria dificil falar sozinha com ele, pois Emma a seguia desde que haviam sado da loja, sem descanso.
Quando chegaram a casa, Kassandra pegou os pa#cotes que estavam nas mos de Emma, para que su#bissem as escadas.
Enquanto caminhavam para seus quartos, Kassan#dra sugeriu que Emma descansasse, o que lhe daria tempo para conversar com Gabe, mas ela recusou, di#zendo que preferia
ver Candy antes.
 Acho que eles esto na sala de estar  Emma sugeriu, animada.
Kassandra concordou com um aceno de cabea, e ento as duas se dirigiram para a confortvel sala onde a famlia Cayne costumava se reunir. Quando chegaram  porta
do aposento, ela parou, sem saber se chorava ou ria. Gabe estava estendido sobre o sof, lendo alguns papis, e aprisionava Candy na outra ex#tremidade, com seus
ps. Mas o beb no parecia se im#portar. Na verdade, Candy brincava sem parar com os ps de Gabe, puxando suas meias e gritando com alegria.
Kassandra prendeu a respirao. Tudo estava per#dido! Emma descobriria que Gabe nunca havia cuidado de uma criana, e encostaria os dois na parede.
Pronta para o confronto, ela encarou Emma, que no disse nada, apenas admirou a cena que tinha diante de si.
Percebendo a expresso chocada das duas, Gabe deu um sorriso acanhado.
 Achei que meus ps eram as nicas coisas com que ela poderia brincar sem se machucar aqui nesta sala.  Ele levantou os papis que tinha nas mos.  Esse contrato
chegou de manh, e tenho de dar uma resposta ainda hoje. No tive escolha.
 Estou vendo  Emma comentou, aparentemente aprovando a tcnica de Gabe diante das circunstncias.
Caminhando at o sof, ela pegou Candy no colo, mas logo pareceu horrorizada com o que via.
 O que  isso? A fralda dela est ao contrrio  acusou, puxando um pouco a cala do beb para que Kassandra visse.
 Est?  Kassandra perguntou, quase desmaiando.
 Est?  Gabe ecoou; confuso.
 Est!  Emma confirmou com frustrao, entregando Candy para Kassandra.  Estou me sentindo cansada. Se vocs me do licena, vou subir para meu quarto.
Kassandra sentiu-se subitamente culpada ao ver aquela simptica senhora to desapontada, ao mesmo tempo em que admirava sua elegncia, mesmo em um momento to crtico.
Assim que percebeu que ela j subira as escadas, virou-se para Gabe, encarando-o preocupada.
 Devamos ter vergonha por tentar enganar sua av  murmurou.  Vou contar toda a verdade para ela.
 Espere um minuto!  Gabe exclamou, pulando do sofa e se aproximando. Com naturalidade, ele pegou Candy dos braos da me e sorriu.  Sobre o que voc est falando?
 perguntou, enquanto a garotinha estendia os braos rechonchudos para abra-lo encostando a cabea em seu ombro.
O comportamento da filha desconcentrou Kassandra por um momento.
 Quando Candy acordou?  ela indagou, retirando uma mecha dos cabelos da menina da testa.
 Na verdade, ela nem dormiu  Gabe respondeu.
 Entao vamos dormir agora  Kassandra anunciou comeando a caminhar em direo ao hall.  Vamos coloc-la na cama, e ento vamos juntos contar toda a verdade para
sua av.
 Espere um pouco  Gabe pediu, conendo para colocar-se na frente de Kassandra, impedindo-a de sair.  Aconteceu alguma coisa que ainda no entendi, e no vamos
fazer nada antes que voc me explique.
 Ela sabe sobre ns!  Kassandra explodiu exas#perada com a tranqilidade daquele homem.
 PSlU!  Gabe silenciou-a.  No fale to alto. Vamos fechar a porta para conversar com mais calma.
Agitada, Kassandra concordou a contragosto, mas voltou a falar assim que a porta foi fechada.
 No sei o que Emma ouviu de nossa discusso ontem, mas foi o suficiente para que me fizesse uma srie de perguntas estranhas hoje. Quando me dei con#ta, estava
muito confusa.
 Mas por que voc no ficou quieta?  Kassandra revirou os olhos, impaciente.
 Eu tentei, mas ela  muito esperta.  Frustrada Kassandra silenciou-se por um momento.  Vamos encarar a verdade, Gabe. Tudo aconteceu muito rpido. No tivemos
tempo pra planejar bem nossa histria e fomos desmascarados.
 Voc acha que fomos descobertos, mas no pode ter certeza disso.
Ela suspirou.
 Gabe, sou esperta o suficiente para saber que sua av est desapontada. E quer saber o que  pior? Ela no est desapontada porque voc no est noivo, e sim porque
voc mentiu para ela.
 Exatamente  Gabe concordou, sentando-se no sof.
Pensamentos desordenados passavam por sua men#te em uma velocidade impressionante, mas ele s tinha uma certeza: no queria que sua av ficasse desapon#tada, e faria
qualquer coisa para v-la feliz.
 No posso dizer para ela que menti  ele confessou com um murmrio.
 Gabe, ela sabe  Kassandra insistiu suavemente.
 No  s desconfiana. Basta ver seu comportamen#to. E quanto mais longe levarmos essa mentira, mais desapontada ela ficar.
 No se tornarmos nossa histria convincente.
 No sei como consertar o estrago que j est feito.  Ento precisamos tomar uma atitude dramtica.
 Qual, por exemplo?
 No sei, algo que acabasse com as dvidas dela  Gabe observou, levantando-se e comeando a caminhar pela sala.  Que fizesse ela acreditar em ns.
Kassandra encarou-o sem certeza.
 Precisaramos de horas de explicao, Gabe. Ela ouviu nossa discusso. Percebeu que no sabemos nada um do outro. E viu que voc no  capaz sequer de trocar uma
fralda. Como ela vai acreditar que vamos nos casar?
Os olhos de Gabe brilharam repentinamente.
 Vamos marcar uma data  ele decidiu, sorrindo.  Vamos dizer que nos casamos no Natal.
Sem acreditar no que ouvia, Kassandra balanou a cabea, em um gesto de desespero.
 Ah, no! No mesmo!
 Por que no?  Gabe perguntou.  Tenho dois amigos, um  ministro e outro ator. O ministro pode nos casar, e depois, secretamente, anular o casamento ou o ator
pode fingir que nos casa. E no dia trs de Janeiro vamos embora para a Pensilvnia, to livres e desimpedidos como quando chegamos aqui.
 Voc est louco!
 No.  um plano muito simples.  perfeito.
 Comeamos com um falso noivado, e veja o que aconteceu, Gab.  Kassandra relembrou-o.  At aonde essa histria vai chegar? O que Emma vai dizer quando voc chegar
aqui sozinho para passar os festejos da Pscoa?
O olhar de Gabe nublou-se por um momento.
 Ns sabemos que minha av j no estar aqui na Pscoa.
Percebendo o leve tremor na voz de Gabe,         sentou-se no sof. Ele tinha razo; ela podia parecer forte, mas no estava bem. Entendia quanto tudo aquilo fazia
Gabe sofrer e por que ele a protegia tanto.
 Por favor  Gabe pediu, caminhando at ela e ajoelhando-se a sua frente.  Posso lhe dar tudo o que voc quiser, Kassandra. S no quero magoar minha v.
Ela umedeceu os lbios, encarando-o vencida.  Est bem  concordou com um murmrio. Mas vamos contratar o ator, no o ministro e quero sua palavra de que depois
vai contar toda a verdade para seus pais.
  Palavra de escoteiro  ele brincou, aliviado.
 E voce tem de me prometer que vamos trabalhar juntos daqui para frente. Chega de brigas.
 Concordo.
 Vamos ter que parecer mais felizes na frente de sua famlia.
 Voc est certa  ele comentou com cautela, m#as eu tambm tenho uma condio.
 Qual?
 Para convencer minha famlia de nossa felicidade, vamos ter que agir como um casal.
Entendendo o que ele estava querendo dizer, Kassandra piscou os olhos, aturdida.
 E...
 Temos que ficar mais tempo de mos dadas.
Ela concordou, acenando a cabea.  Tudo bem.
 Talvez precisemos nos abraar mais constantemente.
 Podemos fazer isso.
 E no podemos esquecer os beijos: precisamos nos beijar com maior constncia.
Kassandra estremeceu s de pensar em beij-lo. Mas Gabe estava certo, e ela concordou.
 Tudo bem, sem problema.
Eles se encararam em silncio por um momento, ento Gabe ergueu-se e pressionou levemente seus l#bios contra os dela.
Kassandra ficou desnorteada, pois sentiu que havia algo de real naquele beijo. Era como se Gabe quisesse agradecer pela ajuda que estava recebendo.
Lentamente, com relutncia, ele se afastou.
 Agora me explique como se troca uma fralda, para evitar maiores encrencas.
Suspirando, Kassandra concordou. Ainda hipnotiza#da pelo brilho profundo daqueles olhos castanhos, ela concluiu que o maior perigo naquela histria no era a possibilidade
de os dois serem descobertos, mas sim apaixonar-se por Gabe de verdade.

CAPTULO X

No jantar daquela noite, Gabe aguardou uma pausa na conversa e ento dirigiu-se para Loretta.
- Me, eu e Kassandra gostaramos repensasse a festa de Natal deste ano que a senhora...
Sem parar de alimentar Candy, Loretta olhou rapidamente para Gabe.
 Repensar nossa festa?
Gabe sorriu e passeou o olhar por todos na sala e Jantar.
  Bem, ns decidimos nos casar o mais rpido possvel, e a festa de Natal nos parece a oportunidade  perfeita.
 Mas faltam to poucos dias!
  por isso que quero a possibilidade que a senhora considere me deixar resolver alguns detalhes..
 Meu Deus!  Emma exclamou, cobrindo sua boca com os longos e finos dedos.  Vo mesmo se casar?
Loretta parou de alimentar Candy e encostou-se na cadeira, ao mesmo tempo em que Sam se erguia com um amplo sorriso nos lbios.
 Meus parabns!  cumprimentou o casal, caminhando em seguida at a porta da sala e chamando a empregada para trazer o champanhe.
A empregada sorriu e rapidamente voltou  cozinha.
 Temos tantas coisas para fazer  Loretta co#mentou, com o olhar perdido de quem planeja algo.  Acho que terei de cancelar nossa festa de Natal...
 Quando encomendar os convites para o casamento, pea poucos  Gabe sugeriu cautelosamente. #Ns gostaramos de um casamento simples e ntimo.
 Um casamento simples?  Loretta perguntou, engasgando.  Mas Gabe...
 ntimo, me.
 Ento no h razo para cancelar a festa  Emma opinou.  Podemos manter a festa de sbado, como planejado e marcar seu casamento para...
 O dia de Natal  Loretta decidiu.  Marcaremos para os convidados chegarem s onze e meia e pode#mos fazer a cerimnia  meia-noite. Podemos iluminar o salo com
velas e...
 Espere um minuto  Gabe interrompeu.  No queremos nada luxuoso.
 Vamos ouvir a opinio de Kassandra sobre isso.  Emma pediu, virando-se para encar-la.
 Para ser sincera, no quero nada grande, mas no me preocupo se for luxuoso  Kassandra arriscou sem certeza.
 Isso!  Loretta exultou, pulando de sua cadeira.
 Vamos s compras amanh.  Virando-se para a av de Gabe, ela sorriu.  Emma, voc vai conosco.
 Voc tem dvida? Vou para a cama agora mesmo, s para ter certeza de que estarei bem-disposta ama#nh  Emma declarou, comeando a se levantar.
 Mas voc ainda no tomou o champanhe  Sam protestou.
 Eu no preciso, querido. Essa notcia me deixou meio grogue. Vejo vocs de manh.
Cerca de uma hora depois, Loretta e Sam subiram, levando Candy para dormir. Gabe deu um grande sus#piro de alvio e sentou-se no sof da sala.
 Conseguimos salvar a situao  declarou, afrou#xando o n da gravata.
 Acho que sim  Kassandra concordou, sentando-se a seu lado.
 Voc estava certa quando sugeriu que discords#semos sobre o quo luxuoso seria o casamento.
 Sabia que teramos de fazer alguma concesso para eles concordarem com uma cerimnia discreta, e discordar sobre esses detalhes fez com que seus pais aceitassem
nossa idia mais rapidamente.
 E sua ttica funcionou muito bem.  Levantando-se, Gabe dirigiu-se ao bar.  Voc quer beber algo?
 Acho que estou precisando.
Gabe virou-se para encar-la e sorriu.
 Sei exatamente do que voc precisa. Vinho branco?
 tima sugesto. Afinal de contas, temos muitas coisas para planejar. Qualquer coisa mais forte poderia me deixar zonza.
Gabe serviu duas taas de vinho e voltou a sentar-se ao lado de Kassandra.
 No sei o que precisamos planejar. Do jeito que as coisas vo, acho que podemos deixar tudo por conta de minha me e minha av. Tudo o que temos de fazer  sentar
e relaxar.
 No to rpido  Kassandra opinou, levando a taa de vinho aos lbios e tomando um pequeno gole.  Elas vo planejar o casamento, mas ns temos de cuidar de alguns
detalhes. Antes de mais nada, pre#cisamos encontrar uma desculpa para no usar o mi#nistro aqui da cidade no casamento. Alm disso, a festa de Natal no foi cancelada,
o que significa que teremos quase duzentas pessoas prestando ateno em ns dois no sbado. E todos eles vo querer conhecer nossa histria. Logo, precisamos combinar
algo bem convin#cente, e saber mais coisas sobre a vida um do outro.
 Voc tem razo  Gabe concordou. Depois de colocar a taa de vinho sobre a mesa de centro, ele recostou-se no sof e fechou os olhos.  Estou pronto. Conte-me
a histria de sua vida.  Abrindo os olhos por um momento para encar-la, acrescentou:  A histria verdadeira, por favor.
Resignada, Kassandra suspirou.
 Contei os fatos mais importantes naquele nosso primeiro jantar. Agora vou lhe dar pequenos detalhes, coisas que aconteceram no tempo de escola e falar algo sobre
meus amigos.
 timo, porque so os detalhes que vo indicar nossa intimidade.
 Pode ser mas tambm corremos o risco de as pessoas no entenderem como voc se apaixonou por uma garota to sem graa  Kassandra considerou.
Gabe riu de forma relaxada.
 Acho que no. S de olhar para voc os convidados vo perceber que tive motivos mais do que suficientes para me apaixonar.
 Voc est brincando?
Ele abriu os olhos novamente, para encar-la.
 Claro que no, voc  muito bonita.  Como se lembrasse de algo, Gabe sorriu.  S acho que precisa usar algo vermelho no dia da festa. Voc ficou linda com aquele
vestido vermelho que usou em nosso pri#meiro jantar. Coloque algo parecido e todos sabero por que me apaixonei.
Kassandra sentiu um calor em seu corpo, mas tentou ignorar a sensao. No queria ficar lisonjeada com o elogio, mas no pde evitar. Mas no podia dei#xar que ele
percebesse que gostara. Se aquilo aconte#cesse, provavelmente Gabe conc1uiria que ela tambm o achava atraente, e no a deixaria em paz.
 Vou me lembrar disso  Kassandra desconversou.  E por que me apaixonei por voc?
Ele deu um sorriso cheio de esperana.
 Pelo mesmo motivo?  sugeriu.
Kassandra balanou a cabea em um gesto negativo.  Jamais me apaixonaria por algum apenas por sua aparncia.
 E que tal minha aparncia associada a meu dinheiro?
 Tenho certeza de que isso no iria impressionar muito bem os convidados de seus pais.
 Talvez minha aparncia, meu dinheiro e meu charme?
 Vamos ficar com a idia de que foi seu charme  ela admitiu, sorrindo.  Mas teremos trabalho para convenc-los.
Gabe inclinou-se um pouco na direo de Kassandra.  Sabe; Kassie, se no a conhecesse bem diria que voc no gosta de mim.
 E no gosto  ela confirmou. Ach-lo atraente era muito diferente de gostar dele.  E voc tambm no gosta de mim. E por isso que precisamos saber mais a respeito
um do outro, para fazer essa histria ficar convincente.         .
 Tudo bem  Gabe concordou, vencido.  Vamos falar da escola e dos amigos.
Kassandra passou os dez minutos seguintes contan#do tudo o que se lembrava de seu passado. Durante todo o tempo, Gabe permaneceu de olhos fechados, res#pirando profundamente.
Ainda que estivesse concentrada nas histrias que contava, ela no pde deixar de estudar aquele rosto msculo, emoldurado por lin#dos e brilhantes cabelos negros.
Gabe era lindo, alm de ser simptico e adorvel, quando queria. Ainda bem que tambm sabia ser ar#rogante, mimado e egosta. Kassandra no podia se esquecer daquelas
caractersticas para no se deixar levar pela atrao que sentia.
 E assim cheguei ao restaurante, e decidi que que#ria ser professora, porque gostava muito de crianas.  Essa parte da histria j conheo  Gabe comentou, endireitando
o corpo no sof, e abrindo os olhos.  E gosto dela. Logo, acho que todos tambm vo gostar.  E voc, Gabe, por que escolheu sua profisso?  Kassandra perguntou,
interessada.
Ele encolheu os ombros.
 Era o que esperavam de mim.
Kassandra aguardou por um momento, achando que ele continuaria, mas finalmente voltou a carga.  Isso  tudo?
 Acho que sim  respondeu. Vendo a expresso no rosto dela ele suspirou, exasperado.  Veja bem, meu trabalho trouxe um objetivo para minha vida.
  mesmo?  ela perguntou, realmente curiosa.
 Claro!  Gabe confirmou, rindo em seguida.  Se no fosse assim, voc acha que eu ainda estaria l?
Kassandra pensou por um momento, ento balanou a cabea.
 Acho que no.
Ele sorriu triunfante.
 Voc est comeando a me conhecer melhor.
Satisfeita com aqueles progressos, ela tambm sorriu.  Acho que sim.
Gabe encorajou-se com aquele sorriso e chegou bem mais perto de Kassandra, olhando fixamente em seus olhos.
 No h muito mais que precisemos combinar.
Voc sabe que sou determinado, honesto e trabalhador. Qualidades que uma futura professora adoraria em um marido.
 Certo  ela concordou, afastando-se um pouco, e abaixando a cabea para evitar aquele olhar penetrante.
Gabe voltou a se aproximar.
 E voc tem tudo o que uma boa esposa deve ter.  carinhosa, inteligente, uma boa me... Alm de ser linda e muito excitante.
Ela surpreendeu-se com aquele comentrio e levantou a cabea para encar-lo novamente, parando de tentar se afastar.
 Voc me acha excitante?  perguntou, com voz entrecortada.
 Kassie, voc nunca teve medo de me enfrentar, mesmo sabendo que eu era o dono daquele prdio. Essa e uma das coisas que a fazem excitante e desafiadora  Gabe
acrescentou, sorrindo de forma sedutora.
 Espere um minuto  ela pediu, tentando se controlar.  No me veja como um desafio.
 Por que no?  ele perguntou, estendendo seu brao sobre o encosto do sof e se aproximando ainda mais.  Voc est com medo?
 Medo de qu?  Kassandra retrucou.
 De mim. Ou do que acontece quando nos beijamos.
 O que acontece quando nos beijamos  irrelevante.
 No acho  Gabe opinou, colocando a mo sobre ombro de Kassandra, descendo lentamente at seu pulso, e ento subindo novamente.  O que nos acon#tece  excitante,
espontneo e forte. Definitivamente no  irrelevante.
 Gabe...  Kassandra comeou, sentindo um medo irracional.
Ele estava certo. O que acontecia entre os dois era excitante, espontneo e forte. E Kassandra sabia que se fosse beijada por Gabe no conseguiria mais fingir que
era completamente indiferente a ele. Por isso tinha de se manter o mais distante possvel.
 Ns combinamos que eu viria aqui apenas para fingir ser sua noiva. No queira mudar as regras agora.  Relaxe  ele pediu, afastando-se e passando os dedos entre
seus espessos cabelos.
Gabe no sabia por qu, mas no conseguia esquecer o gosto daquela boca, a sensao de ter Kassandra em seus braos, e queria mais. Sabia que tudo iria acabar.
 Gabe no via quando voltassem para a Pensilvnia, no tinha problema algum em aproveitar aquele momento.  Mas quando ela o encarou assustada, como se ele fosse
o ser mais repugnante na face da terra, mas no era raiva. Gabe no soube explicar o que sentiu. Era algo que no podia ser descrito, mas ele estava muito decepcionado.
Iria jogar de acordo com o jogo.
 Voc esta certa. Vamos seguir as regras.
Ele se levantou abruptamente e foi em direo a porta, mas parou por um momento antes de sair, encarando-a.
 Espero que voc no faa isso na frente de Candy ou da famlia. Vou beij-la na frente de todos e no quero assust-la. Voc seria capaz de assustar, me assustar.



CAPTULO XI

Na manh seguinte, carregando Candy nos braos, Kassandra tomou bastante cuidado para parecer carinhosa e feliz quando Gabe a beijou, despedindo-se para sair. No
sabia o que ele havia visto em seu rosto na noite anterior, mas faria o possvel para que aquilo no acontecesse novamente.
Em primeiro lugar, porque Gabe estava certo: ela precisava tomar mais cuidado com suas reaes na frente dos outros. Em segundo lugar, porque tinha medo de que ele
descobrisse que sua expresso fora de puro pnico, pois no queria que ele percebesse quanto a afetava.
Depois de se despedir de Gabe e Sam, Kassandra encontrou Emma na sala de estar.
 Loretta precisa tomar algumas providncias para a festa de Natal, ento ficamos sozinhas  ela comen#tou, encarando Kassandra com astcia.
 Est bem  ela limitou-se a dizer, sem ter certeza de que ficar sozinha com Emma era mesmo uma boa notcia.  E quais so seus planos?
 Nada demais  a velha senhora respondeu, en#colhendo os ombros.  Loretta nos mataria se deci#dssemos algo sem ela. Ento eu pedi para um de nos#sos empregados
ir at a cidade e comprar todas as revistas de noivas que pudesse achar.  Ela apontou para duas pilhas colocadas sobre a mesa.  Acho que podemos nos concentrar
em coisas simples, como escolher a porcelana para a festa.
 tima idia  Kassandra concordou.  Podemos colocar Candy no cercado, junto com alguns brinque#dos assim ficaremos mais tranqilas.
 A idia me parece tima  Emma disse.
O tom de sua voz no era agressivo, mas tampouco amistoso. Um arrepio percorreu a espinha de Kassan#dra, deixando-a to apreensiva como sempre ficava quando estava
sozinha com a av de Gabe.
Totalmente controlada, Kassandra colocou Candy no cercado com delicadeza, sorrindo para a graciosa menina.
 Ela  uma garotinha adorvel  Emna elogiou, aproximando-se do cercado e acariciando a criana no rosto.
Candy deu uma risada encantadora para Emma, que inclinou-se para beij-la.         .
 Voc  exatamente o que essa famlia precisava.
Percebendo todo o afeto contido naquelas palavras, Kassandra conteve um suspiro de alvio, concluindo que estava imaginando coisas.
Sentindo-se mais tranqila, Kassandra sentou ao lado de Emma no sof, pegando as pilhas de revistas para folhear.
 L vamos ns, querida  Emma brincou.  Se voc encontrar algo de que goste, me mostre. Eu fao o mesmo.
Kassandra sorriu.
 Est certo, Emma.
Elas passaram as duas horas seguintes examinando cuidadosamente as revistas, rindo de vestidos e deco#raes extravagantes e admirando-se com todas as op#es oferecidas
para quem resolvia se casar.
 Meu Deus, olhe que lindo, Emma!  Kassandra pediu, apontando para o conjunto de porcelana de seus sonhos.
 Voc gosta desse?  a senhora perguntou.
 Sim. Voc no gosta?
  bonito. Na verdade,  bem delicado. Mas o que voc acha desse?  Emma retrucou, mostrando outro conjunto.
Kassandra torceu seu nariz.   muito tradicional.
  mesmo?  Emma perguntou, examinando a foto com cuidado.  Talvez por isso eu tenha gostado.
Kassandra virou a pgina de sua revista e um au#dacioso conjunto de pratos de porcelana negros com bordas brancas imediatamente chamou sua ateno.  Olhe esse,
Emma.
Foi a vez de Emma torcer seu nariz.  Acho um pouco espalhafatoso.
 Gabe tambm  espalhafatoso e lindo  Kassandra arriscou, decidindo que era hora de marcar alguns pontos.  Voc j viu o apartamento dele. M#veis negros para
todos os lados.
  justamente por isso que voc no deveria querer pratos negros.  Emma encarou Kassandra por um momento.  Alias, o aparelho de jantar da casa dele  parecido
com aquele que acabei de lhe mostrar.
 Deve ser por isso que no gostei dele ento  #Kassandra replicou rapidamente.  No quero nada que lembre o passado para Gabe. Quero comear vida nova com ele.
 Acho que isso faz sentido  Emma considerou.
 Claro que faz sentido  Kassandra insistiu dando uma risada em seguida.  Voc mesma comentou que no gostava das mulheres que Gabe encontrava, ou da vida que
ele levava. Eu tambm quero enterrar esse passado.
 Se voc no gostava do modo que Gabe levava a vida, por que aceitou sair com ele? Como se envolveu?  Emma perguntou, inquiridora.
Kassandra havia cado em mais uma armadilha.
Tentando no perder a compostura, ela sorriu para a astuta senhora.
 J lhe disse, foi qumica. Quem consegue explicar essas coisas?
Naquele exato instante, Gabe e seu pai entraram pela sala, fazendo Kassandra suspirar aliviada. Gabe caminhou at o cercado e beijou Candy, que deu uma risada como
resposta, e em seguida foi at Kassandra, beijando sua testa.
 A chuva atrapalhou nosso jogo de golfe  ele contou sentando-se ao lado de Kassandra no sof.
 timo, assim voc pode ficar com sua noiva e Candy enquanto eu descanso um pouco  Emma de#clarou, levantando-se.  Acho que vai ser dificil des#cansar quando
Loretta chegar e quiser comear com os preparativos do casamento.
Kassandra ficou em silncio, apenas observando en#quanto Emma caminhava na direo da porta. Antes de sair, a senhora voltou-se e encarou-a por um mo#mento, saindo
sem dizer mais nada.
Confuso, Gabe olhou para Kassandra.
 Aconteceu alguma coisa estranha durante a manh?
 A manh foi divertida ... maravilhosa. S os ltimos dez minutos  que foram estranhos Kassandra explicou, pensativa.
 O que aconteceu?  ele perguntou com cuidado.
 Gostei de um aparelho de jantar com pratos pretos. E sua av disse que voc gostava de aparelhos mais tradicionais.
  verdade. Os pratos da minha casa tm um desenho bem tradicional.
 Sei disso agora  Kassandra comentou.  Acho que at me sa bem, quando lembrei sua av de que voc talvez gostasse daqueles pratos pretos, uma vez que essa 
a cor que predomina na decorao de sua casa.
 E da?  Gabe perguntou, impaciente.
 E quando percebi ela estava me perguntando porque eu havia me envolvido com voc se desaprovava a forma como vivia. Ela me pegou.  Suspirando, Kas#sandra fechou
os olhos, desconsolada.
Da forma como estava recostada no sof, era possvel perceber claramente o contorno de seus seios sob o suter cor-de-rosa. Seus cabelos dourados estavam gra#ciosamente
espalhados pelo encosto floral, e os lbios rosados pareciam estar aguardando por um beijo. Kas#sandra era suave e vulnervel, e Gabe nunca havia percebido aquilo.
Precisava admitir que ela era tam#bm incrivelmente atraente.
 Kassie, voc j parou para pensar que pode estar imaginando coisas?
Ela abriu os olhos para encar-lo.  No estou imaginando nada.
 Bem, Kassandra...  Gabe comeou, erguendo-se do sof para afastar-se dela quanto antes.
Seu perfume era delicioso, ela parecia suave e vulne#rvel. J fazia muito tempo que Gabe no se relacionava seriamente com algum, e subitamente comeava a per#ceber
que Kassandra era uma linda e instigante mulher. Se ficasse mais vinte minutos sozinho com ela, no se responsabilizaria pelo que poderia acontecer.
Balanando a cabea, ele franziu as sobrancelhas e continuou:
 Kassie, voc sabe que minha av  muito astuta  considerou.  Se ela quisesse tirar alguma informao de voc, faria isso com a maior facilidade, e voc nem perceberia.
 Ele fez uma pausa, como se estivesse pensando em algo, e ento acrescentou:  Lembra-se do nosso primeiro dia aqui? Voc s desco#briu que ela era minha av porque
eu entrei no quarto.
Kassandra assentiu, mas sentia-se insegura. Gabe resolveu sentar-se novamente ao lado dela.
 Emma no queria surpreend-la esta manh. Se ela quisesse, voc no perceberia. No sei qual foi o rumo de sua conversa, mas provavelmente o que ela disse foi
inocente.
Kassandra encarou-o confusa.
 Ela no me pareceu nada inocente.
  que voc est muito nervosa com toda a situao  Gabe lembrou-a com gentileza.  Se voc se acalmar perceber que no foi nada de mais.
Ela balanou a cabea, considerando aquela possibilidade.
 Talvez voc no esteja imaginando coisas, mas pode estar exagerando. Alm disso, eu nunca percebi um olhar de suspeita de minha av. No acredito que tenha duvidado
de ns nem por um momento sequer. Na verdade, ela ficou exultante quando anunciamos nosso casamento, porque adora voce e Candy.
Ao ouvir seu nome, Candy soltou um grito, chaman#do a ateno dos dois. Gabe sorriu para a menina, indo at o cercado e pegando-a em seu colo com na#turalidade,
e virando-se para encarar Kassandra com uma expresso tranqila no rosto.
 Basta olhar para Emma para perceber que ela est feliz. Muito feliz.

CAPTULO XII

Kassandra ouviu tudo o que Gabe dissera com ceticismo, mas ele parecia ter tanta certeza que resolveu reconsiderar a situao. E, durante o jantar, j se perguntava
se ele no estaria certo.
Emma estava feliz. Eufrica, at. Sentou-se ao lado deles na mesa, alimentou Candy, riu de todas as piadas, ajudou a planejar o casamento. A nica pessoa que pa#recia
no estar se divertindo ali era a prpria Kassandra.
Mais tarde, sentada ao lado de Gabe no sof, enquanto tomavam um licor e discutiam mais detalhes sobre a cerimnia com os pais dele, Kassandra notou que de tanto
ficar abraada a Gabe durante a ltima semana, j se acostumara com as reaes dele. Mas naquela noite ele estava diferente. No estava tenso, ou desconfortvel.
Na verdade, parecia muito feliz. Pela primeira vez desde que haviam chegado, estava descontrado.
Talvez houvesse finalmente se acostumado com o contato. Talvez tambm estivesse gostando daquilo mais do que deveria.
Kassandra afastou aqueles pensamentos. A maior razo para Gabe estar tranqilo era a certeza de que seu plano estava dando certo. Ele realmente acreditava que estava
agradando sua av doente.
Com aquela concluso, Kassandra sentiu algo que lhe deixou preocupada. Sentia-se feliz porque o plano funcionara; mas o motivo daquela felicidade poderia lhe trazer
problemas. Dois dias antes, sentia-se feliz porque estava cumprindo sua parte do plano. Mas na#quela noite, tudo havia mudado. Sentia-se feliz e con#fortvel porque
Gabe parecia estar feliz e confortvel.
 Candy j est dormindo como um anjo em sua cama  Emma informou, entrando na sala.
 Voc no precisava se incomodar, Emma  Kas#sandra comentou enquanto a senhora sentava-se no sof.  Eu posso colocar Candy para dormir.
 Voc faz isso todo dia  Emma observou, enco#lhendo os ombros.  Eu no sei por quanto tempo ainda poderei fazer isso.
Kassandra notou um leve tremor no corpo de Gabe.
Houve um momento de silncio antes de que ele le#vantasse decidido e puxasse Kassandra consigo.
 Quer ir ao cinema conosco, vov?
 Eu?  Emma perguntou, completamente surpresa.
 Claro  Kassandra reforou o convite.  Decidimos ver uma comdia hoje  noite, e acho que voc vai gostar.
Emma encarou-os com um olhar de suspeita.
 No vou atrapalhar o programa de vocs.
 Claro que no!  Gabe tranqilizou-a, ajudando-a a levantar-se do sof.  Adoramos sua companhia.  Ento vou buscar meu casaco.
Quinze minutos depois eles saram, pegando o carro de Gabe para ir at o cinema da cidade. Quando entra#vam no cinema, Emma fez um comentrio inesperado.  Vou me
sentar logo atrs de vocs, para que possamos comentar melhor o filme.
Kassandra sentiu ressurgirem seus antigos temores.
Emma no estava interessada em conversar durante o filme, e sim em observ-los todo o tempo. Ver como se comportavam durante duas horas.
Percebendo a estratgia, Kassandra abraou Gabe, cutucando-o discretamente para que notasse que es#tavam sendo observados. Quando ele percebeu, ime#diatamente passou
seu brao por sobre o ombro de Kassandra, puxando-a para mais junto de si. A proximidade fez com que seu perfume invadisse as narinas de Gabe, que inspirou profundamente.
Kassandra usava um suter angor vermelho e cala branca. Parecia ao mesmo tempo confortvel e sexy. E abraada a ele daquele jeito, perto o bastante para que Gabe
pudesse tocar em seus cabelos sedosos de#liciando-se com seu aroma, fazia com que ele acredi#tasse que eram mesmo feitos um para o outro. Mas lembrou a si mesmo
pela centsima vez naquela noite de que estava enganado. No apenas porque eram totalmente incompatveis, mas tambm porque iriam acabar com aquele relacionamento
de mentira assim que voltassem para a Pensilvnia. Ainda assim, trocar carrinhos no escuro do cinema fazia parte da#quele acordo e no machucaria ningum. Foi por
isso que ele a abraou com mais fora, trazendo-a mais perto de seu corpo.
Kassandra quase estremeceu, mas conseguiu se con#trolar a tempo. Aquela encenao era uma tortura ne#cessria. Mas o temor de ser descoberta acabara por jog-la
direto nos braos de Gabe, e aqueles braos estavam comeando a parecer to protetores...
O que era um absurdo. No apenas porque eles eram totalmente incompatveis, mas tambm porque iriam acabar com aquele relacionamento logo que voltassem para casa.
Deus era to bom sentir-se protegida e confortvel nos braos de um homem depois de tanto tempo. Mas no podia se deixar levar. Continuar com aquilo s iria trazer
proplemas para os dois.
Poderia ser que a av dele estivesse observando. Mas que mal haveria se passasse duas horas sentindo-se confortvel, protegida at mesmo amada? Aquilo no machucaria
ningum, Kassandra decidiu, e colocou a mo sobre o peito de Gabe, procurando dar um pouco mais de autenticidade quela encenao. Gabe corres#pondeu, puxando-a
para ainda mais perto, e deslizou sua mo pelo brao dela. Kassandra pressionou seu rosto contra o ombro de Gabe, que roou levemente seus lbios nos sedosos cabelos
dourados.
 Filhos...  Emma sussurrou.  Parem com isso ou vou jogar meu refrigerante em cima de vocs.
Gabe e Kassandra afastaram-se rapidamente, como adolescentes culpados; mas voltaram a se abraar logo em seguida.
 Fique quieta e assista ao filme  ele pediu, sor#rindo, ao mesmo tempo em que puxava Kassandra para mais perto.
Sem tentar ser muito convincentes, os dois conse#guiram assistir ao filme, com Gabe limitando-se a co#locar a mo sobre o ombro de Kassandra, e ela a deitar a cabea
no ombro dele. Mas, quando a projeo estava chegando ao final, tudo recomeou. Gabe roou os l#bios nos cabelos de Kassandra, que colocou a mo sobre o peito msculo.
Em seguida, ele deslizou a mo pelo brao dela e quando estava percorrendo o caminho de volta, roou levemente no seio de Kassandra.
Ela soube imediatamente que o movimento no fora intencional, principalmente porque Gabe prendeu a respirao quando percebeu o que fizera, como se es#tivesse surpreso.
Uma grande descarga de eletricidade sexual atravessou os dois, que ficaram se olhando em silncio por um momento, at que Gabe levantou-se abruptamente.
 J acabou. Acho que podemos ir para casa  #sugeriu para sua av ao mesmo tempo em que puxava Kassandra de sua cadeira.
 No sem antes passarmos na confeitaria para comer doughnuts  Emma ordenou.
 Vamos aos doughnuts, ento  ele concordou. Continuaram a conversar sobre os doces at sarem do cinema. Quando sentiu o ar frio da noite, Kassandra automaticamente
encolheu-se, abraando o prprio corpo para tentar se proteger. Percebendo seu movi#mento, Gabe hesitou por um momento mas finalmente colocou sua mo sobre o ombro
dela, puxando-a para si. Abraados daquela forma, os dois caminharam pela calada ao lado de Emma.
 Acho que havia uma confeitaria por aqui  Emma considerou, pensativa.
 Duas quadras para baixo  Gabe confirmou.
 Ah, que luzes bonitas!  a senhora comentou, observando o luminoso da confeitaria quando chegaram.  Acho que s havia passado por aqui de dia mas  bem melhor
 noite.
Percebendo a descontrao na voz de Emma, Kassandra teve certeza de que tudo estava bem. No precisava se preocupar com nada.
A no ser que parasse para pensar no calor que incendiava seu corpo agora que estava novamente abraada a Gabe.
A sim, ela teria muitos motivos para se preocupar.

CAPTULO XIII

Na minha opinio, assim que a festa de hoje  noite terminar poderemos nos concentrar no casamento  Loretta comen#tou parecendo um general no comando de suas tropas.
Emma e Kassandra estavam sentadas no sof da sala de estar, com Loretta  frente delas, sentada em uma cadeira e utilizando a pequena mesa de caf como apoio para
tomar notas.
A casa estava praticamente pronta para a festa, e ao redor delas os empregados trabalhavam sem parar, cuidando dos ltimos detalhes da decorao.
 Gabe me ajudou a reduzir nossa lista para cerca de cem convidados, o que vai tornar esse casamento uma festa bastante aconchegante.  Fazendo uma pausa, ela olhou
pensativa para Kassandra.  Voc tem certeza de que no vai convidar ningum, Kassandra?
Kassandra confirmou, com um aceno de cabea.
 No conheo muitas pessoas dispostas a deixar suas famlias no Natal. Todos meus amigos e parentes esto na Pensilvnia, e eu e Gabe queremos nos casar aqui. Logo,
no tenho quem convidar.
 Nem mesmo seus irmos?
Repentinamente, Emma pareceu despertar para a conversa.
 Voc tem irmos?
 Quatro  Loretta informou com casualidade. #Voc pode imaginar isso, ser a nica filha em uma casa com quatro homens? Voc chamou seus irmos e eles no quiseram
vir?  perguntou.
 Todos eles so casados e tm suas famlias.
 E seus pais?  Emma perguntou.
Kassandra abriu a boca para responder, mas ficou em silcio por um momento, porque no sabia o que dizer. No havia uma razo plausvel para os pais no comparecerem
ao casamento de sua nica filha. Pen#sando naquilo, concluiu que teria de mentir.
 Eles vo chegar no dia vinte e trs  informou, sentindo sua boca seca.
 Que bom!  Emma exultou, enquanto Loretta tomava mais notas.
 Ento colocaremos os pais de Kassandra no quarto de hspedes verde, e Albert e Munel vo para um hotel.  Vai ser bem interessante  Emma comentou levantando-se
do sof.
 Tenho certeza de que Albert e Muriel vo en#tender...  Loretta comeou, sendo interrompida por Kassandra.
 Por favor, no tire ningum de seu quarto para acomodar meus pais. Sei que eles vo preferir ficar em um hotel.
No havia a menor possibilidade de os pais de Kas#sandra chegarem no dia vinte e trs, principalmente porque Kassandra no os havia convidado. Ainda que sua me
soubesse da farsa, no tinha idia de que as coisas haviam chegado quele ponto. Se convencesse Loretta de que eles ficariam em um hotel, poderia in#ventar uma mentira
convincente para sua ausncia no dia do casamento.
 No seja boba, querida. Fazemos questo de hos#ped-los aqui  Emma insistiu.
 Questo absoluta  Loretta concordou, ainda que o tom de sua voz fosse completamente diferente do de Emma.
Enquanto Loretta soava acolhedora e generosa, Emma parecia mais com um cientista louco prestes a escolher sua prxima vtima. A nica coisa que ela no fizera fora
esfregar as mos e rir descontroladamente.
 Est na hora de Candy acordar  Emma anun#ciou, dirigindo-se para a porta.  No planejem nada sem mim. No quero perder nem um detalhe.
Kassandra pensou mais uma vez de que estivera certa desde o comeo. Emma sabia, e se divertia fa#zendo-os sofrer.
Mas ela no estava fazendo os dois sofrerem. A nica vtima era Kassandra. Por qu? Talvez porque Kas#sandra era o lado mais frgil daquela farsa. Emma sabia que
Gabe era esperto e ardiloso demais para suportar a presso, mas Kassandra era diferente.
Emma agia como se tudo estivesse bem na frente de Gabe, mas quando estava sozinha com Kassandra no perdia qualquer oportunidade de pression-la para que cometesse
um erro.
O que significava que Kassandra no podia se des#cuidar nem um minuto sequer. Precisava pensar, agir, falar e viver como se o casamento com Gabriel Cayne fosse real.
No era muito difcil fingir estar apaixonada por Gabe. Ele era alto, bonito, tinha um perfume delicioso e a tratava como se ela fosse a pessoa mais importante na
face da terra. Pelo menos na frente de sua av.
O problema era sair daquela farsa com o corao intacto. Principalmente porque, quanto mais Kassan#dra fingia que amava Gabe, mais acreditava na prpria mentira.
No porque amasse Gabe, mas porque poderia amar o homem que ele fingia ser para sua av.
Horas mais tarde, j pronta para a festa, Kassandra lutava para ignorar o pnico que ameaava tomar con#ta dela. Tivera tempo suficiente para pensar durante a tarde,
e conclura que teria de ser absolutamente convincente naquela noite para tirar qualquer dvida da mente de Emma.
Tudo o que tinha de fazer era colocar toda sua alma na representao da noiva apaixonada. E depois, quan#do estivesse sozinha, s precisava se lembrar de que Gabe
no passava do inconseqente solteiro que era seu vizinho na Pensilvnia, e que transformara sua vida em um inferno.
Muito simples. No havia problema algum.
Mas, ainda assim, Kassandra sentiu suas mos tr#mulas quando ouviu Gabe bater levemente na porta. Quando ele entrou, Kassandra prendeu a respirao.
Gabe estava espetacular, com um smoking preto que real#ava mais ainda o brilho de seus olhos e cabelos escuros.  Voc est muito bem  ela elogiou-o, sem pensar.
 Voc tambm  ele retornou, obviamente embaraado.  Seu vestido  lindo.
Kassandra olhou o vestido que usava, em veludo prpura, antes de encar-lo em seguida.
 Voc ficaria chocado se soubesse quanto paguei por ele.
Gabe sorriu.
 Na verdade, adoraria saber. Estou muito impres#sionado por algum, conseguir comprar um vestido to bonito em uma liquidao. Isso faz voc parecer ainda mais
inteligente.
 E usou inteligente  Kassandra informou, ten#tando ignorar como gostara de ouvir aquele cumpri#mento.  Vamos  ordenou abruptamente.
O tom brusco de sua voz conseguiu trazer Gabe para a realidade, fazendo-o sorrir ironicamente.
 Sim, alteza  ele concordou, abrindo a porta para ela passar.  Onde est Candy?  perguntou, enquanto caminhavam pelo corredor como se fossem dois executivos,
e no um casal que estava prestes a anunciar seu noivado.
 Isabelle vai cuidar dela hoje  noite  Kassandra informou, referindo-se a uma das empregadas da casa.  No sei se sua me gostaria de que voc aparecesse na
frente dos convidados com uma criana no colo.
Gabe balanou a cabea.
 Bobagem. Meus pais adoram Candy.
 Eu sei  Kassandra concordou. Pensando em como a partida da menina faria os parentes de Gabe sofrer, ela nem percebeu que sua voz soara mais rspida do que era
sua inteno.
 Isso no  um crime  Gabe comentou, magoado.
No, mas  um problema  ela retrucou, parando junto com Gabe no topo da escada.  Mas este no  um assunto para se discutir em uma festa como a de hoje.
Gabe encarou-a fixamente por alguns segundos. Ela pde ver um turbilho de emoes em seu rosto. Ele suspirou profundamente antes de voltar a falar.
 Mais alguma coisa que voc queira me lembrar antes de descermos esta escada e fingir para cerca de duzentas pessoas que estamos completamente apaixonados um pelo
outro?
Mas no esperou pela resposta, e desceu os degraus rapidamente. Kassandra ficou parada por um segundo, consciente de que teria de entrar na sala da manso Cayne,
e em sua festa de Natal, completamente sozinha.
Enquanto descia os degraus, ela rezava para que Emma no visse Gabe entrando sozinho no salo. Por#que se ela o visse, Kassandra no conseguiria escapar naquela
noite.

CAPTULO XIV

Kassandra desceu as escadas apressada, procurando por Gabe. Prendeu a respiraao quando percebeu que Gabe estava a dois passos de entrar na sala, claramente esperando-a.
Mental#mente, ela respirou aliviada.
 Gabe, querido  Kassandra chamou-o, colocando seu brao no dele  Seus pais esto perto da lareira Vamos at l falar com eles.
Dizendo aquilo, ela encarou-o com uma de suas ex#presses mais inocentes. Seus olhos verdes brilhavam mtensamente, em um belo contraste com o vestido pr#pura. Os
cabelos loiros estavam presos em um coque alto, fazendo com que ela parecesse uma autntica deu#sa grega. Linda. Sofisticada. Inteligente. Gabe perce#beu que sua
boca ficara completamente seca.
Como ela podia olh-lo daquele jeito to inocente, principalmente depois de t-lo quase deixado louco?
No podia se esquecer de que estavam apenas repre#sentando. Representando. No estava interessado nela. O fato de ter tentado beij-la sem ningum por perto no
significava que gostasse dela. No podia esquecer aquilo.
 Claro  ele concordou, sorrindo. Podia jogar aquele jogo to bem quanto ela. Alis, fora ele que inventara tudo aquilo. Kassandra era s uma coadju#vante.  Vamos
falar com meus pais, depois eu apre#sento voc para os convidados.
Quando os dois se aproximaram da lareira, Gabe observou seu pai abrir os braos em um gesto caloroso para cumprimentar Kassandra.
 Kassandra, voc est maravilhosa!  ele elogiou, em um tom reverente que enervou Gabe ainda mais.
Mas ele precisava se controlar. Um homem normal ficava feliz quando todos elogiavam a beleza de sua noiva. Qualquer um gostaria de ter uma mulher linda como Kassandra
a seu lado.
 Ela est deslumbrante, no?  Gabe perguntou, colocando sua mo sobre o ombro dela. Puxou-a para mais perto de si e torturou-se com o delicado aroma de seu perfume.
Inspirando profundamente, comeou a contar at trezentos. Poderia lidar com aquilo. No se abalaria.
 Os Mankmyer, Garlesky e Bilak esto aqui, Gabe  Loretta sussurrou.  V primeiro cumpriment-los e depois circule por a.
 Sei o que tenho de fazer, me  Gabe zombou.
 Eu no  Kassandra revelou, sorrindo para ele novamente.
Gabe sentiu seu corao disparar. Como ela podia parecer to doce, inocente, maravilhosa... to... to per#feita para ele? No conseguia entender.
 Os Garlesky e os Bilak so scios nos negcios de Sam  Loretta informou com outro sussurro.
 Eu pensei que ele estivesse aposentado...  Kassandra comentou.
 Mais ou menos  Sam esclareceu, sorrindo.  Continuo investindo.
 E os Mankmyer?
 So os donos de uma cadeia de magazines.  Gabe revelou, guiando Kassandra delicadamente para o local indicado por sua me.
Depois de circularem por algum tempo pelo salo, Gabe estava ainda mais irritado. Dizer que Kassandra havia sido simptica com todos os convidados era pouco. Ela
fora encantadora. Magnfica. Uma atriz ex#traordinria. E aquilo o tirava do srio.
Mas por qu? Ele no tinha a menor idia. S sabia que estava furioso, e morrendo de dor de cabea.
A situao ficou ainda pior quando Isabelle apareceu na porta para informar que o jantar seria servido, car#regando Candy em seus braos. A garotinha usava pijama
vermelho e uma toquinha da mesma cor, com um pompom no topo da cabea, e parecia estar fanta#siada de Papai Noel. Imediatamente, Loretta pegou o beb em seus braos,
apresentando-a aos convidados. Todos brincaram um pouco com a menina, at que Isabelle levou-a para a cama.
Tudo estava indo perfeitamente bem. Exatamente como Gabe planejara. Mas em vez de aproveitar o su#cesso, ele s pensava em sair daquela festa.
Kassandra continuou agindo como a noiva perfeita, e todos voltaram para o salo quando terminaram o jantar. Naquele momento, a banda comeou a tocar e Kassan#dra
aproximou-se dele, segurando-o pelo brao.
 Gabe; acho que devemos danar  ela sugeriu.
 O qu?  ele perguntou, voltando rapidamente  realidade.
 Devemos danar. Seus pais esto sozinhos na pista.
 Ah! Sim, claro  Gabe concordou conduzindo-a at a pequena pista no centro do salo.
Kassandra entregou-se ao abrao de Gabe como se pertencesse a ele, encostando a cabea em seu ombro. Resignado com o tormento que ainda teria que enfren#tar, Gabe
puxou-a para mais perto seguindo o ritmo da msica.
 Voc pode me dizer o que h de errado?  ela sussurrou enquanto danavam, afastando-se um pouco para encar-lo.
Ele suspirou.
 Por que voc acha que h algo errado?  Gabe devolveu.
  que apesar de sua av estar feliz, sua me radiante e seu pai parecer que acabou de ganhar uma bolada na bolsa, voc est agindo como se estivesse indo para
a forca.
 Estou fazendo meu papel exatamente como acho que devo.
 Talvez voc devesse se esforar um pouco menos  ela sugeriu, sorrindo.
Havia algo em seu sorriso e no brilho de seus olhos, que indicava claramente que Kassandra no estava atuando naquele momento. Estava realmente sorrindo para ele.
De repente, a dor de cabea comeou a passar, e Gabe sentiu sua tenso desaparecer.
 Acho que voc est se esforando demais  ele sugeriu, enquanto a banda tocava uma valsa.
 O que voc queria, que seus parentes e amigos achassem que vai se casar com uma caipira?
Ele sorriu diante da pergunta inesperada. Kassan#dra havia conseguido dissolver todas suas preocupa#es. J nem se lembrava do motivo de sua raiva, mas aquilo no
importava mais.
 Voc est certa. No sei por que estou agindo como um idiota, mas no pude evitar ao ver voc tratar meus amigos com um jeito to doce.
 Ora ora  ela zombou, passando sua mo levemente pelo colarinho da camisa dele.  Se no o conhecesse to bem, diria que est com cime.
 No estou com cime  ele negou, desviando o olhar para que ela no visse a expresso confusa em seu rosto.
Seria verdade? Estaria com cime daquela mulher que um dia considerara arrogante, rabugenta e conservadora.
Pensando bem a verdade  que ela era me, e tinha todo o direito de reclamar quando o barulho da vizi#nhana acordava seu beb. Gabe a considerara rabu#genta e conservadora
porque nunca olhara para ela... E agora que a fitava, ficara assustado.
 Uma mulher no se importa quando o homem  um pouco ciumento  Kassandra comentou, ainda sorrindo.
Gabe sentiu seu corao disparar novamente. No podia entrar naquele jogo. Com a vida desregrada que levava, trabalhando sem parar, jamais poderia se dar ao luxo
de ter uma esposa de verdade, e Kassandra merecia um ma#rido de verdade, em um lar de verdade. Naquele sentido, suas vidas eram completamente opostas, razo mais
do que suficiente para que ele no se deixasse envolver.
Ainda danando, Gabe conduziu Kassandra para fora do salo, levando-a para a reservada sala de leitura e fechando a porta em seguida.
 Essa histria de cime foi engraada, Kassandra  ele declarou em voz baixa, mas sria.  S que vamos deixar de brincadeira e voltar  festa para fingir que estamos
apaixonados, e no brigando.
Kassandra ergueu o queixo com uma expresso altiva e mordeu levemente o lbio carnudo, sorrindo em seguida:
 Vou sair para pegar uma taa de vinho  ela avisou, dirigindo-se para a porta.  E sugiro que voc espere alguns minutos, at se acalmar, antes de voltar para
a festa.
Gabe ficou perplexo por alguns segundos sem entender por que ela dissera aquilo.
Kassandra voltou para a festa frustrada e furiosa.
No podia acreditar que perdera seu tempo, imagi#nando que Gabe estava comeando a sentir algo por ela s porque demonstrara estar com cime... e atrado. Aparentemente,
o cime fazia parte da encenao dele, e a atrao... bem, Kassandra conhecia Gabe. Ele no passava de um mulherengo, e no levava nada a srio. Suspirando, prometeu
a si mesma que no se deixaria enganar novamente.
 Tudo bem, querida?  Emma perguntou, aproximando-se.
Ela imediatamente sorriu.
 Claro. Vim pegar algo para beber  informou. Emma olhou ao redor com curiosidade.
 Onde est Gabe?
 Foi ao toalete  Kassandra respondeu.  Por qu? Est precisando de algo?
 No  a senhora esclareceu, ainda olhando ao redor.  Mas vocs tm um anncio para fazer.
Kassandra encarou-a com expresso confusa.
 Gabe ter me apresentado como sua noiva no foi suficiente?
Parecendo satisfeita, Emma balanou a cabea.
 No. Somos conservadores por aqui. Alm disso  ela acrescentou, pegando a mo direita de Kassandra e olhando atentamente para o dedo anular  no estou vendo
o anel.
 No est vendo porque ele est aqui  Gabe informou, batendo a mo levemente no bolso superior de seu smoking, enquanto se aproximava de Kassandra e a envolvia
pela cintura.  Vamos anunciar oficialmente nosso noivado em quinze minutos.
 Espero  Emma declarou, radiante.
Kassandra sentiu seu corao disparar. Porque tinha a impresso de que Emma estava radiante no pelo noi#vado do neto, mas pelo fato de t-la pego em mais uma de
suas armadilhas. Aquela farsa estava ficando cada vez mais complicada. No porque fosse dificil agir como um casal apaixonado, abraando-se o tempo todo, mas porque
estava cada vez mais fcil agir assim.
E aquilo no podia acontecer. Gabe era um mulhe#rengo irresponsvel. No podia gostar dele. No queria.
Ele no passava de um idiota...
S no conseguia explicar por que se sentia to bem nos braos dele. No fazia qualquer sentido.
Assim que Emma afastou-se, Kassandra livrou-se do abrao de Gabe.
 Escapamos por pouco  comentou, sorrindo agradecida para Gabe. Ainda que ele fosse um mulherengo irresponsvel, era seu parceiro naquele crime.  Eu me esqueci
completamente do anel.
 Ainda bem que eu no esqueci  Gabe observou olhando ao redor.
 Com licena  Arnold Feinburg pediu enquanto se aproximava.  Ser que eu poderia danar com sua noiva, Gabe?
Gabe fez um gesto com a mo.
 Podem ir. Vou procurar vocs quando chegar a hora do anncio  avisou, dirigindo-se  mesa de bebidas.
Kassandra suspirou, sentindo-se insultada pelo des#prezo de Gabe.
 Obrigada, Gabe  agradeceu com escrnio, e pegou no brao de Arnold em seguida, para ser conduzida  pista de dana.
 As coisas no esto indo exatamente como pla#nejado.  Arnold perguntou assim que tomou Kassandra em seus braos.
Ela olhou ao redor para ter certeza de que ningum os observava, ento suspirou.
 Tivemos um pequeno desentendimento.
 O que ele fez? Avanou o sinal com voc?
Ao ouvir aquilo, Kassandra riu.
 No exatamente. Gabe me acusou de tentar avan#ar o sinal com ele.
Arnold franziu as sobrancelhas, confuso.
 O qu?
Kassandra suspirou.
 Ele me acusou de levar essa farsa muito a srio.
  mesmo?  Arnold perguntou, sorrindo levemente com o canto da boca.  Mas que interessante...
 Pessoalmente, achei muito rude.
 Ah; no  Arnold corrigiu-a, ainda sorrindo  O que Gabe fez  tpico.  seu mecanismo de defesa clssco.
 Mecanismo de defesa?  Kassandra repetiu, incrdula.
Arnold confirmou.
 Claro. Ele sempre agia assim na faculdade. Gabe tem seus planos, e acha que um casamento pode atra#palh-los. Ento ele ataca as mulheres com quem sai, acusando-as
de lev-lo muito a srio. Assim elas o abandonam, e ele no tem que arcar com as conseqncias de um relacionamento.
 Isso  absurdo.
  verdade  Arnold insistiu.  Passei quatro anos com Gabe na faculdade. Ele sempre agia assim.
 Mas sou vizinha dele na Pensilvnia e, a julgar pelo desfile de mulheres em seu apartamento, no acho que Gabe tenha medo de relacionamentos.
 Ele no tem medo de encontros  Arnold corrigiu.
 Por outro lado, voc merece os parabns, pois esta  a primeira vez que vejo Gabe interessado seriamente por algum.
 Parabns?  Kassandra riu mais uma vez, ainda sem acreditar.  Em primeiro lugar, ele no parece muito interessado. Em segundo, acho que voc esta completamente
errado.
 Em primeiro lugar  Arnold comeou, zombando dela  ele est muito interessado. Em segundo, Gabe tem seus motivos para agir assim. Voc sabe que o pai dele tem
problemas de corao?
Kassandra franziu as sobrancelhas.
 No.
 Mas ele tem. E foi por esse motivo que Gabe recusou as propostas para jogar futebol profissional#mente e assumiu as Empresas Cayne.
 Ele me disse que havia feito isso quando o av dele morreu.
 E voc acreditou? Nunca pensou que o normal seria o pai de Gabe assumir a direo em uma situao dessas
 Mas Gabe comeou em um cargo de baixo escalo nas empresas...
 Isso  verdade. E subiu bem rpido, em apenas seis anos. Sam no poderia agentar muito tempo com os outros diretores pressionando tanto. H dois anos, Gabe convenceu
seu pai de que tinha condies de assumir a direo da empresa, e agora est lutando pra lev-la de novo ao topo, como nos tempos da gesto de seu av. E com tudo
isso, no tem tempo de pensar na prpria vida.
Pode ser  Kassandra murmurou.  Mas no acho que tudo isso seja da minha conta.
 Mas voc se engana. Isso  de sua conta.
A msica parou. Arnold e Kassandra se separaram, e aplaudiram a banda por um momento. Quando co#mearam a tocar novamente, Arnold pegou Kassandra pela mo.
 Pense em tudo que lhe contei  ele pediu, sor#rindo, enquanto a conduzia na direo de Gabe.
Como um noivo perfeito, Gabe sorriu, pegando a mo de Kassandra com delicadeza e escoltando-a em direo a seus pais. Ela observou Sam por um mo#mento. Ele no era
velho, provavelmente no passava dos cinquenta e cinco anos, mas aparentava estar can#sado. J havia notado aquilo antes, apenas no pensara no assunto. Agora tambm
era capaz de entender porque Loretta o tratava com tantos cuidados.
Alguns minutos depois, a banda parou de tocar e os quatro foram at o pequeno palco. Sam fez algumas pIadas e passou a palavra para Gabe.
 Kassandra no acreditou quando dissemos que subiriamos no palco para fazer um anncio formal de nosso noivado. Mas eu disse a ela que, em nossa famlia, gostamos
de fazer as coisas do jeito certo. Kassandra no sabe, mas meus pais insistiram que eu fizesse tambm um pedido formal para ela se casar comigo. Da mesma forma que
meu pai fez com minha me quando ficaram noivos. Da mesma forma que meu av fez com minha av.
Dizendo aquilo, Gabe pegou as duas mos de Kas#sandra, colocando-a a sua frente. Logo em seguida, ajoelhou-se, olhando-a fixamente.
 Kassandra, voc quer se casar comigo?
O tempo pareceu parar enquanto Kassandra pen#sava no que estava acontecendo. Aquele homem ajoe#lhado a sua frente colocava a famlia acima de tudo e fora capaz de
construir toda aquela farsa apenas para faz-la acreditar que estava feliz, que o peso sobre seus ombros no era excessivo.
Percebendo aquilo, Kassandra concluiu que Gabe era o homem cavalheiresco e honrado com o qual toda mulher sonhava. E pensando nas coisas que Arnold lhe contara,
era fcil entender que Gabe queria manter as mulheres distantes porque achava que no podia se dar ao luxo de amar algum.
Era seu ltimo sacrificio.
Olhou bem dentro daqueles brilhantes olhos casta#nhos, sabendo que ele estava esperando por sua ajuda.   o que mais quero  concordou, com um suspiro. Gabe ergueu-se
e colocou o anel no dedo de Kassandra, que se sentiu, estranhamente triste.
Ela voltaria para sua casa, terminaria seus estudos, cuidaria de sua carreira e educaria Candy, at que um dia aparecesse o homem certo. Gabe mergulharia ainda mais
nos negcios da famlia, sem tempo para pensar em si mesmo. Para Kassandra, havia uma sa#da. Gabe ficaria naquela vida para sempre.
At que algum dia no Natal... Ele voltaria para aquela enorme e silenciosa casa, e no haveria ningum para esper-lo.
Gabe ficaria completamente sozinho.

CAPTULO XV

 Deixe-me ver o anel  Emma pediu para Kassandra, assim que se despediram dos ltimos convidados.
Sorrindo, Kassandra estendeu sua mo direita   lindo!  a senhora exclamou.
 Fui em mesma que escolhi .
Aproximando-se por trs de Kassandra, Gabe enlaou-a pela cintura e deu uma risada.
 Ela achou o anel que eu havia escolhido brega.
 E com certeza era mesmo  Emma comentou ainda olhando para o anel. Erguendo a cabea ele encarou o neto.  Quanto voc pagou por este?
 No est na hora de a senhora descansar?  Gabe sugeriu, ignorando propositadamente a pergunta.
Emma sorriu.
 Voc est certo. No  da minha conta. A festa acabou, vocs tambm podem ir para a cama.
 Tudo bem  Gabe concordou, virando-se para a escada e levando Kassandra com ele  Vamos pra cama.
 Acho que vocs devem estar ansiosos  Emma observou com casualidade.  J que Candy est no quarto com Isabelle, vocs podem dormir juntos.
Os dois pararam no primeiro degrau da escada ao ouvir aquilo.
 Vocs haviam esquecido?  Emma perguntou com astcia.
 No, vov  Gabe respondeu, recuperando-se rapidamente.  Apenas no gostamos de fazer propa#ganda de nossa intimidade... Boa noite  despedin#do-se, ele voltou
a subir a escada junto com Kassandra.  E no nos esperem para o caf da manh.
Caminharam em silncio at o quarto de Kassandra.
Quando entraram, Gabe fechou a porta e permaneceu parado no meio do aposento.
 Pegue seu pijama e a escova de dentes, porque eu no vou dormir aqui.
 Por qu?
 Porque minha av nunca acreditaria que eu fosse capaz de dormir em qualquer outro quarto que no o meu ...
Ela encarou-o com raiva, mas agradecida por ele ter voltado a ser o idiota de sempre. Era mais fcil lidar com aquele Gabe.
 Sabe, Gabe, se voc realmente tivesse uma noiva, gostaria dela o bastante para fazer algumas conces#ses. Voc nunca parou para pensar que  a forma como me trata
que faz sua av suspeitar de ns?
Sem esperar pela resposta, Kassandra entrou no ba#nheiro, colocando sua escova de dentes e outros objetos em um pequeno ncessaire. Em seguida voltou para o quarto,
separando um pijama e a roupa que colocaria no dia seguinte.
Com sua pequena bagagem pronta, ela passou por Gabe, abriu a porta e foi para o corredor, caminhando sem esper-lo.
 Espero que minha av tenha assistido a esta demonstrao de carinho  ele comentou assim que en#traram em seu quarto e fecharam a porta.
 Desculpe-me  Kassandra pediu, com m vontade, entrando logo em seguida no banheiro.
Depois de tomar um banho, escovar os dentes, colocar o velho pijama de flanela  e soltar os cabelos, ela voltou para o quarto. No queria dar a mnima importncia
aquilo de propsito para Gabe no acusa-la de estar tentando seduzi-lo.
Gabe estava sentando em uma poltrona prxima  janela, lendo. Ele levantou a cabea, encarou-a e deu um suspiro sem dizer uma palavra.
Kassandra respirou profundamente, sentou-se na poltrona que Gabe ocupava. Viu que ele estava lendo uma histria policial, passeou o olhar pelo quarto fixando a ateno
no armrio de trofus e sentindo um aperto no peito.
Kassandra achou que tinha de controlar a atrao fsica, pois ele era muito desejvel. S quando Gabe explicasse os fatos do seu passado, mostraria que ele confiava
nela e respeitava seus sentimentos.
Para aplacar a situao Gabe foi tomar um banho.
No momento em que Gabe saiu do banheiro enxugando os cabelos com uma toalha e usando apenas a parte debaixo do pijama de seda cor de vinho, Kassandra levantou-se
da poltrona e foi at a cama, puxando as cobertas.
Enquanto isso, pelo reflexo do espelho era possvel analisar seu corpo, os cabelos negros despenteados, os ombros largos... Vendo tudo que as roupas escondiam.
Kassandra ficou momentaneamente chocada enquanto notava a perfeio daquele homen msculo. As pernas to sexys que eram mais evidenciadas pela cala... S fazia
imaginar a situao daquele corpo maravilhoso. A imagem do corpo daquele corpo ficou na sua mente mesmo fechando os olhos.
Ela deitou na cama e virou de lado enquanto ajeitava o travesseiro.
 Boa noite  ela disse.
Gabe perguntou quando sentou-se na cama.
 Posso apagar a luz?
Ela assentiu e ele apagou a luz, deixando apenas a plida luz do abajur acessa. E sentou-se na cama.  Gabe puxou o cobertor, sem conseguir se deitar.
 Isso  ridculo.
Kassandra abriu os olhos.
         O qu?
         Estou na mesma cama que voc.
 Eu no posso ficar aqui...
 Tudo bem. Durma na banheira, ento.  Gabe considerou.
 Acho que no.
  s voc ficar no seu lado e de costas para mim e no vamos ter problemas.  Gabe murmurou sentindo-se nervoso.
Kassandra podia querer se esconder, mas aquela inocente cala de pijama que usava no ajudava. S a tornava ainda mais tentadora.
Evitando parecer um adolescente em seu primeiro encontro com uma mulher, Gabe deitou-se na cama, apagou a luz do abajur e virou-se de costas para ela.
Depois de alguns minutos, ele concluiu que o espao entre os dois era suficiente para que se acomodasse com mais conforto. No havia necessidade de dormir to tenso.
Tambm no queria que Kassandra tivesse a impresso de que estava intimidado com sua pre#sena. Lentamente, virou-se.
De seu lado da cama, Kassandra pensou a mesma coisa.
Relaxando o corpo, ela tambm virou-se, e sentiu-se bem melhor, olhando fixamente para o teto do quarto.
Gabe tambm olhava para o teto, mas em seguida ele se agitou. Aquilo no iria funcionar. L estava ele, a apenas alguns centmetros de uma linda mulher, e supostamente
tendo de dormir. Frustrado, virou-se de lado novamente, socando seu travesseiro.
Nos pensamentos de Kassandra ecoava a mesma frustrao de Gabe. Estava deitada ao lado do homem mais lindo e sexy que conhecera, e teria no s de dormir, mas tambm
de tomar cuidado para no rolar para seus braos assim que pegasse no sono.
Mas, inesperadamente, ela comeou a sentir suas plpebras pesarem. Depois de algum tempo, caiu em um sono profundo.
Percebendo a respirao compassada de Kassandra, Gabe concluiu que ela conseguira dormir. Ficou ouvindo por algum tempo, imaginando o movimento de seu peito quando
inspirava e expirava o ar, e ento socou o tra#vesseiro novamente. Aquela seria uma noite bem longa.
Gabe acordou primeiro, saindo da cama e indo direto para o banheiro. Haviam conseguido dormir a noite inteira com apenas alguns pequenos toques no inten#cionais,
e agora ele se considerava a salvo. No teria de passar por aquilo novamente.
Vinte minutos depois, j barbeado e vestido, voltou para o quarto. Seu olhar foi atrado para a cama, onde Kassandra ainda dormia. No queria ser surpreendido admirando-a,
mas permaneceu ali, estudando suas fei#es delicadas, os cabelos loiros graciosamente espa#lhados pelo travesseiro.
O corao de Gabe batia descompassado dentro do peito. Jamais sentira-se to estranho e, ao mesmo tem#po, to bem. Era muito fcil ter Kassandra a seu lado. Ainda
que houvesse demorado um pouco para dorrmr, descansara como h muito tempo no conseguia.
Ela abriu os olhos.
 Voc j levantou  comentou, com voz sonada.
 Faz vinte minutos.
Virando a cabea, Kassandra olhou para o relgio.  Meu Deus! J so oito e dez! Candy tem de tomar caf da manh  dizendo aquilo, ela pulou da cama, entrando rapidamente
no banheiro.
Gabe permaneceu parado, totalmente confuso, en#quanto esperava que ela se aprontasse. Cinco minutos depois, Kassandra saiu do banheiro, vestindo cala jeans e suter.
 Est pronta?  ele perguntou, sorrindo.
 Sim  ela informou, dirigindo-se para a porta.
Os dois caminharam em silncio at o andar de baixo. Mentalmente, Gabe dava graas aos cus por aque#la noite haver acabado. Jamais precisaria repetir a tortura
de dormir ao lado de Kassandra novamente. Quando chegaram  sala de jantar, Gabe puxou a ca#deira para que ela se sentasse, acomodou-se a seu lado e descobriu que
sua av os observava com um olhar inquisidor, como se fosse um agente do FBI.
 Dormiram bem?  ela perguntou.
 Muito bem. E voc, Emma?  Kassandra devolveu com um sorriso, enquanto pegava um. pedao de po.
 Como um anjo  a senhora informou, voltando ento sua ateno para Gabe.  Sabe, enquanto no pegava no sono estive pensando que talvez tenha sido muito rgida
quanto s regras dessa casa.
  a sua casa, vov. A senhora tem todo o direito  Gabe comentou.  Eu e Kassandra podemos so#breviver segundo essas regras.
 , mas conclu que minhas regras so muito an#tiquadas. Ento podemos fazer algumas mudanas para todos ficarem mais felizes. A partir dessa noite, eu tomo conta
de Candy durante a noite, para vocs poderem dormir juntos.
Gabe quase engasgou com seu caf, mas Kassandra teve presena de esprito para argumentar.
 No posso deixar que voc assuma a responsabili#dade de cuidar de Candy, Emma. Ela  minha filha e...
 Bobagem. Candy j est acostumada comigo. Alm disso, sei onde fica o quarto de Gabe. Se a menina der algum trabalho durante a noite, sempre posso ir procura-la.
Gabe permaneceu parado, encarando a av em si#lncio, e finalmente concluindo que Kassandra sempre estivera certa. Emma desconfiava dos dois e estava proposta a
descobrir a verdade. Olhou para Kassandra e percebeu que ela mantinha sua compostura ainda que seus olhos revelassem o mais profundo pnico.
S porque sabia que seriam forados a dormir juntos todas as noites que ainda restavam at o final daquelas frias, como tambm percebera que corriam o risco de
serem surpreendidos por Emma em qualquer momento e  imaginava que no poderia continuar usando aquele confortvel pijama de flanela. Teria de vestir algo sensual
mais apropriado para uma mulher que dividia a cama com o homem por quem estava apaixonada...
Aquilo no era bom. Nem um pouco...





CAPTULO XVI

Kassandra saiu do banheiro naquela noi#te usando um baby-doll de cetim ver#melho, coberto por um robe curto da mesma cor. O modelo era bem simples, mas bastante
sexy, pois o tecido no revelava as curvas do corpo escultural de Kassandra. Com muita dificuldade, Gabe desviou o olhar daquela tentao.
Depois de demorar mais alguns minutos arrumando suas coisas, Kassandra finalmente retirou o robe e dei#tou-se na cama. Gabe, com alvio, apagou a luz. Mas, mesmo
no escuro, ele no conseguia afastar de sua mente a imagem daquele corpo perfeito. Como fizera pelo menos quatorze vezes na noite anterior, socou seu travesseiro
e virou-se para o lado. Trinta segundos depois, Kassandra fez a mesma coisa.
Vinte minutos mais tarde nenhum dos dois havia conseguido dormir.
 A gente pode trazer cartas amanh  noite #Gabe sugeriu; sentando-se na cama e acendendo a luz.  Podemos jogar at ficar com tanto sono que dormi#remos sem problema
algum.
 Pode ser  Kassandra concordou, tambm sen#tando-se na cama.
 Por acaso voc no tem algum jogo em seu ncessaire? Ela meneou a cabea.
 No.
Gabe suspirou. Kassandra suspirou.
Ele tentou desviar seu olhar para no sucumbir.
Mas era dificil, pois o espelho da penteadeira ficava bem em frente da cama, refletindo a imagem de uma Kassandra sensualmente desprotegida, com os cabelos dourados
caindo graciosamente por seus ombros. Ape#nas um fino tecido o separava de ter uma viso com#pleta do paraso...
Estremecendo, Gabe virou a cabea para o nico lugar que poderia olhar com segurana: a porta do banheiro. Limpando a garganta, ele resolveu falar al#guma coisa.
 O que voc, minha me e minha av fizeram pela manh?
 Nada extraordinrio  ela respondeu.  Discu#timos com o responsvel pelo jantar, com o florista, e discutimos umas com as outras.
 Em outras palavras, continuam planejando o casamento.
 Voc ter um lindo casamento, Gabe. Isso se sua me e sua av no provocarem um ataque de nervos no florista ou no banqueteiro antes,  claro.
Gabe sorriu afetuosamente.  Qual  o problema?
 Elas tm mudado o menu do jantar pelo menos quatro vezes por dia. E com o florista o problema  definir o estilo da decorao, que j oscilou de motivos natalinos
para completamente branca, mas deve incluir alguma outra coisa que elas ainda no decidiram o que .
  uma deciso dificil...
 At parece uma questo de vida ou morte.
 Acho que  assim mesmo que minha me e Emma esto encarando as coisas  ele comentou, encaran#do-a.  Voc acha que elas esto se divertindo?
Kassandra confirmou com um aceno de cabea.  Acho que nunca se divertiram tanto. Tenho a impresso de que elas adoram mudar, de opinio sobre todos os detalhes.
 Com certeza  ele concordou, sorrindo com indulgncia, imaginando a cena de sua me e sua av discutindo com o florista e o banquetelro. Ento, lem#brando-se de
algo que Kassandra dissera, ele franziu as sobrancelhas.  E por que vocs discutiram umas com as outras?
Ela hesitou por um momento.
 Elas no gostaram do vestido que escolhi.
Gabe encarou-a espantado.
 Por que no?
 No sei. Escolhi um modelo lindo mas como ele esteve em exposio por muito tempo, precisava ser la#vado. Mandei-o para a lavanderia, e agora ele est perfeito.
Gabe permaneceu em silncio, pensando no que ela contara. Na ltima vez em que Kassandra havia seguido seu prprio gosto, escolhera um vestido maravilhoso para a
festa de noivado, ainda que no o houvesse comprado em uma das lojas sofisticadas que sua me costumava freqentar. Pelo pouco que conhecia Kassandra, sabia que
o vestido de casamento devia ser lindo.
 Voc gostou do vestido que escolheu?  ele perguntou.
 Claro  ela confidenciou.  Achei-o maravilhoso.
 Confio em seu julgamento.
  mesmo?  Kassandra perguntou, excitada.
Ele encolheu os ombros e bateu com as mos nos joelhos, submisso.   mesmo.
quela resposta pareceu deix-la muito feliz, pois seus lbios curvaram-se em um belo sorriso. Antes que Gabe se desse conta do que acontecia, Kassandra inclinou-se
em sua direo e o abraou.
 Muito obrigada  ela agradeceu, apertando seu corpo contra o dele. Quando percebeu o que fizera, rapidamente se afastou, voltando a uma distncia segura.  Voc
quer saber mais alguma coisa sobre o casamento?  perguntou embaraada.
 No  ele respondeu, limpando a garganta e desviando o olhar.  Acho melhor tentarmos dormir agora.  Tudo bem  Kassandra concordou, deitando-se e virando de
costas para ele.
Gabe apagou a luz e deitou-se. Ficaram em silncio por alguns minutos, at que ele percebeu, pela respi#rao profunda e tranqila, que Kassandra dormira.
Virando seus olhos, virou-se para observ-la melhor, sentindo um aperto na boca do estmago. Nunca havia encontrado algum capaz de se contentar com coisas simples
como Kassandra. E, ainda que no soubesse porqu, faz-la feliz causara nele um prazer imenso, como jamais sentira.
Sabia que jamais voltaria a conversar com ela sem lembrar-se daquela noite, na cama, e de como se sentira atrado. Ao mesmo tempo, Gabe tambm concluiu que a respeitava
como jamais respeitara uma pessoa em toda sua vida, e sabia que nunca mais conseguiria ignor-la.
O que no seria nada bom quando voltassem para a Pensilvnia.
Kassandra esteve ocupada por todo o dia seguinte.
Em um dos poucos momentos de descanso, sentou-se no sof, pensativa, observando Candy brincar feliz dentro do cercado, enquanto Loretta cuidava da limpeza da pra#ta
e Emma passava novas receitas para o banqueteiro:
 E o que voc acha, Kassandra?
Percebendo que falavam com ela, Kassandra rapi#damente ergueu a cabea.
 Desculpe, o que disse, Emma?
 Perguntei o que voc acha de servirmos doces brancos.
 Estou vendo que voltamos  idia do branco total...   Emma confirmou, alegremente.
 Existe cor mais bonita para um casamento?
 Acho que no  Kassandra concordou.
 Loretta virou-se para encar-la atentamente.
 Est acontecendo alguma coisa, querida?
 Nada  ela rapidamente respondeu.
Emma sentou-se ao lado dela no sof.
 No minta, pois est evidente que algo no vai bem, Kassandra.
A verdade era que Kassandra estava se sentindo muito estranha depois da conversa que tivera com Gabe na noite anterior. Jamais havia gostado tanto de receber a aprovao
de algum como quando Gabe aprovara sua deciso sobre o vestido do casamento. Mas, quando o abraou, ele ficou rgido, como se aquele contato fosse a coisa mais
repulsiva do mundo. S com muito esforo conseguira evitar que lgrimas corres#sem por seu rosto.
Kassandra sabia exatamente o que estava aconte#cendo. Apesar de tentar evitar, havia se apaixonado por Gabe. Sem dvida alguma, ele era o homem mais gentil e dedicado
 famlia que jamais conhecera. Mas tambm era o mais estpido. Porque se recusava a entender que havia lugar em sua vida para um casa#mento real, alm de toda aquela
dedicao.
Gabe tinha tanta certeza sobre isso que se recusava a escutar outra opinio. E tambm no gostava de Kassandra. Provavelmente riria se ela tentasse argu#mentar que
ele merecia mais do que um falso casa#mento. O melhor era no dizer nada, saindo daquela histria com a dignidade preservada.
 Acho que sei o que est errado  Loretta considerou, pensativa.  Voc est com saudade de sua famlia.
Kassandra sorriu timidamente, agradecida pela des#culpa que lhe fora oferecida.
 Acho que voc est certa, Loretta. Estou sentindo falta deles.
 Por que voc no liga para sua me?  Tenho uma idia melhor. Porque no convida seus pais pra virem para o casamento?
Kassandra coou a cabea e mexeu negativamente. Pensando que desculpa inventara.
 Eles no podem vir.
 Por que no insiste para que venham?   Emma interrompeu.
 Meu pai est com pneumonia, lembram? E minha me no pode deix-lo sozinho neste momento. Mas posso ligar para falar com ela  acrescentou, levantando-se.
 Isso, querida  Loretta incentivou-a  Ns cuidaremos de tudo por aqui. Faremos o melhor possvel.
Emma sorriu.  Pode ter certeza!
Kassandra sorriu, mas procurou no dar ateno. Faltavam dois dias para o casamento e para terminar aquela tortura e todos os envolvidos.

CAPTULO XVII

J em seu quarto, Kassandra decidiu que ligar para a me era a melhor forma de tentar curar aquela melancolia. Depois de uma breve conversa com ela, sentira-se um
pouco melhor. Para no deixar sua me preocupada, evitara mencionar a histria do falso casamento. Logo que soube do plano maluco, Ginger OHara havia apoiado, mas
fizera vrias recomendaes para que ela tomasse cuidado para no se envolvesse mais.
Mas tantos conselhos no foram suficientes para Kassandra, ela estava precisando colocar juzo na cabea. Ela estava apaixonada por um homem que jamais a amaria.
Naquela noite, Gabe fora para o quarto antes dela, e j estava deitado, lendo, quando Kassandra saiu do banheiro e deitou-se em seu lado da cama.
 Boa noite  ela despediu-se como fizera nas duas noites anteriores; virando-se de lado.
 Boa noite  Gabe respondeu.
Ficaram em silncio por algum tempo, at que ele perguntou:
 O que est acontecendo, Kassandra?
 Nada  ela mentiu.
 Ento; por que voc no consegue dormir?
Kassandra virou-se para encar-lo.
 Como voc sabe que no consigo dormir?
 Voc no est respirando como respira quando dorme.
Ela sentou-se na cama, com uma expresso confusa no rosto.
 Do que voc est falando?
 Eu sempre percebo quando voc dorme porque sua respirao muda. Fica mais profunda, tranqila.
Kassandra sentiu um aperto no peito. Era estranho saber que Gabe prestava tanta ateno nos movimen#tos dela.
 Voc vai me dizer ou no?
 O qu?
Gabe fechou o livro e colocou-o sobre seu criado-mudo.  O que est acontecendo?
Kassandra ficou em silncio por um momento, sem saber o que responder. No podia dizer a verdade para Gabe, pois ele no entenderia. Era mais seguro ficar quieta.
Virando-se, ela ajeitou o travesseiro e deitou-se de costas para ele.
 No est acontecendo nada.  Ele suspirou impaciente.
 Vamos l, Kassandra.  s olhar para voc ou ouvir sua voz, para saber que h algo errado. Diga-me o que   ele pediu, inclinando-se sobre ela.  Talvez , eu
possa ajudar.
A gentileza na voz de Gabe fez com que Kassandra sentasse na cama novamente para olhar fixamente para ele. Gabe sorria amistosamente, e sua expresso demonstrava
que ele realmente se preocupava.
Ela balanou a cabea, como se quisesse afastar os pensamentos que insistiam em povoar sua mente. Em seguida, fez meno de virar-se novamente para se deitar, mas
Gabe segurou-a pela cintura.
 Voc no vai se deitar enquanto no me disser.  Ele sorriu novamente, acrescentando com um tom de voz muito suave:  Por favor.
Kassandra sentiu-se fraquejar, mas permaneceu en#carando-o em silncio. A verdade no ajudaria em nada naquela situao.
 Por favor  ele pediu novamente, segurando-a delicadamente pela mo.
Kassandra sentiu um calor delicioso espalhando-se por seu brao. Aquela era a sensao que gerara no contato com um homem, e que jamais en#contrara. Olhou para baixo,
confusa. O sentimento que descobrira preenchia seu corao, mas no poderia revel-lo para Gabe.
Ainda assim, ele esperava por uma resposta.
 Est bem. Se voc quer mesmo saber, estou com saudade de casa  ela mentiu.
Gabe parecia surpreso com a resposta.  Saudade?  ele perguntou, com curiosidade.
 Gabe entenda. Essa  sua casa... seu lar. So seus parentes Tudo aqui  muito familiar para voc, mas estou me sentindo deslocada.  Tentando controlar a emoo,
Kassandra fez uma pausa, mordendo levemente.   Nunca passei o Natal longe da minha famlia.  ela murmurou.  Sei que isso  ridculo, porque j tenho vinte e cinco
anos, mas sinto a falta deles.
 Venha c  Gabe pediu, puxando-a para seus braos.
 No  ridculo. Na verdade eu tambm nunca passei o Natal longe de minha famlia.
Aquilo no surpreendeu Kassandra nem um pouco. Acomodada no peito de Gabe, ela sorriu. Foi quando percebeu o que estava fazendo, e sentiu-se tomada pelo pnico.
 Obrigada pelo consolo  ela agradeceu, afsstan#do-se com nervosismo.  No quero chatear voc com meus problemas.
Gabe a segurou antes que ela conseguisse se afastar totalmente.
 Voc no est me chateando, Kassandra. Estamos juntos nessa histria  ele argumentou com uma voz que demonstrava toda sua impacincia.
 Eu sei  ela concordou.  Mas esse sentimen#talismo no faz parte de nosso acordo.
 Dane-se nosso acordo  Gabe explodiu, com rai#va.  Meu Deus, voc ainda vai me fazer perder a cabea!  Puxando Kassandra para junto de si, ele a envolveu em
um abrao.
Ela tentou resistir, colocando as mos sobre seu pei#to msculo. E assim os dois ficaram por um momento, encarando-se em silncio.
Ele suspirou. Ela estremeceu.
 Ns no deveramos fazer isso  ela sussurrou um momento antes que seus lbios se encontrassem.
Mas Kassandra sabia que no podia evitar que aquilo acontecesse. Sabia disso desde que percebera que Gabe se importava com ela. O toque de Gabe provocava nela uma
emoo que jamais conhecera. Era pura paixo. E ela tinha certeza de que no sentiria aquilo por outro homem. No queria sentir aquilo com outro homem.
Era tudo muito especial, perfeito e maravilhoso. Mas logo iria acabar.
Gabe no resistiu quele contato e deu-lhe uma srie de beijos deliciosos em seu pescoo, enquanto a acari#ciava nas costas. Respirando profundamente, ela es#tendeu
seus braos, acariciando-o primeiro nos ombros, depois descrevendo crculos no peito bem desenhado. A sensao era to intensa que Kassandra sentiu sua mente obscurecer-se.
Era como se cada clula nervosa de seu corpo estivesse despertando para a vida. Os beijos comearam a ficar mais desesperados, os toques mais ousados. At que um
aviso de perigo soou na cabea de Kassandra.
No podia fazer amor com Gabe. Se fizesse, ele sa#beria que estava apaixonada.
Bem devagar, relutando muito, Kassandra segurou as mos de Gabe, afastando-se um pouco.
 No  sussurrou.
Ele encarou-a fixamente, com os olhos brilhando.
Ela confirmou com um aceno de cabea. Livrando-se dos braos de Gabe, Kassandra deslizou para seu lado da cama, virando-se de costas e fechando os olhos.
No seria fcil dormir, pois um pensamento no lhe saa da cabea. Mesmo com toda aquela paixo e os beijos ardentes, Gabe no pronunciara nem uma palavra sequer
sobre amor. No havia tentado engan-la em momento algum, pois era um homem decente.
Kassandra sabia que Gabe no sentia nada por ela, por isso decidiu que sairia de sua vida assim que pudesse.

CAPTULO XVIII

Na manh seguinte, Gabe acordou sentindo-se feliz. Muito feliz, como jamais se sentira.
Sabia que Kassandra o rejeitara para no complicar ainda mais aquela situao. E a respeitava por aquela atitude. Mas tambm tinha certeza de que no seria mais
capaz de fingir que a ignorava. Tudo seria diferente entre os dois quando voltassem para a Pensil#vnia. Por isso, precisavam conversar.
Levantou-se e caminhou at o banheiro. Enquanto to#mava uma ducha, sorriu ao lembrar-se da noite anterior.
Kassandra era uma mulher maravilhosa. Sensvel e apaixonante.... Muito apaixonante. E ele gostava dela.
Kassandra acordou com uma sensao de completa felicidade. Todas as emoes que havia experimentado nos braos de Gabe voltaram vivamente a sua memria fazendo com
que sorrisse antes mesmo de abrir os olhos.
Mas ao abri-los, a realidade daquela situao voltou a sua mente. Sabia que no haveria futuro para os dois, por mais doloroso que aquilo pudesse ser.
Foi quando ouviu o barulho da porta do banheiro indicando que Gabe estava saindo do banho. Fechou-os olhos rapidamente. No queria conversar com ele. No naquele
momento.
Gabe demorou-se no quarto arrumando suas coisas.
Obviamente, estava esperando que Kassandra acor#dasse. Mas ela continuou respirando profundamente, como se ainda estivesse dormindo. Depois de algum tempo, ele desistiu,
saindo do quarto.
Kassandra suspirou aliviada, abrindo os olhos. Es#perou um pouco, para ter certeza de que ele no vol#taria, e ento levantou-se, comeando a se arrumar.
Vinte minutos depois, ela descia as escadas, prepa#rada para fazer o papel de noiva feliz por mais um dia. Mas o que encontrou na sala de jantar a deixou espantada
demais para pensar em qualquer encenao.
Sentada entre Emma e Loretta, usando seu vestido azul preferido, estava sua me. Ginger O'Hara parecia extremamente  vontade na companhia dos Cayne, e abriu um
sorriso sincero assim que viu a filha.
 Kassandra, querida  ela cumprimentou, levan#tando de sua cadira.
 Surpresa!  Emma exclamou, tambm levantando. Kassandra sentiu seus joelhos falsearem. Com o olhar, procurou por Gabe, notando que ele a encarava com uma expresso
indecifrvel. De certa forma, pa#recia at um pouco embaraado, mas Kassandra no saberia dizer por qu. Respirando profundamente, ela olhou novamente para a me.
 Mame!  exclamou sorrindo, certa de que no esconder que estava surpresa era a melhor forma de disfarar as outras emoes que sentia.
  to bom v-la, querida  sua me comentou, abraando-a.
  bom v-la tambm, mame  Kassandra de#volveu o cumprimento.  Quando voc chegou?
 Ontem. Bem tarde  Ginger revelou enquanto acompanhava a filha at a mesa e sentava-se a seu lado.
 E como est papai?  ela perguntou, encarando a me com um olhar suplicante.
 Voc quer saber se ele est melhor da pneumonia?  Kassandra confirmou, com um gesto vago de cabea.
 Ele est na casa de seu irmo para tomar conta dele no feriado. Joe vai ficar com ele. Prometeu a Loretta e Sam. Pneumonia  uma doena estranha, n? Seu pai parece
estar bem, mas no podemos facilitar.
Agradeceu aos cus por sua me mentir to bem quanto ela.
 Tem certeza de que no quer ir para casa, cuidar do papai?
Ginger sorriu e segurou a mo da filha.
 Acho que devo estar a seu lado, temos muitas coisas para conversar. Podamos dispensar o caf da manh e irmos o quanto antes ao seu quarto para comearmos.
 No precisam sair, ns j terminamos. Temos que fazermos alguns contatos.  Emma tranquilizou-a, levantando-se  Acho que podem conversar aqui mesmo.
Deixaram Kassandra sozinha na sala com a me. Assim que saram, Ginger, com expresso sria, encarou a filha.
 Que histria  essa de casamento? A av de Gabe me ligou ontem a noite, oferecendo-se para pagar a passagem e para algum tomasse conta de seu pai para que eu
pudesse vir ao casamento. Eu sempre achei que esse acordo que vocs fizeram era louco. Mas voc no tinha dito que ia se casar.
Kassandra pigarreou.  Sabe o que , me...
Ginger suspirou.
 Voc no vai se casar, no , Kassandra?
 No, Emma estava desconfiando muito de nosso noivado. No vamos nos casar de verdade  ela acrescentou rapidamente, obviamente exasperada  Gabe tem um amigo que
 ator e a cerimnia vai ser falsa.
Ginger O'Hara engasgou!  Essas pessoas esto pensando que vo se casar! Voc percebe por acaso o que est fazendo? A mulher que se recusou a casar com o pai de
sua filha, quebrando a santidade do casamento por um casamento falso.
Embaraada, Kassandra apertava as suas mos.  H uma grande diferena entre casar com algum que no se ama e fingir que se casa. So situaes diferentes.
Ginger levantou-se e disse de forma irnica  Kassie, voc e Gabe podem saber que  uma cerimnia falsa, mas a famlia e todas as pessoas presentes no sabem.
 Esse  o plano. O pai de Gabe est doente e quer ver Gabe casado e feliz antes de morrer. Pelo menos assim conseguir realizar seu sonho.   Kassandra argumentou,
levantando-se.

CAPTULO XIX

Kassandra ocupou-se em acertar os detalhes finais do casamento, marcado para o dia seguinte, e propositadamente evitando a com panhia de Gabe.
Como no conseguiu fazer a filha mudar de idia, Ginger acabou aceitando a oferta de Emma, para que usasse o avio da famlia para ir buscar Joe, seu ma#rido. Kassandra
tentou recusar, dizendo que a sade do pai poderia piorar, mas foi voto vencido quando todos disseram que ele tinha a sria incubncia de levar a filha at o altar.
Logo depois do jantar, Kassandra ficou na sala con#versando com a me e Loretta e, quando percebeu que Candy no estava por perto, pediu desculpas para as duas mulheres
e saiu  procura da filha. Encontrou com Emma no corredor.
 Onde est Candy?  Kassandra perguntou.
 Gabe a levou para o quarto. Disse que ia coloc-la para dormir.
Ela soltou um suspiro. Pensara que havia conseguido se livrar dele quando dissera que gostaria de passar a ltima noite antes do casamento com a filha, mas Gabe
no desistia facilmente, e era bvio que queria falar com ela. Sabendo que no conseguiria evitar aquela conversa indefinidamente, subiu a escada para encontr-lo.
Antes de entrar em seu quarto, parou um instante para tomar coragem e observou que a porta estava entreaberta. Gabe falava sozinho e por um momento, ela pensou que
bebeu. Mas na verdade,  quando olhou pela fresta, ele contava uma histria para Candy utilizando duas meias coloridas como se fossem fantoches.
Candy estava deitada e toda vez que ele fazia um som engraado, ela sorria para Gabe. Ele terminou a histria sobre o cachorro e o drago que enfrentavam-se. Com
um de seus braos ficou acariciando os cabelos de Candy afetuosamente.
 Quem quer que seja pode entrar.  Gabe sussurrou.
Ento Kassandra decidiu que era hora de interromp-lo e com isso fez bastante barulho para abrir a porta fazendo ser notada.
 Boa noite  Gabe cumprimentou andando at ela.
 Boa noite  Kassandra respondeu. Pegou Candy em seus braos para coloc-la para dormir.  Vamos dormir querida.
Em seguida ela virou-se na direo de Gabe e falou:  Agora voc e eu vamos conversar...
 Vamos embora. Ela no vai dormir enquanto estivermos aqui.  Gabe falou segurando o brao de Kassandra.
 Ns precisamos conversar.
 No podemos. Candy precisa dormir.
 Vamos para meu quarto.
Kassandra balanou a cabea e suspirou, vencida.
 Est bem. Na noite passada, ns quase cometemos um erro, Gabe - comeou, encarando-o com se#riedade.  Mas no houve nada, por isso acho que no devemos nos preocupar.
Estou nervosa desde que essa farsa comeou, e ontem estava carente. Voc ten#tou me consolar, e ns quase perdemos o controle. Mas tudo est bem agora. Esquea a
noite passada.
 Esquecer a noite passada?  ele perguntou incrdulo.
 Sim, esquea  Kassandra confIrmou, livrando-#se da mo dele e comeando a andar na direo da porta.  Agora vamos embora.
 No terminamos ainda  Gabe avisou, parado no meio do quarto.
 Mas eu no quero atrapalhar o sono da Candy. Gabe olhou ao redor, como se pensasse em uma so#luo. Ento pegou no brao de Kassandra e a conduziu para o banheiro.
 Podemos fechar a porta, assim ela vai dormir sossegada.
Ela ainda tentou protestar, mas foi intil.
 Voc no me convenceu, Kassandra, e ainda no entendi o que aconteceu ontem  noite  Gabe declarou assim que fechou a porta do banheiro, encostando-se nela como
se quisesse evitar que Kassandra fugisse.
 Acho que no preciso explicar isso para voc.
 A atrao que sentimos um pelo outro no precisa ser explicada  ele retrucou com seriedade, deixando claro que no gostara do gracejo.  Mas aconteceu mais do
que isso. Em primeiro lugar, no se esquea de que vamos nos casar amanh, e teremos de passar toda a semana seguinte dormindo no mesmo quarto. Voc est preparada
para dormir na mesma cama que eu depois de quase termos feito amor ontem?
Kassandra sentiu um arrepio na espinha.
 No se preocupe com isso.
 Como consegue ter tanta certeza?  Gabe perguntou sem desviar o olhar.

 Acho que o problema aqui  que voc no tem certeza - ela argumentou, sorrindo com frieza .
A expresso de Gabe indicava que ele estava confuso.
 No tenho certeza de qu?
             De que consegue dormir comigo.
Ele passou a mo nos cabelos espessos, exasperado.
 Eu consigo dormir com voc - dec1arou, soltando um suspiro.  Mas talvez no consiga trat-la como antes quando voltarmos para a Pensilvnia.
Kassandra sorriu.
 Gabe, voc est chateado porque no vai mais colocar seu som alto o bastante para acordar os ursos que esto hibernando agora que sabe que pode acordar Candy?
Ou  porque vai sentir falta de nossas brigas no corredor do prdio?
 No  nada disso. Ou talvez seja isso mesmo.  #Ele balanou a cabea, desesperanado.
Ela no conseguiu conter uma risada.
 Se estou entendendo direito, voc est com raiva porque gosta de mim e j no h razes para brigas.
 No estou com raiva porque gosto de voc. S assustado porque as coisas vo ser diferentes.
 Se isso fizer voc se sentir melhor, posso comear a gritar assim que sairmos do aeroporto.
Gabe olhou para ela.
 Voc no pode. Vamos embora em carros sepa#rados, lembra-se?
Por mais irnica que estivesse sendo, Kassandra en#tendia o que Gabe dizia. Ele no admitia mudanas em sua vida, e no queria se relacionar com ela para no correr
o risco de se apaixonar. No queria gostar dela. Kassandra tambm no queria gostar dele. Mas no conseguira evitar. E agora precisava ir at o fim da farsa, para
depois recomear Sua vida, esquecendo aquele amor sem futuro.
 Acho que  melhor voc ir - ela murmurou.
Gabe massageou o pescoo, como se quisesse relaxar, mas permaneceu parado.
 Gabe, quando entramos nessa farsa, sabamos que conhecer um ao outro era inevitvel. Agora no podemm voltar atrs, temos de arcar com as conseqncias.
Ele levantou a cabea e encarou-a por um momento em silncio.
 Parece simples.
Kassandra sustentou-lhe o olhar.  E , pelo menos para mim.
Kassandra passou quase toda a noite em claro, refle#tindo sobre o que ocorrera. As palavras de sua me no lhe saam da cabea. Como podiam ter chegado to longe?
Depois de muito pensar, chegou  concluso de que no poderia levar aquele casamento de mentira at o fim. E por um motivo bem simples: o maior prejudicado naquela
histria seria o prprio Gabe.
Disposta a encontrar Gabe para acabar com a farsa quanto antes, Kassandra arrumou-se na manh se#guinte, acordou Candy e desceu a escada. Quando che#gou na sala
de jantar, todos estavam tomando o caf da manh, com exceo de Gabe.
 Onde est Gabe?  ela perguntou, ansiosa, depois de cumprimentar a todos.
Loretta sorriu.
 Saiu logo cedo, dizendo que tinha uma coisa muito importante para fazer e no sabia a que horas voltava. Disse para no o esperarmos para o jantar.
Aquela revelao foi como um soco na boca do estmago de Kassandra. Ele perdera a coragem, e a aban#donara  prpria sorte. Agora ela teria de enfrentar a famlia
de Gabe sozinha...

CAPTULO XX

J passava das nove e meia da noite, e Gabe ainda no havia retornado. Ainda que Kassandra estivesse certa de que ele a abandonou-a. Loretta e Sam pareciam no ter
a menor dvida de que o filho chegaria a qualquer momento.
Sem coragem para enfrentar os Cayne sozinha, Kassandra resolveu manter a farsa at onde fosse possvel. Comportou-se como se realmente pretendesse se casar, e inventou
uma dor de cabea para ficar a maior parte do dia trancada no quarto.
Logo depois do jantar, ela avisou que iria se preparar para o casamento, e subiu novamente para seu quarto junto com Candy. Dois minutos depois, Ginger bateu na
porta, entrando em seguida.
 Voc vai mesmo levar essa farsa adiante.  ela perguntou apreensiva.
Sentada na beira da cama, Kassandra encarou-a com os olhos marejados de lgrimas.
 Esperava que Gabe me ajudasse a enfrentar sua famlia na hora de contar a verdade, pois no tenho coragem para fazer isso sozinha, me.
 E o que voc pretende fazer?
 Sair dessa histria com alguma dignidade. Vou me arrumar e descer, como se estivesse esperando meu noivo. Quando ele no vier, chorarei, fingindo que no estou
entendendo nada, e amanh vamos embora daqui logo cedo. Gabe que se entenda com a famlia dele depois.  No  to simples assim. O que voc vai fazer quando voltar
para seu apartamento?  Ginger ar#gumentou, enquanto se sentava ao lado da filha.
 No vou voltar  ela revelou, desviando o olhar para o vestido novo de Candy, que estava sobre a cama.
Ginger segurou em sua mo.
 Mas, Kassandra, voc cumpriu sua parte no acor#do  argumentou.  Tem direito de voltar para l.  Sei que tenho, mas no quero viver da caridade de Gabe.
 Entendo  Ginger murmurou.  O que voc quer  o amor dele, no?
Kassandra suspirou, desanimada.
 Por que a vida tem de ser to complicada?
 S Deus sabe...  Sua me consolou-a, acariciando-a nos cabelos.  Mas saiba de uma coisa, que#rida, na hora do casamento, eu e seu pai estaremos preparados para
representar o papel de pais da noiva abandonada. E amanh iremos todos embora daqui.
Abraando a me, Kassandra no conseguiu conter as lgrimas.
 Obrigada  murmurou.
Logo que Ginger saiu, Kassandra tirou Candy do cercado e comeou a arrum-la. Sentiu um prazer imenso ao cuidar da filha, admirando-a afetuosamente. Candy era realmente
a razo de sua vida, a melhor #coisa que lhe acontecera. Depois de terminar, colocou a menina novamente no cercado.
Era hora de se preparar para o gran finale da#quela farsa.
Sentindo que precisava relaxar, encheu a banheira com gua morna, colocou alguns sais aromticos e espuma de banho, tirou a roupa e deliciou-se com aquele banho.
Meia hora depois, Kassandra estava quase dormindo quando ouviu Uma batida na porta do quarto. Com certeza era Loretta ou Emma ou mesmo sua me, se oferecendo para
ajud-la a se arrumar. Ela pediu para a pessoa entrar e fechou os olhos, mergulhando na banheira.
 Dizem que ver a noiva antes do casamento d azar; ento estou com sorte por voc no estar vestida.
Ouvindo a voz de Gabe, Kassandra engasgou e abriu os olhos, afundando o corpo ainda mais na banheira para se certificar de que estava completamente coberta.  Gabe,
o que voc est fazendo aqui?
 Vou explicar. Mas antes precisamos conversar  ele pediu, sorrindo confiante.
 No preciso conversar com voc. No quero falar com voc. Fiquei aqui sozinha, sem saber o que dizer para seus pais o dia todo. Voc me abandonou e...
 Nunca abandonei voc. Estou aqui. Na verdade, em vinte minutos estarei pronto para o casamento.
  mesmo? No sei com quem, pois eu no vou me casar. Essa histria toda foi um erro, Gabe. Voc precisa de um casamento de verdade, no dessa farsa ridcula.
 Eu sei.
Kassandra suspirou aliviada, feliz por Gabe haver chegado  mesma concluso que ela. Mas ao mesmo tempo sentiu-se estranhamente triste, consciente de que tudo havia
chegado ao fim.
 Tudo bem  ela declarou, controlando suas emoes.  Espere-me l embaixo. Em alguns minutos es#tarei pronta e poderei explicar tudo para sua famlia. Meus pais
esto preparados para fazer cara de surpresa.
 Eu tenho certeza, de que eles ficaro surpresos  Gabe concordou, sorrindo impassvel.  Porque eu vou me casar.
Kassandra estava se inclinando, para pegar o robe ao lado da banheira, mas parou ao ouvir aquela revelao.
 Meu Deus, voc no perde tempo.
 Meu Deus, voc no perde tempo.
 Na verdade, acha que j perdi muito tempo. Sei h algum tempo quem  a pessoa com quem desejo passar o resto de minha vida, mas s hoje tive coragem de dizer isso
a ela.
 Fico feliz por voc  Kassandra cumprimentou-o, suspirando profundamente: Sentia as lgrimas em seus olhos e no pde evitar que Gabe as visse.
 Voc no entendeu, Kassandra.
Ela o encarou em silncio.
  voc, Kassandra. Quero me casar com voc.
Ela arregalou os olhou, estupefata.
         Voc o qu?
 Quero me casar com voc. Eu te amo, Kassandra. Passei o dia todo procurando por um ministro que pu#desse nos casar de verdade.
  mesmo?
Gabe sorriu, inclinando-se sobre a banheira e jogan#do um pouco de gua no rosto de Kassandra.
  mesmo. No vejo a hora de me casar com voc, meu amor. O ministro est esperando. Agora a deciso  sua.
 Antes, eu preciso dizer uma coisa  Emma in#terrompeu, entrando no banheiro.  Tenho uma confisso a fazer.
 Vov, o que a senhora est fazendo aqui?  Gabe gritou, ao mesmo tempo em que Kassandra afundava ainda mais na banheira.
 Tenho uma confisso, e ela no vai ser nada simples. Gabe e Kassandra olharam para ela, preocupados.  Eu menti, no estou morrendo.  Ela fez uma pausa, suspirando
profundamente.  Gabe, eu queria muito conhecer sua noiva, ento inventei toda essa histria. E agora sua me est furiosa comigo porque eu achei que voc tinha
fugido, pois estava em pnico por ter sido to pressionado a se casar, e resolvi contar toda histria para ela.
Desnorteado, Gabe abaixou a cabea e segurou-a com as mos, fechando seus olhos.
 Isso  ridculo!  ele esbravejou, furioso.  Voc tambm disse para meus pais que o casamento era uma farsa?
 Eu nunca tive certeza  Emma revelou.  Por isso no falei nada para eles.
 Graas a Deus, porque assim poderemos nos casar.
 No Gabe.  por isso que estou aqui.  Emma virou-se para Kassandra.  Voc no precisa fazer isso, querida. Ns vamos entender, e no ha motivo paxa ser envolvida
em toda essa confuso.
 Ser que amar seu neto no e um motivo sufi#ciente?  Kassandra perguntou com suavidade.
Emma abriu um largo sorriso, e Gabe encarou-a com os olhos brilhando.
 Acho que  um motivo perfeito.
 Graas a Deus!  disse Ginger, ao mesmo tempo em que se ouvia um suspiro aliviado de Loretta.  Emma, quantas pessoas esto no meu quarto.
Emma piscou.
 No se preocupe. So todos da famlia. Nos vemos l embaixo s quinze para a meia-noite.

CAPTULO XXI

Um corredor decorado com velas e rosas brancas formava o caminho por onde o pai de Kassandra a conduziu para Gabe. No final do corredor iluminado, Gabe estava parado
na frente de um assustado ministro, que parecia no entender o que acontecia a sua volta.
Do lado esquerdo, elegantemente vestidos, estavam Loretta e Sam.  direita, Ginger, com lgrimas nos olhos, e Emma, que carregava Candy no colo.
Mas Kassandra s conseguia olhar para Gabe, lindo em seu smoking negro. Lembrava-se a todo momento de que ele a amava tambm.
Ela chegou  frente de Gabe, que cumprimentou seu pai e a tomou pela mo. Por um momento, os dois permaneceram parados, encarando-se fixamente. Os olhos brilhantes
de ambos revelavam todo o amor que transbordava de seus coraes.
Kassandra ficou ao lado de Gabe, virando-se para o ministro. Internamente, ela agradecia aos cus que o medo de serem descobertos fora to grande que os dois haviam
at mesmo tirado a licena para o casamento. Era bom demais para ser verdade. Parecia at um conto de fadas.
O ministro pediu para os dois ficarem um de frente para o outro, e Kassandra virou-se para Gabe, pronta para fazer seu juramento.
Gabe estava feliz, tranqilo. Lgrimas encheram os olhos de Kassandra. Tentando evitar o amor, ele o encontrara onde menos esperava. Eles fizeram o ju#ramento, ento
Gabe a beijou; e a imagem de um conto de fadas voltou  mente de Kassandra. Os lbios dele eram suaves e quentes, e seu corao batia em um ritmo acelerado.
Depois de passarem pelo corredor decorado, os dois receberam os cumprimentos de todos os presentes, e foi servido o jantar de celebrao. Mais tarde, os con#vidados
comemoraram felizes, danando no salo.
Cerca de uma hora depois do jantar, Gabe e Kas#sandra partiram da manso Cayne. Logo que chega#ram na sada da propriedade, a uma distncia segura da casa, Gabe
parou o carro e abraou Kassandra, beijando-a com paixo.
 Esperei toda minha vida por isso  ele revelou quando se afastou um pouco.
O corao de Kassandra batia acelerado em seu peito.  Acho que estive esperando toda a minha vida por voc  ela admitiu, sorrindo.
Rapidamente, Gabe a puxou para perto de si novamente.
 No vou desapont-la  prometeu em um sussurro. Rindo, Kassandra afastou-o, colocando as mos em seu peito.
 Eu sei, mas vamos discutir isso depois. J  tarde, e logo teremos de voltar para casa.
 No vamos voltar  Gabe avisou, endireitando o corpo e ligando o carro para partir.  Pelo menos, no por duas semanas.  Mas, e Candy?
 Ficar bem com meus pais ou com os seus ou quem quer que seja. Quero ficar a ss com minha mu#lher por algum tempo.
 Est bem  Kassandra concordou, sorrindo. Imaginava a maravilhosa aventura que viveria nos prxi#mos dias com seu amor, seu marido.  Mas eu no trouxe roupa alguma.
 No vamos precisar  Gabe considerou, sorrindo maliciosamente.
 Imagine, Gabe  ela repreendeu-o, brincando.
  claro que vamos precisar de roupas. Temos de sair para almoar e jantar.
 Podemos usar o servio de quarto.
 Voc  incorrigvel, Gabe.
Gabe deu uma risada.
 No sou incorrigvel. Apenas estou apaxonado.
Completamente, definitivamente apaixonado. Ele parou por um segundo, encarando-a em silncio.  Para dizer a verdade, isso  to estranho que nem sei bem o que fazer.
Kassandra passou sua mo por trs da cabea de Gabe, puxando-a para bem perto da sua.
 Voc est indo bem. Apenas continue dizendo que est completamente, definitivamente apaixonado pelos prximos cmqenta anos, e no haver com o que se preocupar.
 Est bem  Gabe concordou, virando-se para ela novamente e partir.  J lhe disse que minha famlia tem uma ilha?
Ela o encarou, sorrindo.
 No.
  para l que estamos indo  ele avisou, ao mesmo tempo em que Kassandra encostava a cabea em seu ombro.  Fica do outro lado do mundo.
Enquanto seguiam em direo ao aeroporto, Kas#sandra ouviu atentamente as explicaes de Gabe so#bre a ilha de sua famlia.
Gabe no estava apenas lhe mostrando um novo mundo. Era como se pela primeira vez, tambm des#frutasse com prazer daquele mundo.

Fim
